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Tic-tac

01:30 | 13/04/2017

O FUTEBOL QUE ERA BONITO DE SE VER

Relendo o livro de Eduardo Galeano, Futebol ao Sol e à Sombra, detenho-me nas confissões do autor e dou vagas à imaginação quando ele diz ser um mendigo andando pelos estádios. Chapéu na mão suplicando: “Uma linda jogada, pelo amor de Deus”!

Não! Não estou com saudosismos. Do Botafogo de Garrincha, Nilton Santos, Amarildo e Didi. Do Santos de Pelé, Coutinho e Carlos Alberto. Do Palmeiras de Dudu, Ademir da Guia, Leivinha e Luís Pereira. Do Cruzeiro de Zé Carlos, Tostão e Dirceu Lopes.

E vou me lembrando dos fora de série que vi. Dos argentinos Sivori, Riquelme e Maradona. O ataque argentino do River Plate de botões que herdei do meu pai: Muñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Lostau. O Real Madrid de Di Stefano, Puskas, Kopa e Gento.

Enfim, me entendo! Estou com saudades do Barcelona. Aquele extraordinário time de futebol com seu futebol ofensivo, generoso, bailado, apoiado num jogo coletivo de alternância de posições e funções, que lhe dava a posse de bola no maior período de tempo.

Não importava aonde e nem contra quem iria jogar. Mal começava a partida, ele tentava decidir, fazendo o maior número de gols possíveis. Propondo o jogo, e, ao perder a posse da bola, não ia para a retranca esperar uma bola para se lançar num contra ataque e vencer o jogo.

Diferente de todas as equipes que recuam para trás da linha da bola o Barcelona, ganhando ou perdendo, avançava sua equipe para dentro do campo do adversário. A lógica é simples, mas pouca utilizada. Se tomar a bola está muito mais perto da finalização.

Para eles, não bastava alcançar os resultados. Era necessário dar espetáculo. Ganhar bem e jogar melhor ainda. Três extraordinários jogadores de meio campo ditavam o ritmo. Sérgio Busquets, Xavi e Iniesta. O time trocava tantos passes que foi chamado de tic-tac.

Messi era quem fazia os gols. Com a saída de Xavi e a queda de condição física de Iniesta, o meio do campo perdeu o brilho. Continuo dando asas à imaginação. Quando o Barcelona entrava em campo, nosso escritor tirava o chapéu e reverenciava: Enfim o futebol!

Quando o Barcelona entrava em campo, nosso escritor tirava o chapéu e reverenciava: Enfim o futebol! 

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