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Medo de novos atentados em Fortaleza atrasa retorno à rotina

Fortaleza ainda peleja para voltar à rotina, apesar de um segundo dia com ataques. A frota de ônibus não foi recolhida, mas há registro de linhas que não circularam. Locais de aglomeração registraram vazios

01:30 | 21/04/2017

Ruas do Centro permaneceram esvaziadas ao longo desta quinta; Algumas linhas de ônibus circularam com escolta policial por terminais e ruas da Cidade; Diante de ameça de invasão e ataque à Escola Municipal Jornalista Demócrito Dummar, alunos viveram momentos de pânico e alunas chegaram a desmaiar MATEUS DANTAS
Ruas do Centro permaneceram esvaziadas ao longo desta quinta; Algumas linhas de ônibus circularam com escolta policial por terminais e ruas da Cidade; Diante de ameça de invasão e ataque à Escola Municipal Jornalista Demócrito Dummar, alunos viveram momentos de pânico e alunas chegaram a desmaiar MATEUS DANTAS

Fortaleza viveu ontem o segundo dia seguido de colapso urbano. Mesmo em menor quantidade que os da última quarta-feira, 19, os ataques a ônibus voltaram a fazer com que os moradores sentissem nas ruas a crise nascida dentro dos presídios. Diante do medo do que poderia acontecer ao longo do dia, a Cidade ainda pelejou para voltar à normalidade.

 

Ontem, a frota de ônibus não chegou a ser recolhida, mas, como o Governo do Estado decidiu colocar veículos de algumas linhas para se deslocar em comboio sob escolta policial, ainda não era possível dizer que tudo transcorria dentro da normalidade.

Com a frota nas ruas, as pessoas puderam, pelo menos, ter garantido o direito de saber como iriam se deslocar pela Capital. O funcionamento dos terminais de integração seguiu sem registro de ocorrências. Ainda assim, algumas linhas não circularam ao longo do dia, contrariando nota do Sindiônibus que afirmava o transcorrer normal do serviço. Conforme a instituição, o fluxo de passageiros no transporte coletivo caiu pela metade ontem. Pelas ruas, era perceptível o vazio dos ônibus em relação a dias “normais”.

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Mais do que os transtornos em si, mexeu com a rotina do fortalezense a incerteza quanto a estar na rua. O Centro de Fortaleza teve pouca movimentação. A noite na Praia de Iracema também não teve a frequência esperada para a véspera de um feriado. Uma aflição temperada por boatos que se espalhavam nas redes sociais.

Insegurança

Para quem esteve com os ataques diante dos olhos — e não apenas ficou sabendo deles por meio das redes sociais —, o sentimento de terror e insegurança deu a tônica do dia de ontem. No incêndio a um ônibus no bairro Canindezinho, um cobrador com deficiência física ficou em estado grave ao ter dificuldades para deixar o veículo e sofrer queimaduras de terceiro grau.

 

Próximo dali, as pessoas que frequentam a escola Jornalista Demócrito Dummar viram as aulas suspensas com o incêndio ao ônibus e sofreram a ameaça de ataque se repetir na instituição de ensino. Universidades voltaram a cancelar aulas na noite de ontem temendo também se tornarem alvos de alguma ação criminosa.

Diferentemente da última quarta-feira, ontem, nem só veículos foram alvos de ataques. Como prometido em cartas deixadas em coletivos assinadas pela facção criminosa Guardiões do Estado (GDE), prédios públicos foram atingidos. Durante a madrugada, três delegacias de Polícia e a antiga sede da Guarda Municipal foram alvos de ataques. Da mesma forma que duas agências bancárias foram alvo de coquetéis molotov e disparos de armas de fogo.

JOãO MARCELO SENA