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Consumidores mudam hábitos depois da operação Carne Fraca

Os consumidores querem saber a procedência da carne. Em alguns estabelecimentos, o movimento caiu

01:30 | 21/03/2017
A carne segue na lista de compras, mas antes de levar os
consumidores perguntam a procedência e procuram marcas diferentes AURÉLIO ALVES, ESPECIAL PARA O POVO
A carne segue na lista de compras, mas antes de levar os consumidores perguntam a procedência e procuram marcas diferentes AURÉLIO ALVES, ESPECIAL PARA O POVO

Irna Cavalcante

irnacavalcante@opovo.com.br

A operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta-feira pela Polícia Federal e que colocou em xeque a qualidade da carne brasileira, ligou o sinal de alerta em muitos consumidores cearenses. Em alguns açougues de Fortaleza, foi registrada redução de 30% no movimento. “Diminuiu um pouco o movimento do final de semana. Mas quando entra, a gente esclarece a procedência da nossa carne e a venda acontece”, afirma o gerente de vendas de um frigorífico, Tarcísio Pedrosa.

Ele explica que a maior parte da carne comercializada no local vem do Tocantins. “A gente já vinha optando por comprar carnes de regiões mais próximas como forma de combater os custos”.

E mesmo quem diz que ainda não sentiu um impacto nas vendas, relata que as perguntas sobre a procedência da carne passaram a ser mais frequentes. “As pessoas passaram a perguntar mais sobre a procedência da carne, o que antes não era muito comum. E se for algum das marcas citadas no esquema, elas não querem levar”, diz a vendedora de um frigorífico, Janete Sampaio.

Ontem, nos supermercados, a carne embalada ainda fazia parte de muitos carrinhos, mas a confiança de muitos consumidores já não era mais a mesma. “A gente fica preocupada, porque quando a gente compra carne embalada, vê o selo e confia. Mas agora não dá mais pra ser assim”, afirmou a bancária Josélia Soares. Ela diz que passou a redobrar os cuidados na hora de escolher os produtos que leva pra casa. “Tenho evitado os embutidos e não compro mais destas marcas”.

Ricardo Mesquita, dono de uma lanchonete, diz que sempre deu preferência por comprar seus insumos em açougues de confiança que trabalham com carne fresca, mas que passou também a comprar em menor quantidade. “A gente fica com pé atrás, qualquer alteração na coloração já não levo. E me preocupo em pedir para moer na hora”.

A professora Imaculada Prado que já consumia pouca carne, pensa em reduzir mais. “Embutidos eu já não comprava desde que vi uma notícia sobre como era feito e agora é que pretendo comer cada vez menos carne vermelha”.

Apesar dos relatos, o presidente da Associação Cearense de Supermercados (Acesu), Gerardo Vieira Albuquerque, ressalta que a operação não trouxe ainda impacto nas vendas. “Não houve redução do consumo, até porque a maioria das carnes que vendemos em Fortaleza não é dos dois frigoríficos citados”. Ele reforça também que as promoções que estão nas gôndolas não são um reflexo deste novo momento. “Até porque as ofertas são programadas, não dá para fazer de um dia para outro”.

Restaurantes

O gerente da churrascaria Sal e Brasa, Diego Tomasi, diz que não houve redução no fluxo de clientes, mas reconhece que esta é uma questão que preocupa. “O movimento neste final de semana permaneceu o mesmo, só a curiosidade dos clientes sobre a procedência da carne que aumentou. Mas não deixa de ser algo que nos demanda atenção, não só em manter o cliente informado sobre a qualidade do nosso produto, mas também do impacto que estas notícias costumam ter sobre o setor, assim como foi na época da doença da vaca louca”.

 

Nestes casos, apostar na transparência da relação com o cliente é fundamental, afirma o diretor geral do restaurante Kina do Feijão Verde, Adriano Costa. “Ainda não deu para sentir uma alteração na frequência, mas a gente procura informar o consumidor sobre quem são nossos fornecedores”.

 

NÚMEROS

 

4,3 bi

de dólares foi a exportação de carne bovina do Brasil no ano passado