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Morar só sem aperto financeiro

Morar sozinho pode ter muitos benefícios com relação à privacidade e momentos de lazer, mas é preciso refletir sobre o peso das contas no orçamento antes da mudança

01:30 | 17/07/2017

Oito em cada dez pessoas que moram só (79%) não se planejaram financeiramente para isso. Já 34% afirmam que morar sozinho contribuiu para que ficassem no vermelho alguns meses. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Especialistas falam sobre o que fazer para ter essa rica experiência de vida sem extrapolar o orçamento.

O educador financeiro do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli, recomenda educação financeira e viver de acordo com as possibilidades. Segundo ele, se a pessoa pensar que ninguém depende dela e que, agora que mora só pode fazer o que quiser, o bolso não vai aguentar. “Se não existe organização e controle de gastos uma hora o orçamento estoura”, completa, considerando que o único morador da residência precisa de disciplina extra para manter os compromissos em dia.

Vignoli destaca que, sem controle, fica muito mais difícil conhecer os próprios limites, saber se há exagero no consumo de produtos supérfluos ou fazer planos para realizar metas maiores, como uma viagem ou a compra de um carro, por exemplo. Para o educador, a falta de planejamento aliada à sensação de liberdade e despreocupação que a maioria dos que moram só têm, prejudica o equilíbrio financeiro. Acrescenta que comer fora, comprar por impulso e gastar muito com lazer são hábitos que devem ser evitados.

O economista Vitor Leitão compara essa situação ao exemplo da pessoa que compra um carro e só pensa na prestação. “Acaba esquecendo do IPVA, licenciamento, seguro, combustível, multas, etc.”, comenta, ressaltando que morar sozinho pode virar um problema se não for bem dimensionado.

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Adianta que nem sempre as pessoas lembram que, ao deixar a casa dos pais, precisarão gastar com alimentação, limpeza (mão de obra e materiais), manutenção de casa, além de outras despesas “invisíveis”. Leitão observa que, geralmente, o pensamento é focado nas despesas de aluguel/condomínio e, quando as outras despesas ocorrem, acabam pesando muito no orçamento. “O ideal é conversar com quem mora sozinho há pelo menos um ano e ter uma boa ideia das despesas, inclusive as inesperadas”, avalia.

Na opinião do economista Gilberto Barbosa, em alguns pontos do ciclo de vida é normal que se tenha dificuldade em economizar. “Por exemplo, quando se está crescendo na carreira e mesmo os gastos básicos são relevantes em proporção da renda. Perigoso é quando mesmo com crescimento da renda o indivíduo não faz poupança”, considera. Ressalta que, para acumular patrimônio, é preciso viver um padrão de vida inferior ao que sua renda proporciona, entendimento que vale para quem mora só ou acompanhado.

 

ARTUMIRA DUTRA