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Áreas de dunas ficam de fora da regulamentação do Parque do Cocó

Com decreto assinado amanhã, parque terá 1,5 mil hectare de área protegida. Projeto é questionado por não incluir áreas de dunas na Cidade 2000 e na Praia do Futuro

01:30 | 03/06/2017
Área de dunas é estimada por entidades em 400 hectares. Na foto, trecho que fica na Cidade 2000 FABIO LIMA
Área de dunas é estimada por entidades em 400 hectares. Na foto, trecho que fica na Cidade 2000 FABIO LIMA

Apesar de questionamentos às propostas anteriores, o decreto de regulamentação do Parque do Cocó será assinado amanhã sem incluir áreas de dunas nos bairros Cidade 2000 e Praia do Futuro. 

Enquanto o Governo justifica a exclusão dos trechos pela falta de recursos para desapropriar áreas privadas, integrantes de movimentos em defesa do parque alertam para risco da desproteção dos terrenos, que poderão ficar sujeitos à especulação imobiliária.

A poligonal a ser delimitada inclui apenas terrenos públicos e que serão transferidos da União e da Prefeitura para o Estado. O corredor de dunas teria cerca de 400 hectares de extensão, conforme nota pública assinada por 17 entidades, como Movimento Proparque, Movimento Pró-Árvore e Instituto Verdeluz. A nota questiona a decisão de deixar de fora as propriedades privadas, não protegendo de ameaças de construtoras e ocupações trechos importantes para o ecossistema do rio.

Desde a qualidade da água doce até o clima de Fortaleza, são muitos os riscos em deixar as dunas vulneráveis à degradação, explica o professor Jeovah Meireles, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Com múltiplas funções ecológicas, elas formam reserva natural das águas da chuva e ajudam na condução da brisa marinha e na orientação dos ventos para a Cidade.

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Caso sejam suprimidas, as áreas perdem funções de controle de enchentes e das emissões de dióxido de carbono, cita. Ainda segundo ele, Fortaleza pode ir perdendo espaços de pesquisa científica, educação ambiental, ecoturismo e de contemplação da natureza.

Os trechos em questão têm pouco menos de 300 hectares e estão em Área de Preservação Permanente (APP), conforme o secretário estadual do Meio Ambiente, Artur Bruno. A inclusão foi pensada no início do processo de regulamentação no governo de Camilo Santana. Mas a avaliação foi de que o Estado não teria recursos para desapropriação, pois há proprietários para as áreas de duna. “Claro que a gente pode futuramente pensar em incluir mais áreas. Isso é possível. Neste momento, nosso investimento será demarcar (o parque), cercar, criar condições para o bom uso da população”, acrescenta.

A proteção de 24 quilômetros do rio, diz o secretário, será possível com a criação do parque se estendendo também pelas regiões periféricas, como Passaré e Cajazeiras.

Na solenidade de assinatura, o Governo fará homenagens com a entrega de comendas “Amigos do Parque” para personalidades importantes nos 40 anos de luta para demarcação da área verde. Uma das homenageadas seria a geógrafa Vanda Claudino Sales. Nas redes sociais, ela manifestou publicamente que discorda da retirada das áreas de duna do parque, afirmando ainda que não receberá a comenda.

 

Números

40 anos é o tempo estimado da luta pela demarcação do Cocó

 

1,5 mil hectare será protegido com a demarcação da poligonal

THAíS BRITO