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Volume do Castanhão desce ao menor nível da história

Desde 2004, quando encheu pela primeira vez, o Castanhão nunca teve tão pouca água. Governo descarta racionamento este ano, mas 2018 depende de boas chuvas e da transposição do São Francisco

01:30 | 12/08/2017
(Foto: Mateus Dantas)
(Foto: Mateus Dantas)

 

O volume do Castanhão baixou ao menor nível desde que o reservatório encheu pela primeira vez, em 2004. O maior açude do Brasil tinha ontem volume de água correspondente a 4,77% de seu volume total. O reservatório é o principal responsável por abastecer a parte mais populosa do Ceará, que abrange Fortaleza e Região Metropolitana.

 

Entre julho de 2016 e março deste ano, o Castanhão recebeu reforço do açude Orós, segundo maior do Ceará. Antes disso, este último vinha sendo preservado e mantido como reserva estratégica. Quando o Castanhão chegou abaixo de 8%, essa garantia emergencial foi acionada para poupar o açude principal.

Quando o Orós caiu para menos de 10%, o suporte foi suspenso. Hoje, o Castanhão tem pouco mais da metade do volume de água de quando começou a receber o apoio suspenso em março. Já o terceiro maior açude do Ceará, o Banabuiú, armazena menos de 1% da capacidade.

A situação é crítica apesar de os açudes do Estado terem recebido em 2017 o maior aporte de chuvas dos últimos seis anos. O Castanhão foi o que mais ganhou água — mais de 120 milhões de metros cúbicos ao longo do ano. Quantidade insuficiente para compensar o consumo e manter mesmo o nível de antes da quadra chuvosa.

Em fevereiro, quando começa período de maior aporte, o Castanhão tinha 4,96% da capacidade. Chegou a um pico de 6,09% no período chuvoso. Em dois meses e meio, perdeu tudo que recebeu no ano e ainda baixou mais.

Apesar do quadro crítico, o Governo do Estado descarta racionamento na Capital este ano. Segundo o governador Camilo Santana (PT), os prejuízos e problemas da suspensão temporária do serviço para o sistema de abastecimento não compensam. “Faremos o que for necessário para evitar racionamento. Não precisamos fazer (no ano passado) e não vamos precisar fazer neste ano”, afirmou ontem, ao inaugurar a barragem Germinal, em Palmácia.

“A preocupação com o Castanhão nunca deixou de existir. Agora, temos de trabalhar muito bem essa água para que ela dê para todo mundo”, comentou o secretário estadual dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira. Segundo ele, a ideia é intensificar as campanhas pelo uso consciente do recurso, criar alternativas para captação de água para indústria dar continuidade às obras do plano de segurança hídrica.

Conforme Teixeira, há reservas para abastecimento até a próxima quadra chuvosa, no início de 2018. Para o próximo ano, ele espera aporte satisfatório nos açudes e a chegada das águas do São Francisco. “Só assim vamos tomar a decisão do que fazer”. São Francisco

As obras de transposição foram retomadas em junho, após oito meses paradas. Segundo o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, que visitou o Ceará ontem, os trabalhos foram reforçados no trecho entre Cabrobó (PE) e Jati (CE). “A previsão é de que estejamos com água nos primeiros dias de 2018”, disse Barbalho.

 

Saiba mais

Poços direcionais

Como alternativa à crise hídrica, o governador Camilo Santana (PT) deve anunciar no próximo mês o início dos trabalhos para perfuração de poços direcionais no Estado. “Vamos usar essa técnica pela primeira vez no Brasil”, comentou.

 

Técnica

Nesse tipo de poço, o ponto mais profundo da perfuração não fica alinhado verticalmente ao local de perfuração. Assim, o poço faz uma “curva” para desviar de obstáculos no solo e chegar mais facilmente ao reservatório subterrâneo de água.

 

IGOR CAVALCANTE