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Uma questão que volta

17:00 | 17/06/2017

Algumas questões abordadas neste espaço tendem a se repetir sem que se tome uma providência eficiente para evitá-las. Por exemplo, nos últimos dias, o fenômeno da publicação de fotos iguais e matérias idênticas se multiplicou. Durante a semana que passou, recebi mensagem falando sobre uma dessas replicações inexplicáveis que ocorreram no O POVO. “Serei breve: no domingo (4/6), o segundo caderno reproduz em duas páginas quase todas as fotografias da Festa da Indústria que já haviam saído no People do mesmo dia”. O leitor estava certo. As fotos publicadas nas páginas 28 e 29 do desdobramento eram as mesmas editadas no People (páginas 8 e 9). O texto de abre também. As legendas são praticamente iguais. Eu procurei algo que justificasse a repetição das páginas, mas não encontrei. Se as duas primeiras eram informe publicitário, não estava indicado. Mesmo que fosse, não poderia usar o mesmo projeto gráfico do O POVO, pois é vetado no Guia de Redação e Estilo, que informa: “O POVO não aceita qualquer informe publicitário que apresente cópia ou semelhança com o projeto gráfico do jornal, para impedir a confusão no leitor entre espaço publicitário e espaço editorial”. Ficou esquisito demais. Para piorar, as páginas com as fotos repetidas foram publicadas menos de um mês após a crítica que teci neste espaço sobre a repetição de fotos (“Uso excessivo de imagem gera desconfiança”). O fenômeno não parou nas fotos repetidas. Sete dias após o episódio apontado pelo leitor, textos iguais voltaram a aparecer em editorias diferentes. A informação de que a empresa Natura havia comprando a rede de cosméticos inglesa The Body Shop, por exemplo, resultou em dois conteúdos na mesma edição: uma nota Breves na página 26 de Economia e uma matéria secundária na Radar, página 14. Não ficou nestas duas. Na terça-feira passada (13/6), uma nota semelhante foi editada na coluna Adriano Nogueira sem que nada acrescentasse aos textos anteriores. Além disso, informava que a compra teria sido anunciada no dia anterior (segunda-feira), quando, desde sábado, a notícia já havia sido publicada no O POVO. Em casos assim, as colunas até podem se referir ao mesmo tema, porém precisam acrescentar dados diferenciados. Foi um vexame. Na segunda-feira passada, dois dias depois da publicação da notícia replicada sobre a Natura, conteúdo que informava da tentativa de assalto a um policial foi publicado na editoria Cotidiano. O mesmo texto havia aparecido na página 2 do 2° clichê do dia anterior. Também houve parágrafos que se repetiram em matérias distintas na edição de segunda-feira. A matéria na editoria Política “Temer enfrenta série de batalhas no Congresso” repetiu um trecho inteiro do conteúdo publicado em Radar “Futuro do PSDB está em jogo”. 

 

Para estabelecer contextos, matérias podem fazer referências a assuntos de outros textos em uma mesma edição. O que não deve é copiar o parágrafo inteiro, pois fica cansativo e relega a novidade. Repetição de notícias parece um problema sem solução por aqui.

INFORMAÇÃO INADEQUADA EM REDES SOCIAIS “Audiência pela audiência?”, perguntava um usuário ao enviar para a ouvidoria uma imagem da capa do Portal que, no canal Blogs e Colunas, destacava a seguinte informação do blog Vai, Forrozão: “Carlinhos Vidente diz que Wesley Safadão poderá sofrer acidente”. Tão logo fui alertada pelo leitor sobre o teor da ‘notícia’ destacada na capa, verifiquei que ela estava reproduzida no Facebook do O POVO. A postagem na rede social conseguiu 2,5 mil reações e 952 comentários. Chamou atenção, no entanto, a quantidade de frases que discordavam da publicação. Uma foi ao ponto ao deixar um comentário irônico: “O POVO Online. ‘Missão: contribuir para o crescimento do Ceará estimulando a consciência crítica e buscando o sucesso empresarial. Nossos valores são amor, responsabilidade, criatividade, sinergia, lealdade e respeito.” Ela tem razão. Uma empresa de comunicação que tem entre seus valores a ‘responsabilidade’ e que deseja contribuir para a consciência crítica não pode ficar postando informação deste nível em suas redes sociais. Entendo que hoje em dia falar em celebridade gera engajamento, mas é preciso filtrar o que deve estar restritos aos blogs e o que deve constar nas redes sociais do grupo. Melhor que ter engajamento a qualquer custo é manter a credibilidade.

 

COBERTURA EFICIENTE Um dos bons momentos da semana que passou foi a matéria publicada na edição de quarta-feira passada (14/6) sobre desdobramento da Operação Expresso 150, que investiga suspeita de venda de decisões judiciais envolvendo membros da Justiça e advogados. A matéria publicada na editoria Política resultou na manchete do O POVO daquele dia (ver fac-símile). Por causa da importância do assunto, o Diário do Nordeste e O Estado também trouxeram o tema como cardápio principal do dia. No O POVO, a cobertura contava com um diferencial: foi o único dos três jornais que publicou o nome dos dois juízes que foram atingidos pela operação no dia anterior. Além disso, fez uma contextualização eficiente ao lembrar as etapas da operação, situando os leitores. Conseguiu ainda fazer uma ambientação do dia no Fórum Clóvis Bevilácqua. Foi eficiente.  

PARA ACIONAR A OMBUDSMAN Os leitores das diversas plataformas do O POVO podem entrar em contato com a ouvidoria pelo WhatsApp (85) 988 93 98 07; por email (ombudsman@opovo.com.br) ou telefone fixo (3255 6181). O leitor pode ainda visitar a ombudsman se necessário. Basta ligar e agendar.

 

Por Tânia Alves