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Os especiais

01:30 | 09/02/2017
JOGADORES DA DÉCADA DE 1970

Sentado numa mesa de bar com amigos, ouço e não respondo o arquiteto e colunista do O POVO Romeu Duarte: “Escreva um livro sobre a geração de jogadores da década de 70”. Com os olhos marejados completou: “Foi a melhor geração que vi jogar”.

Vez por outra lembro da sugestão do Romeu e fico pensando em como desenvolvê-la. Dúvidas! Que tal começar pelos goleiros? Futebol: Ópio do povo? Já sei! Consulto o Mestre, meu guru da Beira Mar. Ele, rápido no gatilho: “Zé Eduardo, Amilton Melo e Artur”.

Amilton Melo poderia ser chamado de O Drible e O Chute. Driblava e chutava ora com a perna direita, ora com a perna esquerda. Seus dribles consistiam sempre num corte curto para dentro, e dali, com a bola colada no corpo, o chute firme em direção à meta. Aliado a essa condição técnica, a força, a velocidade e o equilíbrio, o que o tornava diferenciado na sua época. A alternância de direção com a bola dominada, as paradas bruscas e as saídas rápidas iludiam o adversário, que ficava sem saber para onde ele ia.

Zé Eduardo era um bailarino. Tinha uma jogada que era sua marca registrada. Quando recebia um passe longo pelo alto não controlava a bola no peito. Imaginava a distância necessária, afastava o corpo, estendia a perna abrindo um compasso de uns setenta graus. Ato contínuo. Controlava a bola numa região indefinida entre o calcanhar e os dedos do pé. Ficava milésimos de segundo nessa posição, talvez o tempo suficiente para tirar uma foto e depois, com a bola colada no pé, trazia-a para chão. Jogada única no futebol mundial.

Artur era alto, forte e dominava os fundamentos e a tática. Era um coringa e jogava em qualquer posição. Quando eu estava saindo do Botafogo ele estava sendo contratado a pedido do Zagallo. Com menos de uma semana passou a ser titular da quarta zaga.

Quando Marinho, lateral esquerdo, saía para o apoio e a bola era lançada nas suas costas lá estava o Artur desarmando o adversário com um drible. João Saldanha, o mais famoso comentarista esportivo do Brasil, da cabine vibrava no microfone: “Eta! Craque Pai D’Égua”.

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