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A Prosa e a poesia

01:30 | 26/01/2017
O PAPEL DA TÁTICA

Antigamente, a presença do técnico à frente da equipe não era considerada tão importante. Os técnicos eram sempre discretos e o maior exemplo disso foi a nossa primeira conquista mundial em 1958. Dizia-se que o técnico da seleção Vicente Feola cochilava no banco.

Outro técnico bem sucedido foi o Lula, que nunca foi objeto de atenção da imprensa e permanecia praticamente invisível durante todas as partidas. Comandou o Santos Futebol Clube que encantou o mundo de meados dos anos 1950 até o final dos anos 1960 e conquistou todos os títulos possíveis.

Aliás, caros torcedores, sempre que se escreve ou se fala sobre o Santos tem que se tirar o chapéu. Doval, Coutinho, Joel, Haroldo, Lima, Mengálvio, Carlos Alberto, Pelé, Edu, todos negros e vestidos de branco da cabeça aos pés. Minto! As chuteiras eram pretas, pois naquele tempo não tinha chuteira colorida.

Os jogos internacionais do Santos eram sempre no Maracanã e lá vi coisas que nunca esqueci. Era pivete e teve uma partida contra o River Plate debaixo de uma chuva intermitente. O Santos dava um baile de bola e vencia por 2 a 0 quando o árbitro trilou o apito encerrando o primeiro tempo.

Estava na geral e dei um pique para ver os jogadores entrarem no vestiário. Fiquei ali olhando espantado. Mesmo num gramado molhado o tempo todo pela chuva os uniformes brancos continuavam impecáveis e sem nenhum vestígio de lama. Eram bailarinos e jogavam por música.

Hoje em dia, com a sistematização do futebol, o técnico passou a ser a mais importante figura da equipe. Não é por acaso que após as partidas eles são entrevistados para explicarem o sistema tático utilizado e as alterações que porventura tenham acontecido e influenciado no resultado.

No Clássico-Rei de domingo passado, o técnico do Fortaleza Hemerson Maria, reconhecendo algumas deficiências de sua equipe, ainda em formação, organizou um sistema defensivo quase intransponível na esperança de que marcasse um gol num contra-ataque.

A tática foi tão visível que a eficiência do sistema defensivo do Fortaleza foi reconhecida pelo técnico adversário Dal Pozzo, do Ceará.

Passou o tempo em que os jogadores se destacavam pela individualidade. Num futebol sistematizado a tática fala mais alto.

Hemerson Maria, reconhecendo algumas deficiências de sua equipe, ainda em formação, organizou um sistema defensivo quase intransponível

Por Sérgio Redes