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Leandra e as divas

01:30 | 16/06/2017

 

Rogéria, Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Fujika de Halliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios. Estas oito artistas, ícones da primeira geração de travestis no Brasil dos anos 1960, são as protagonistas do filme Divinas Divas, que entra em circuito nacional na próxima quinta-feira, dia 22. Estreia de Leandra Leal na direção, o documentário conquistou prêmios importantes e trouxe para os holofotes a vida pessoal, a carreira e os dramas das oito atrizes e cantoras que lhe dão nome. Nesta entrevista exclusiva à Cena G, Leandra Leal fala sobre o processo de realização e porque Divinas Divas é um filme necessário para o Brasil de hoje. A íntegra você confere no Blog do Maranhão.

O POVO – Como surgiu a ideia de fazer o Divinas Divas?

Leandra Leal – Cara, eu nem sei direito dizer como surgiu essa ideia. Na verdade, eu estava procurando algum projeto para dirigir, eu acho que eu sempre tive esse desejo, e o Divinas Divas mostrou algo que pudesse ser isso, acabou dando vazão para esse sentimento. Quando o (teatro) Rival fez 70 anos, há 13 anos, a minha mãe (a atriz Ângela Leal) as convidou para realizar um espetáculo, que é o Divinas Divas. E eu vendo esse espetáculo, o processo dele, fiquei muito encantada com a força delas em cena. Aí eu comecei a conversar com elas, a procurar conhecer mais a história de cada uma... Isso foi em 2004, até que em 2008 eu decidi fazer um filme, um documentário, mas durante esses quatro anos eu fiquei meio sem saber o que seria, se seria uma série... Até que eu entendi qual era o formato do filme.

OP –Como foi a reação delas ao se verem na tela?

Leandra – Elas gostaram. Senão, eu não estaria viva (risos).

OP – O que foi mais difícil no processo de realização?

Leandra – A captação (de recursos), sem dúvida nenhuma. Divinas Divas toca em temas que são tabus ainda, no Brasil: gênero e velhice. Então, foi super difícil. A gente teve o apoio do Canal Brasil, logo de cara, o que foi bacana. Mas teve muita recusa. Aí, acabou que a gente fez um crowdfunding, para a filmagem do espetáculo. Para a montagem do espetáculo a gente ganhou um edital de show e teatro, porque era um espetáculo comemorativo de 50 anos de carreira delas, e acabou ficando em cartaz no Rival. Então, para a filmagem a gente fez um crowdfunding e depois a gente ganhou um edital do Minc para documentário, que foi o que permitiu finalizar o filme.

OP – Na perspectiva subjetiva, sentimental, qual foi a sua maior dificuldade?

Leandra –A montagem foi um processo longo também, foram dois anos e meio. Eu tinha bastante material... É muito difícil também realizar um documentário sobre oito personagens, cada personagem daria um filme sozinho. Então, foi muito difícil, foi trabalhoso chegar na pequena parte de cada uma que representava o todo.Ao mesmo tempo montar um mosaico geracional delas todas, dar um contexto histórico, entender o fluxo narrativo do filme... Foi difícil. A montagem foi um pedaço penoso. Mas montar um filme é maravilhoso também! São infinitas possibilidades, o que pode ser assustador, mas ao mesmo tempo te obriga muito a se conectar com o que você quer.

OP –Qual a sua expectativa para a estreia do filme?

Leandra – Eu espero que o filme seja visto, que ele contribua para o debate atual. Eu acho que o filme é lançado num momento em que ele é importante nessa escalada de ódio que a gente vive, de preconceito, de intolerância. Elas estrearam durante a ditadura, num momento em que o governo as proibia de sair na rua da forma como elas queriam sair, como mulheres, mas ao mesmo tempo elas tinham um espaço nos teatros muito maior do que têm hoje. Então, isso demonstra também como a sociedade se rendeu a essa onda conservadora, encaretou de certa forma. E o Brasil é o País onde se mata mais trans e travestis no mundo. Então, acho que é um filme que pode contribuir para esse debate. Não é um filme sobre travestis, é um filme sobre oito artistas, mas que são pioneiras nessa primeira geração de artistas travestis. E as apresenta de uma forma humana, complexa, que eu espero que as pessoas se identifiquem. É um filme que foi muito abraçado pela comunidade LGBT, mas eu espero que ele transcenda. Porque eu acho que para quem não faz parte deste debate ele pode ser muito enriquecedor.

OP – Você diria que é um filme necessário?

