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Os "presentes" celestes de julho

17:00 | 01/07/2017

 

Por Dermeval Carneiro

 

Caros amigos leitores da coluna Visões do Cosmos, neste mês de julho, os amantes da Astronomia terão a oportunidade de observar interessantes objetos astronômicos em duas das principais constelações do mês – as constelações do Escorpião (Latim: Scorpius) e Sagitário (Latim: Sagittarius). Mas, claro, para observá-los, você precisa se afastar das grandes cidades devido à poluição luminosa e torcer para que o céu não esteja nublado.

As constelações do Escorpião e Sagitário, visíveis no céu de julho e também agosto
As constelações do Escorpião e Sagitário, visíveis no céu de julho e também agosto

A partir das 22 horas, as duas constelações estão visíveis, basta olhar na direção do nascente e a pouco mais de dois palmos acima do horizonte. Escorpião e Sagitário estão pouco mais à esquerda (mais ao norte), veja a ilustração 1.

Scorpius é uma constelação impressionante, uma das poucas que claramente lembra o animal que representa. O Escorpião é fácil de reconhecer no céu. Sua cabeça, cauda curvada e o ferrão são proeminentes. No coração do Escorpião reside uma estrela avermelhada. Sua cor se assemelha à de Marte, conhecido pelos gregos como Ares. Antigos astrônomos gregos, contemplando esses dois objetos vermelhos, denominaram de estrela Antares, que significa “rival de Ares”.

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Na constelação do Escorpião, próximo e à direita de Antares, encontra-se um proeminente aglomerado globular, o Messier 4 (M 4).

Aglomerados globulares são conjuntos de estrelas próximas entre si que interagem gravitacionalmente.

O aglomerado globular M4 localizado a oeste de Antares, é um dos mais fáceis de se encontrar com pequenos telescópios. Em boas condições de céu, é visível até mesmo a olho nu. É observado como um aglomerado compacto de estrelas com pouca condensação central e levemente ovalado na direção norte-sul. Pequenos telescópios com 100 mm de diâmetro revelam uma estrutura fina de estrelas e uma espécie de barra central. Instrumentos maiores discernem curvas e linhas formadas por estrelas. Veja foto 2.

Aglomerado globular Messier 4, na constelação do Escorpião. Está a 7.200 anos-luz de nós e possui as mais antigas estrelas conhecidas, segundo os estudos feitos através do HST (Telescópio Espacial Hubble)
Aglomerado globular Messier 4, na constelação do Escorpião. Está a 7.200 anos-luz de nós e possui as mais antigas estrelas conhecidas, segundo os estudos feitos através do HST (Telescópio Espacial Hubble)

Também na constelação do Escorpião, encontra-se a impressionante nebulosa planetária conhecida como Nebulosa do Inseto (NGC 6302), que recebeu esse apelido devido ao formato. Está próxima das estrelas do “ferrão” do escorpião. Quando observada com um telescópio de 20 cm de diâmetro, nota-se como uma pequena formiga azulada, daí o apelido Nebulosa do Inseto.

O centro da nossa galáxia – Via Láctea, fica na direção da constelação de Sagitário “o grande arqueiro”. Esta área do céu está repleta de estrelas, aglomerados globulares, e nebulosas brilhantes e escuras. Procure por Sagitário, encontrando o grupo de estrelas comumente conhecido como o Bule. A alça, superior e bico são fáceis de encontrar. Sob um céu escuro, a Via Láctea parece subir a partir do próprio bico do bule.

Numa rápida varredura com binóculos na constelação do Sagitário, se veem alguns objetos espetaculares. Um deles, a nebulosa de gás e poeira, chamada de Nebulosa da Lagoa, é brilhantemente iluminada pela energia das estrelas quentes e jovens no seu interior. Veja foto 3.

Nebulosa da Lagoa na constelação do Sagitário. Uma nebulosa difusa visível a olho nu como uma pequena nuvem inserida dentro da faixa da Via Láctea que atravessa a constelação
Nebulosa da Lagoa na constelação do Sagitário. Uma nebulosa difusa visível a olho nu como uma pequena nuvem inserida dentro da faixa da Via Láctea que atravessa a constelação

Na mitologia grega, Escorpião refere-se ao monstro que causou a morte do gigante Órion. Em outra versão, seria a criatura que assustou os cavalos de Phaeton (Faetonte) enquanto este dirigia a carruagem do Sol. Scorpius é a constelação mais proeminente do verão no hemisfério norte (inverno no hemisfério sul). Para os persas era Akrab ou Kazhdum, um escorpião monstruoso. Uzun Koiruhgi para os turcos significando “O de longa cauda”. Os antigos acadianos nomeavam de Girtab, o ferrão. Antigamente as estrelas da constelação de Libra pertenciam ao Escorpião. Os mesopotâmios e fenícios representavam a constelação como um meio homem e meio escorpião, uma divindade que protegia contra os ataques do animal. Também é representado no zodíaco de Denderá. Era chamado de Selket, uma das manifestações da deusa Isis. Acredita-se que os templos de Corinto e de Apollo em Delfos se orientavam pela estrela Antares.

Já Sagittarius foi identificado como o deus Nergal para os babilônios. Na mitologia grega referia-se a um centauro, ser mítico meio homem e meio cavalo. Para algumas versões do mito, Sagittarius seria o centauro Chiron (ou Quíron), filho de Philyra e Cronos. Foi o professor de vários heróis gregos como Hércules. Era o único centauro civilizado.

CHUVA DE METEOROS EM JULHO

Os picos anuais da chuva de meteoros Delta Aquaridas ocorrem na noite de 28-29 julho. Preste atenção para os meteoros que irradiam do sudeste depois da meia-noite. Pode-se ver até 20 pequenos meteoros amarelados por hora.