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Segurança é reforçada, mas ônibus e prédios se tornam alvos de ataques

Novos ataques a ônibus, delegacias e agências bancárias forçam aumento de efetivo policial nas ruas da Cidade

01:30 | 21/04/2017

O dobro dos efetivos do Batalhão de Policiamento de Ronda de Ação Intensiva e Ostensiva (BPRaio) e do Batalhão de Policiamento de Choque (BPChoque) nas ruas, helicópteros sobrevoando a Cidade, reforço policial do Interior para Fortaleza e policiais acompanhando comboios de ônibus. Essas foram as ações realizadas ontem pela 

Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) na tentativa de conter os ataques e restabelecer os serviços de transporte público na Capital.

 

Na quarta-feira, 19, o titular da pasta, André Costa, havia garantido que a situação seria normalizada, mas a Cidade e a Região Metropolitana viveram ontem mais um dia de episódios violentos.

Um ônibus particular em Aquiraz e um veículo de transporte escolar de Itapiúna foram alvo de incêndios criminosos durante a madrugada. Em Fortaleza, foram cinco ônibus incendiados entre as 8h40min e as 12h50min. Coletivos dos bairros Vila Velha, Castelo Branco, Padre Andrade, Canindezinho e Planalto Ayrton Senna tiveram perda total nas ações criminosas.

No Canindezinho, o ônibus da linha Jardim Fluminense foi abordado por uma dupla de suspeitos que lançou um coquetel molotov no veículo. Na ação, o cobrador, que é cadeirante, ficou preso e sofreu queimaduras de 3º grau. Ele segue internado em estado grave no Instituto Doutor José Frota (IJF). O ataque aconteceu em frente à Escola Municipal Jornalista Demócrito Dummar, que teve as aulas suspensas após a ameaça de invasão pelos criminosos. No mesmo bairro, a Escola Profissional Maria José Ferreira Gomes também foi ameaçada de invasão.

Três distritos policiais, duas agências bancárias, a antiga sede da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF) e um carro da Secretaria do Desenvolvimento Agrário também foram alvos de ações criminosas.

Conforme a SSPDS, além dos seis suspeitos cujas capturas foram divulgadas na quarta-feira passada, outras 11 pessoas foram detidas sob suspeita de participação nos ataques. Três pessoas — um adulto e dois adolescentes — foram detidas de posse de galões de gasolina e isqueiro, na Via Expressa.

Terrorismo

Sobre os novos ataques, mesmo com a garantia de que a situação seria normalizada, o secretário André Costa, em entrevista coletiva na sede da SSPDS, negou que tenham havido erros na estratégia de combate aos crimes. “Não é que deu errado. A gente elaborou um plano de ação, agiu; ocorreram alguns ataques, a gente refez o planejamento e, até então, estamos conseguindo manter a situação sob controle. Não temos como estar em todos os lugares”, disse.

 

Costa reafirmou que as transferências de presos nas casas de privação do Estado são uma das linhas de investigação das causas dos ataques. Já o governador Camilo Santana (PT) confirmou, em coletiva no Palácio da Abolição, que líderes de facções foram, esta semana, transferidos do Ceará para presídios federais — o que reforça a tese. Classificando os ataques como “terrorismo”, o governador disse que eles são reflexo do incômodo que “a força da segurança pública” tem causado. “Eles querem reagir e intimidar o Estado. Mas nós não seremos intimidados, não recuaremos para manter a ordem e combater a criminalidade”, salientou.

DOMITILA ANDRADE