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Centro desiste de abrir no feriado

Medo e queda no movimento fizeram com que comerciantes desistissem de abrir as portas hoje

01:30 | 21/04/2017
Lojas no Centro começaram a baixar as portas mais cedo que o normal como impacto do menor movimento de consumidores nas ruas TATIANA FORTES
Lojas no Centro começaram a baixar as portas mais cedo que o normal como impacto do menor movimento de consumidores nas ruas TATIANA FORTES

Ceder ao medo não é uma opção para quem precisa trabalhar. Mas após ataques a 21 ônibus, dois bancos, três delegacias e muito boato, de quarta-feira, 19, até o início da noite de ontem, os impactos são evidentes. No Centro, entre as ruas Pedro Pereira e Guilherme Rocha, comerciantes até tinham decidido abrir suas lojas. Mas o medo - de empresários, empregados e consumidores - os fez mudar de ideia.

A Óticas Diniz, na Praça do Ferreira, estava com todos os funcionários trabalhando ontem. Costumam vender cerca de R$ 8 mil. Mas ontem haviam faturado apenas R$ 1 mil até às 17h. Ao lado, a C.Rolim tinha vendedores ociosos. Dependendo das vendas para ganhar comissão, cada vendedor atendeu em média três clientes no dia de ontem, cinco a menos que o habitual. Com menos clientes, medo de ataque e insegurança sobre a disponibilidade de ônibus, a loja fechou mais cedo pelo segundo dia seguido, às 17h30 ao invés das 19h.

O número de passageiros nos ônibus era visivelmente menor. Dimas Barreira, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), diz que o movimento caiu cerca de 50%. O impacto pode ter se dado também porque muitos preferiram sair de carro. Carlos César, vendedor, pegou carona com o filho para poder ir trabalhar no Centro. Não por falta de ônibus, mas por medo.

Era o primeiro dia de emprego da auxiliar de vendas, Beatriz Ribeiro. “Tive de vir trabalhar, mas estou com medo de um ataque a ônibus e prefiro andar de carro”, diz. Na padaria Romana, o movimento caiu cerca de 5%. José Maria Xavier, gerente do estabelecimento, diz que não houve tantas perdas e que a loja fechou em seu horário normal em ambos os dias. Ao contrário do Mercado dos Peixes, na Beira Mar que encerrou às 17h.

Severino Ramalho Neto, presidente da Confederação de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL-Fortaleza), e Assis Cavalcante, presidente da Ação Novo Centro, lembram que o comércio estava começando a se movimentar para criar o hábito de abrir nos feriados. “A insegurança que está sendo colocada no momento faz as pessoas ficarem em dúvida se vão estar dentro do ônibus no próximo ataque”.

A palavra do momento é medo, segundo Maia Júnior, presidente da Associação dos Empresários do Centro de Fortaleza (Ascefort). Os estabelecimentos que continuam com operações normais são shoppings, algumas padarias, postos de combustíveis, Mercado dos Peixes e avenida Monsenhor Tabosa.

 

Saiba mais

O que abre

Monsenhor Tabosa

Mercado dos Peixes

Shoppings (RioMar Fortaleza, e RioMar Kennedy, Shoppings Aldeota, Iguatemi, Del Paseo, North Shoppinh Fortaleza, North shopping Jóquei, Via Sul Shopping, Grand Shopping e Shopping Parangaba)

Supermercados

Postos de Combustível

Padarias (facultativo)

 

O que fecha

Centro e bancos

 

DIA ATÍPICO NO CENTRO

Cotidiano após ataques

1) A Praça do Ferreira estava com movimento menor que o normal, segundo lojistas 2) Como consequência, as lojas do Centro fecharam mais cedo ontem. O cenário era de vendedores à espera de clientes 3) Setor de alimentação sentiu menos o impacto e eram os estabelecimentos mais movimentados.

 

BEATRIZ CAVALCANTE