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Lula entrega transposição

17:00 | 18/03/2017

Os ex-presidentes Lula e Dilma, além do ex-ministro da Integração, Ciro Gomes, estarão juntos hoje, na cidade de Monteiro, na Paraíba, para inaugurar, legitimamente, o trecho leste da Transposição do Rio São Francisco, cuja paternidade Michel Temer tentou também usurpar, na semana passada. Dilma vem de uma viagem exitosa à Europa, onde foi, à convite, explicar o que se passa no Brasil, como foi perpetrado o golpe e como se intensifica a perseguição a Lula, à medida de seu crescimento nas pesquisas eleitorais. Foi muito aplaudida e acolhida com todo carinho. Lula, depois de imensas dificuldades e sabotagens (inclusive um golpe de permeio), consegue finalmente entregar o primeiro trecho da maior obra estruturante da história do País, que havia prometido aos nordestinos. MESQUINHARIA Jamais um governo antipovo e voltado para os ricos, como o atual, realizaria uma obra como essa (considerada “desperdício” pelos neoliberais). A obra só poderia ser feita mesmo por quem tem compromisso com a inclusão social e a integração nacional. Foi para acabar com esse tipo de modelo econômico desenvolvimentista, nacional e inclusivo, que o golpe do impeachment foi dado, segundo ponderáveis analistas. Impotentes diante do reconhecimento dos nordestinos a Lula, os usurpadores praticam mesquinharias, como o adiamento da conclusão do pequeno trecho, inconcluso, que beneficia o Ceará. Mas, com isso, só fazem dar um tiro no pé.

REFORMAS ILEGÍTIMAS O povo brasileiro, em manifestações massivas, foi às ruas para dizer claramente não à proposta de reforma da previdência social e das leis trabalhistas apresentadas pelo atual governo, ao qual repudiaram com os gritos “Fora, Temer! ”. As pessoas podem até aceitar alguma adequação, aqui e ali, mas, nada que signifique reduzir conquistas obtidas após uma longa história de lutas e sofrimento. Ademais, não reconhecem nos ocupantes atuais do Planalto autoridade legítima para isso. Nem aos empresários, o monopólio do desenho das reformas. Falando no ato promovido na Avenida Paulista, pelas centrais sindicais, contra as reformas, o ex-presidente Lula colocou o dedo na ferida: “O golpe [do impeachment] não foi contra a Dilma. Foi para colocar no poder alguém sem legitimidade, para acabar com direitos que  levaram décadas para serem conquistados”.

FICHA CAIU A ficha da população trabalhadora e da classe média caiu ao perceberem que o discurso anticorrupção, utilizado para derrubar Dilma, foi um “conto de vigário” usado para proteger os verdadeiros corruptos – que estão hoje encastelados no poder – e uma “cortina de fumaça” para mudar o modelo econômico desenvolvimentista e colocar em seu lugar outro, destinado a favorecer os ricos, podar direitos trabalhistas e previdenciários e entregar o patrimônio nacional aos interesses estrangeiros. Os promotores da reviravolta jamais conseguiriam isso através de eleições. Obtido o poder, ilegitimamente, começaram a desmontar tudo o que foi conquistado em favor do povo, em 13 anos de governos progressistas. TRAIÇÃO Primeiro, iniciaram a privatização da Petrobras, aos pedaços, e à toda pressa, passando por cima da lei e sem consulta à sociedade. Seguiu-se a entrega do pré-sal às multinacionais estrangeiras. Logo se voltaram contra as conquistas sociais, congelando por 20 anos os recursos destinados à Educação e Saúde, para favorecer o ensino privado e os planos de saúde privados, estes em detrimento do SUS. Em seguida, deixaram minguar os programas sociais, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida; Luz Para Todos, Fies; Pronatec e muitos outros. Agora, partem para o corte de aposentadorias e benefícios previdenciários, eliminação da CLT e redução de direitos e garantias dos trabalhadores, intensificação da terceirização do trabalho e outras aberrações. Tudo para favorecer o patronato, os bancos privados, inviabilizar os bancos públicos e atender aos interesses estrangeiros. JOGO POLÍTICO Ao lado do diversionismo em torno da “lista de Janot”, chama atenção a movimentação ostensiva do ministro Gilmar Mendes, do STF, e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TST), visto em colóquios e jantares com a cúpula do governo e dos tucanos (quando quase todos serão julgados por ele). Quanto mais a Justiça aparenta intrometer-se no grande jogo político (outros preferem qualificá-lo de miúdo), mais as instituições democráticas se fragilizam e o descrédito avança sobre a democracia. O povo não é bobo, ao ver que enquanto Lula - com um processo aparentemente raquítico, em termos de provas - sofre um verdadeiro encarniçamento investigatório (que ele denunciou como “massacre”), outros, com provas robustíssimas, dançam ao ritmo de valsa vienense – segundo a feliz expressão de um articulista. Isso não pode terminar bem. Por isso, o primeiro depoimento de Lula como réu da Lava Jato serviu para a abertura de olhos de muita gente. O juiz não era Moro. Para quem quiser ver o vídeo do depoimento: http://bit.do/dicY2.

VALDEMAR MENEZES