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Ligação de presídio citou possível ataque a ônibus

Inteligência da SSPDS, em interceptação de celulares de detentos, teria ouvido ideia de ataques a terminais

01:30 | 20/04/2017
Uma informação prévia, sugerindo atentados a ônibus em Fortaleza, acabou subestimada. O POVO apurou, junto a fontes de Inteligência, que houve uma ligação telefônica, feita de dentro de uma das CPPLs (em Itaitinga) e interceptada pela Coordenadoria de Inteligência (Coin) da Secretaria da Segurança Pública. Na escuta, captada na última segunda-feira, 17, um detento fez menção a ataques a terminais de transporte coletivo na Capital.

 

A conversa teria passado mais como falatório costumeiro dos presos nos celulares. Ontem, os ônibus foram sendo incendiados ou atacados em sequência nas ruas, sem atingir veículos nos terminais. Nos setores operacionais das polícias Militar e Civil, o diálogo do preso interceptado pela Coin voltou a ser citado nos bastidores, poucas horas depois dos ataques.

O primeiro registro de ônibus incendiado, no Jardim Violeta (Grande Messejana), foi exatamente ao meio-dia, horário confirmada por um dos PMs acionados para a ocorrência. Era a parada dos policiais para almoço. Daí veio a sucessão de fogo ateado ou tentativas de incêndios. No intervalo de duas horas, já eram 12, totalizando 21 veículos atacados até a noite.

Perto das 14 horas, um depósito clandestino de combustível fora descoberto na rua Henrique Saboia, na Praia do Futuro. A PM soube que um grupo de jovens comprou vários galões para transportar gasolina. Ninguém da ocorrência foi preso, mas avaliaram que o estrago poderia ter sido maior.

Os próprios quartéis teriam passado a também temer atentados e reforçaram suas sentinelas. A situação era de alerta máximo. No realinhamento operacional para o dia agitado, a ordem na PM foi deslocar policiais a pé para ampliar a ronda em viaturas. Havia receio de emboscada a guarnições policiais. Na rua, a proteção foi intensificada justamente para o entorno dos terminais. No meio da tarde, a Coin já repassava, reservadamente, que a ordem dos ataques partira dos presídios.

Versão oficial

À noite, na entrevista coletiva à imprensa, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, foi questionado se os órgãos de Segurança e Inteligência falharam no episódio. “Muitas ações são planejadas, e a Inteligência consegue se antecipar e essas ações não acontecem. Mas isso a gente não fica divulgando. Por evitar que aconteça, não é divulgado. Hoje aconteceu um fato que a gente não conseguiu se antecipar, mas vai dizer que é uma falha? Não é. Não tem como se antecipar a toda e qualquer ação. Se fizesse isso, não precisava de polícia na rua, a gente estava resolvendo tudo”. Também ressaltou: “É difícil dizer que houve uma coordenação (dos ataques). Estamos apurando. Se houve, vamos descobrir”. (com Demitri Túlio, Érico Firmo e João Marcelo Sena)

CLáUDIO RIBEIRO