Leandra – Nesse momento atual, que a gente está tão intolerante, é importante que a gente olhe para nossa história, reconheça elas e tantos outros. E principalmente porque tem uma beleza... São oito pessoas que tiveram a coragem de ser o que eram em cena e fora de cena.Para mim, a principal lição do filme é isso, é você ter a coragem de viver de acordo com seu sonho. E você respeitar isso no outro, o sonho de cada um. E eu acho que isso pode fazer com que pessoas que não têm o mínimo contato com esse meio se identifiquem e olhem diferente para o outro.

ANITTA EM FORTALEZA

Já está à venda o primeiro lote de ingressos para o show que a cantora Anitta fará na capital cearense no dia 24 de setembro, no estacionamento do shopping RioMar Fortaleza. Ingressos para pista custam R$ 45 (meia) e R$ 90 (inteira); para o frontstage, R$ 80 (meia) e R$ 160 (inteira); e para o camarote (com direito a quatro doses de vodca ou quatro cervejas), R e R$ 240. O evento é promovido pela Planner Eventos e Boate Level e os ingressos estão à venda através do site www.sympla.com.br.

A PARADA DE SAMPA

Já a 21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, considerada a maior do mundo, acontece neste domingo, dia 18, com concentração a partir das 10hs, na Avenida Paulista. O slogan deste ano é “Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei! Todos e todas por um Estado laico!”.

A Parada de São Paulo ocorre tradicionalmente no final do feriadão de Corpus Christi, o que permite um maior fluxo de turistas participando do evento. As cantoras Anitta e Daniela Mercury puxarão trios elétricos ao longo do percurso, que tem 3,4km.

Neste ano, a rede de hoteis Accor, que reúne as bandeiras Ibis e Mercure, entre outras, preparou uma série de ações especiais para celebrar a Parada de SP, que vão desde tarifas com preços promocionais para este fim de semana até happy hours, decoração temática e shows de drag queens.

Mas ela não foi a única empresa a aderir à causa. O Twitter lançou um emoji em homenagem à Parada. Para utilizar o emoji, que traz a bandeira arco-íris, basta publicar Tweets com a hashtag #ParadaSP.

A marca de salgadinhos Doritos lançou uma edição Rainbow, com as tortilhas coloridas e uma embalagem que estampa um arco-íris. E a cervejaria Skol, patrocinadora oficial da Parada de São Paulo, lançou uma edição especial de sua lata 269ml, que traz sua conhecida seta-logo vestida com as cores da bandeira LGBT, além de uma versão inédita do Skol Beats, a Rainbow Frozen, que também traz as cores da bandeira LGBT.

COM ORGULHO

A Levi’s lançou nesta semana a quarta etapa de sua edição limitada Pride Collection. O objetivo da coleção deste ano é transmitir comprometimento com a luta e proteção dos direitos da comunidade LGBT e sua mensagem serve como um lembrete para a igualdade em qualquer situação. Por isso mesmo, a coleção é unissex e conta com camisetas, jaqueta e shorts, que podem ser comprados no site da marca (www.levi.com.br/Pride-Collection). Todo o lucro obtido com a coleção beneficiará duas organizações LGBT parceiras da empresa – a Harvey Milk Foundation e a Stonewall Community Foundation. E recentemente, a Levi’s anunciou que a Transgender Law Center será uma das organizações que receberão uma parte dos U$ 1 milhão de dólares de doação para ajudar a grupos marginalizados. Abaloww!!!

A PARADA DAQUI

No domingo da próxima semana, dia 25, a 18ª Parada pela Diversidade Sexual do Ceará ganhará a avenida Beira Mar, em Fortaleza. A programação oficial começa já nesta segunda-feira, dia 19, com a abertura da Semana de Sensibilização, Conscientização e Visibilidade Positiva da População LGBT nas escolas da rede municipal de ensino.

No dia 21, próxima quarta-feira, ocorre o Seminário Oficial da 18ª Parada e a abertura da exposição fotográfica 18 anos da Parada pela Diversidade Sexual do Ceará. Ambos os eventos serão no Teatro Sesc Emiliano Queiroz (Av. Duque de Caxias, 1.701, Centro), das 18h às 22h.

Na próxima sexta-feira, 23, é dia de Balcão da Cidadania LGBT na Praça do Ferreira, das 8h às 14 horas. A ação da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual de Fortaleza oferecerá serviços como emissão de documentos, informações sobre os direitos humanos, vacinação etc.

Nos dias 23 e 24, sexta e sábado, a Praça do Ferreira recebe a Feira Empreendedora LGBT, das 8h às 18 horas. No mesmo local, na noite de sábado (24), rola o Ato Show alusivo ao 28 de Junho, Dia Internacional do Orgulho Gay. As atrações do show ainda não foram definidas.

