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No Ceará, 6% de crianças e jovens de 4 a 17 anos estão fora da escola

São mais de 118 mil crianças e adolescentes fora da sala de aula no Estado. Plataforma digital busca mapear estudantes e causas do abandono

01:30 | 10/08/2017

Em todo o Brasil, 2,8 milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos estavam fora da escola, em 2015. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que reúne os dados mais recentes, mostra que, no Ceará, são 118.485 pessoas nessa faixa etária sem estudar — o que representa 6% da população cearense. O Estado é o segundo do Nordeste com menor percentual de jovens em idade escolar fora da sala de aula.

A maior parte dos quase 120 mil jovens fora da escola no Ceará (86.052) tem entre 15 e 17 anos. Isso significa, segundo o levantamento, que pelo menos um em cada seis cearenses na faixa etária estão fora da escola. A nível regional, apenas o Piauí (5,3%) apresenta números melhores do que o Ceará.

Ontem, durante o 16º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, em Fortaleza, foi lançada a plataforma digital Busca Ativa Escolar, que surge com o intuito de reverter ou amenizar esse quadro de jovens longe do sistema educacional.

A plataforma consiste no mapeamento, a partir do trabalho de profissionais como assistentes sociais e agentes de saúde, dessas crianças e jovens e das causas que os levam a não frequentar a escola. Uma vez identificados, eles são incluídos no sistema, e as gestões da Educação nos municípios garantem as matrículas de acordo com os motivos para o abandono.

O Busca Ativa Escolar foi idealizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas) e Instituto Tim.

Mapeamento

Um ponto a se destacar no processo de identificação dos jovens e das causas da evasão escolar é o caráter intersetorial do mapeamento. “Não existe atendimento se não houver integração das políticas públicas. A escola não dá conta de tudo. Essas crianças têm uma história de vida. Cria-se uma rede envolvendo educação, saúde, assistência social, cultura e organizações não governamentais para a garantia de direitos desses jovens”, explicou Vanda Anselmo, presidente do Congemas.

 

Ítalo Dutra, chefe da área de Educação do Unicef no Brasil, enfatizou a busca das causas que levam jovens à exclusão escolar, que variam desde bullying a privações de direitos. “Essa estratégia é para aqueles que estão invisíveis para qualquer política pública. Isso não é uma questão de demanda, mas de garantia de direitos. A gente não está aqui buscando vaga para os que procuram a escola, mas para aqueles em que as famílias não conseguem garantir os direitos às suas crianças”, indicou Ítalo. Conforme ele, mais de 300 municípios do País já aderiram à plataforma.

JOãO MARCELO SENA