PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

A hora dos pacientes

17:00 | 12/08/2017

Tenho repetido em meus textos a seguinte sentença: o desenho do quadro político estadual relacionado às eleições de 2018 vai esperar a configuração do cenário nacional, com suas alianças e chapas para a disputa presidencial. Portanto, é improvável que se multipliquem as incoerências tão comuns como na fase em que o PT e seus satélites mantinham a hegemonia da política brasileira. O conjunto de circunstâncias que se impôs do País após o impeachment de Dilma Rousseff aponta para a verticalização das alianças. Ou seja, as alianças nacionais tendem a se reproduzir nos estados. Melhor que seja assim. Uma nitidez que é importante para que os eleitores tenham clareza quanto aos lados em disputa. Essa condicionante vai ter mais força principalmente junto aos partidos de tamanho médio para grande. Os pequenos ajuntamentos partidários talvez ganhem mais liberdade para fazer funcionar os balcões que, no fundo, justificam suas existências. No mais, é razoável que se espere os pontos da reforma política capenga que está em discussão na Câmara dos Deputados. Ninguém vai fazer movimentos decisivos antes dos textos legais que possivelmente saiam dessa tramitação. Como sempre, nessas horas, acaba pesando arremedos de mudanças que mais servem para garantir o futuro de quem já é dono de um mandato parlamentar. A POLÍTICA NÃO TOLERA O VÁCUO A política não tolera vácuos. E os políticos não gostam de ser surpreendidos. Expectativas geradas pela espera do desenho das leis que vão vigorar nas eleições de 2018 não faz nem a política e nem os políticos esperarem. Portanto, estão em pleno andamento as conversas de bastidores. As peças no tabuleiro de xadrez começam a ser pacientemente mexidas. Vejam, por exemplo, o caso do deputado estadual Heitor Férrer, que foi politicamente enxotado do PDT, migrou para o PSB e agora está praticamente sendo obrigado a sair da sigla. Afinal, o partido tende a ficar com o grupo político dos Ferreira Gomes. Portanto, o deputado estava sendo jogado no isolamento, que é o lugar da “morte” para o político. Para surpresa de muitos, Heitor Férrer despontou no noticiário da última sexta-feira como o primeiro político a defender abertamente a candidatura do executivo Geraldo Luciano, o “sonho tucano” para o Governo do Ceará. O furo foi dato pelo Blog Política, do O POVO, com a assinatura do repórter Wagner Mendes. Notem que a propalada candidatura é apenas uma possibilidade que vem sendo silenciosamente conduzida pelo senador Tasso Jereissati (PSDB). O próprio Geraldo não trata do tema. Se perguntarem algo a respeito, dirá que continua onde está. Ou seja, exercendo seu papel como diretor da empresa cearense de massas e biscoitos que se tornou líder na América Latina. Porém, o experiente Heitor soube farejar os acontecimentos. Há tempos que Tasso fala em renovação. Há tempos que as pesquisas sugerem que um nome oriundo de fora da política tradicional vai ao encontro do desejo de grande fatia de eleitores. Atentem para outro fato: Heitor não tem perdido oportunidade de elogiar a trajetória de Tasso. Pelo visto, o deputado encontrou um lugar instigante para se posicionar. BALANÇO O tal “distritão” aprovado na Comissão da Reforma Política é um prato cheio para candidatos muito conhecidos, artistas, radialistas de grande audiência e representantes de corporações, como as policiais militares. Mais ainda em um sistema que não permite financiamento privado das campanhas. Por outro lado, é uma péssima ideia para um país que precisa de um sistema partidário respeitável. O modo de diminuir o impacto negativo da proposta é aprovar também a cláusula de desempenho. O alento dentro do conjunto que até aqui foi aprovado (ainda de forma não definitiva) é o voto distrital misto a partir de 2022.

OLHAR ADIANTE O prefeito Roberto Cláudio (PDT) foi rápido na sanção da Lei de Uso e Ocupação do Solo aprovada pelos vereadores na última quarta-feira. É um sistema complexo que, entre muitos outros pontos, tem como um de seus fundamentos criar melhores condições para o surgimento de projetos imobiliários e, o que é muito louvável, conceder segurança jurídica aos pequenos negócios que já funcionam há muitos anos em vias que eram consideradas inadequadas. A Luos foi sábia também quando entendeu que não precisava ampliar salvaguardas radicais nas áreas adjacentes ao Parque do Cocó, cujos 1.500 hectares transformam a área no maior parque ecológico urbano do mundo. VALOR HISTÓRICO Em seu editorial da última quinta-feira, que comemorou as 30 mil edições do jornal que nasceu em janeiro de 1928, O POVO fez também uma autocrítica de grande importância histórica. Leiam: “Em 30 mil edições, muito mais acertos do que erros. Porém, um erro em especial, merece ser abordado com o humilde tom da autocrítica. Durante a ditadura militar que se instalou com o golpe de 1964, o jornal deveria ter atuado de forma dura contra as arbitrariedades. Infelizmente, as circunstâncias de então conduziram as páginas do O POVO a um inadequado exercício de tolerância para com a ditadura”. HORA H Deu no O POVO Online: “Ciro Gomes (PDT-CE) declarou ter confiança de que poderá ser o vencedor na disputa pelo Palácio do Planalto. Em um bate-papo no canal ‘Ultrajano’, no YouTube, apresentado pelo jornalista ex-ESPN, José Trajano, Ciro afirmou que a eleição de 2018 ‘está para mim’. Ele ainda disse que, embora pareça arrogante, não é. Bom, já teve um momento em que a eleição presidencial estava nas mãos de Ciro, que a deixou escorregar pelos dedos. Foi em 2002, quando se colocou como a referência contra Lula e contra José Serra. Porém, no meio do caminho, Ciro se dedicou a errar na campanha. Para muitos, praticou autoboicote.

FáBIO CAMPOS