 

PETHIT NA WHAT ELSE

O cantor e ator Thiago Pethit, darling & bad boy da nova cena musical brasileira, está na capa e na entrevista da edição de junho da revista eletrônica What Else Mag, que tem como foco o universo masculino. Pethit inaugura nova fase da revista, que a partir de agora convida mensalmente homens que se destacam em seus ramos de atuação para estrelar o editorial de capa.Na entrevista, o moço revela novidades da sua carreira, conta sobre a sua relação com a moda e o que tem feito o seu coração acelerar. Para conferir: http://whatelsemag.com/editorial-thiago-pethit/

 

FESTAS DO FIMDE

1 Hoje, sexta-feira, o California Thermas Club (rua Bárbara de Alencar, 424, Centro) recebe o espetáculo Divertissement, com Camilly Leycker e Mizzayra Shiva (Transformista do Ano 2017), a partir das 20h. Ingresso: R$ 25. Amanhã, sábado, é dia do Videokê Premiado, a partir das 18h30min. Ingresso: R$ 25. No domingo, dia 18, partir das 20h, Tablata, a Diva do Riso, comanda o espetáculo Cat bath on sunday com os gogo boys Marcelo Rodrigues, Apollo Netto e Victor Ayres. Ingresso: R$ 25.

2 Hoje, sexta-feira, a boate Level (Rua Dragão do Mar, 218, Praia de Iracema), recebe o Arraiá da Patrícia, a partir das 23hs. A festa une arrasta-pé e música eletrônica em duas pistas. No line-up, os DJs Emmanuel Costta, Lindsay Dream, Ph Archibald, Thalles Ronne, Yana Ryller, Laylla Hillz, Andra Onlly, Emma Salvatore, Halessia Felix e Scarllet Lancellot + intervenção artística de Setric Abused. Plus: rodadas de bebidas + drinques com preços promocionais. Ingresso: R$ 10 (até 0h) e R$ 15 (depois de 0h). Amanhã, sábado, a casa a Festa do Beijo, a partir das 23hs. A principal atração da noite é o DJ Tommy Love (SP), que estará de volta a Fortaleza. Completam o line-up, os DJs Fábio Balack, Sergio Klisman, Italo Bergman, Lobinha, Lourran Carneiro e Ph Archibald. Plus: rodadas de bebidas + drinques com preços promocionais. Ingresso: R$ 20 (até 0h), R$ 25 (depois de 0h) e R$ 70 (camarote, com 12 fichas para bebidas). Já no domingo, 18, a boate promove mais uma edição do Domingão da Level, a partir das 23hs. A apresentação fica por conta de Tablata, a Diva do Riso. A noite terá ainda performances de Nathallya Peron. No line-up, os DJs Marcelo Fort, Amabilis Ohanna, Higor Pereira e Lourran Carneiro. Ingresso: R$ 15.

3 Hoje, sexta-feira, a boate Haus (Av. Almirante Tamandaré, 19, no entorno do Centro Dragão do Mar) realiza a festa Farofa no Vale, a partir das 23hs. No comando das pick-ups, os DJs Lia Tavares, Ana Flávia, Tayana Rocha, André Wirtzbiki e convidados. Plus: rodadas de Elixir do Vale + caipifruta por R,99 a noite toda. Ingresso: R$ 25. Amanhã, sábado, a casa promove a festa Bumbum Tam Tam: Baile Funk da Haus!, a partir das 23hs. No line-up, as DJs Lia Tavares, Charlotte Killz e convidadas. Plus: concurso valendo três meses de entrada free na Haus. Ingresso: R$ 30.

4 Amanhã, sábado, o Mambembe (Rua dos Tabajaras, 368, Praia de Iracema) recebe a festa Tome Batom Vermelho – edição especial Diversidade, a partir das 22 horas. Formado pelo trio de DJs Gabriel Baquit, Ney Filho e Isa Capelo, o coletivo se engaja no mês de luta pela diversidade sexual e promove uma noite especial. No repertório, rock, pop e brasilidades clássicas e reinventadas. Ingresso: R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia), R$ 20 + 1 kg de alimento não perecível (solidária).

5 Neste domingo, dia 18, o Dragon Health Club (av. Almirante Jaceguai, 239, Praia de Iracema, na ladeira do Centro Dragão do Mar) recebe o show do grupo Sem Comentários, a partir das 18hs. No repertório, samba e pagode da melhor qualidade. O evento integra a programação especial da casa em celebração ao mês do Orgulho Gay e tem ingresso com preço promocional. O Club abre as portas às 15hs, já com todos os equipamentos funcionando, e fecha às 22hs Ingresso: R$ 25.

 

ÉMERSON MARANHãO