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Será o fim da feira da José Avelino?

Revogada a decisão que garantia a feira, Prefeitura deu continuidade às intervenções no local. Clima entre feirantes era de conformismo

01:30 | 18/05/2017

Obras foram retomadas e paralelepípedos começaram a ser retirados por máquinas ainda ontem FOTOS JULIO CAESAR
Obras foram retomadas e paralelepípedos começaram a ser retirados por máquinas ainda ontem FOTOS JULIO CAESAR

Aliminar que garantia a feira na rua José Avelino caiu e a Prefeitura conseguiu ontem dar continuidade às obras no local onde ocorria o comércio informal. A feira, que tradicionalmente ocorria entre as quartas e quintas-feiras, não chegou a ser realizada na madrugada de hoje, até o fechamento desta edição. Em seu lugar, tratores e caminhões deram continuidade às obras de requalificação no Centro iniciadas na última segunda-feira, 15. Agora, sem o amparo legal da decisão judicial que a garantia, a feira da José Avelino pode ter chegado ao fim.

 

Mais uma vez, manifestantes se organizaram ontem no cruzamento da José Avelino com a avenida Alberto Nepomuceno reivindicando a permanência da feira. Apesar da atmosfera de tensão, não houve conflito entre eles e a Guarda Municipal de Fortaleza. Após a queda da liminar, o conformismo nos feirantes deu a tônica do local enquanto as máquinas retiravam os paralelepípedos do calçamento.

Após cair liminar, clima entre feirantes era de conformismo
Após cair liminar, clima entre feirantes era de conformismo

“Hoje eu vim tirar minhas coisas, pois o galpão fechou. Vim saber se tinha feira, mas disseram que não tem. E o rapaz que guarda diz que tenho que tirar minhas coisas amanhã (hoje), afirmou o feirante Antônio Bernardo, 53, dizendo que pretende voltar a morar na cidade de Acaraú.

“Tudo o que nós construímos até aqui foi proveniente dessa feira. A sensação que nós temos é que estamos lutando com um gigante, um menino de dez anos lutando com um gigante. E um gigante muito bem armado, que é o Estado. Nós não sabemos onde vamos trabalhar, pois o prefeito está dizendo que os galpões estão irregulares”, complementa Cláudio Ribeiro, feirante há dez anos no local.

Um dos objetivos da Prefeitura com as obras de requalificação do Centro é dar solução para a feira da José Avelino, algo que fora tentado em gestões anteriores.

Em visita à Câmara Municipal para dar esclarecimentos sobre a saída dos feirantes, o prefeito Roberto Cláudio (PDT) afirmou que pretende realizar um ‘movimento’ com encontros mensais com comerciantes de rua e moradores para pensar em melhorias para o Centro.

“Eu diria que a centralidade do debate da Cidade sobre patrimônio, espaço público, revitalização que o Centro passa a receber nesse momento não pode se perder após a obra”, afirmou.

“Máfia”

Sobre os protestos dos feirantes nos últimos dias, Roberto Cláudio classificou como “máfia” o grupo de pessoas que organizaram as manifestações contra as obras da Prefeitura.

“É esse o interesse de uma máfia têxtil que funcionou no mercado negro e clandestino por muitos anos e que agora está sendo enfrentando. Essa máfia está usando de argumentos falaciosos pra ludibriar a opinião pública. Os próprios feirantes, realmente feirantes, vão sair mais fortes disso. O mercado do atacarejo vai sair mais forte disso”, defendeu o prefeito. (colaboraram Jéssika Sisnando e Thaís Brito)

Saiba mais

Bem tombado

O pavimento da rua José Avelino, retirado na segunda-feira, 15, pela Prefeitura, será recolocado com a intenção de valorizar a configuração original da rua, diz RC.

Ele acrescentou que as pedras toscas do calçamento estão “sob risco” por estarem sendo usadas pelos manifestantes como “armas de guerra”. As pedras foram deixadas no local. 

Prisões

Segundo o subcomandante do Batalhão de Choque, que se identificou como tenente-coronel Martins, foram apreendidos 20 coquetéis molotov na tarde de ontem na área de manifestações. A equipe recebeu uma denúncia de que na Travessa Boris havia o material explosivo que é constituido de pólvora, estopa e gasolina. Após atear fogo, o material é arremessado.

Pela manhã foram apreendidos rojões, gasolina, coquetéis, madeira com arame farpado e seis pessoas foram conduzidas ao 34º DP (Centro). Segundo o coronel, durante a tarde, não houve confronto. Em um dia de feira, na via, chegavam aproximadamente 100 ônibus, não havia nenhum. A via estava bloqueada desde o Dragão do Mar pela Autarquia Municipal de Trânsito (AMC).

JOãO MARCELO SENA