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A terceira idade e a terapia de reposição hormonal

Chegar à terceira idade tem sido cada vez mais prazeroso. A Terapia de Reposição Hormonal ajuda nesse processo, mas exige cuidado e indicação individual

17:00 | 18/03/2017

Estradiol e testosterona. Os dois hormônios sexuais que ditam relações, prazeres e sensações. Para eles, há milhares de receptores nas zonas cerebrais responsáveis por boa parte do nosso comportamento, seja no trabalho ou em casa — inclusive na cama. Com a falta (ou diminuição) dessas substâncias químicas, há mais cansaço, as funções cognitivas se atrapalham e o desempenho sexual deixa a desejar. E tudo isso normalmente acontece entre os 40 e os 60 anos. A terceira idade, aquela que está cada dia mais vigorosa, saudável e com tantas perspectivas.


Os sintomas da menopausa para mulheres e da andropausa para os homens podem ser bastante incômodos e fazem toda a diferença na forma de ver a vida. Para amenizar muitos desses efeitos surgiu, ainda em 1960, a Terapia de Reposição Hormonal (TRH), que durante os anos de 1990 se transformou na queridinha de todas as mulheres que viam seu período fértil chegar ao fim e, com ele, o hormônio estradiol.

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“Era quase uma rotina indicar a terapia para mulheres que deixavam de menstruar. E tinha como grande ‘quê’ (além da redução dos sintomas naturais do período) o impacto na performance cardíaca, porque os hormônios melhorariam a vascularização”, conta a ginecologista e obstetra Marjorie Mota.


De acordo com a especialista, anos depois, novos estudos mostraram que não era bem assim. Alguns critérios foram estabelecidos para adesão à terapia, como idade da paciente, tempo de menopausa, sintomas, doses, vias de administração e comorbidades. Cada mulher e sintoma por ela relatado passaram a ser vistos de forma individual. E as soluções também ganharam um perfil diferente. Isso porque se começou a colocar na balança as vantagens da TRH e os riscos que o procedimento oferecia. O câncer de mama é o maior deles, mas também existem o tromboembolismo e o Acidente Vascular Cerebral (AVC), que têm a história clínica do indivíduo como base.


“Quando estou diante de uma mulher, eu procuro o que a está incomodando, o que preciso prevenir ou tratar. Depois vejo como resolver, qual acesso será usado, que tipo de hormônio e seus efeitos. Não existe uma receita de bolo quando falamos em hormônio. Endocrinologia não é fórmula, é ajuste, é olhar, é o individual”, avalia a médica Cristina Façanha, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Para ela, a menopausa é um processo fisiológico, portanto, estender o que é programado naturalmente para acabar requer alguns cuidados.


Décadas depois de a TRH cair nas graças femininas, os homens também passaram a aderir à terapia. No caso deles, a redução na produção da testosterona não é algo certo da natureza, perpassa por condições associadas como sobrepeso, estresse corpóreo, obesidade, diabetes e sedentarismo, além do próprio processo de envelhecimento. “A pessoa tem receptores para testosterona principalmente nas células do coração, dos músculos e do cérebro. A terapia é indicada quando o exame laboratorial mostra deficiência na taxa de hormônio e quando há queixas clínicas”, destaca o urologista Fernando Muniz.


Chegar à terceira idade não é fácil, exige a vontade de continuar sentindo os prazeres de viver, mesmo quando o organismo, cansado, não colabora como antes. A reposição de hormônios faz esse processo ser mais prazeroso, sem dúvida. Mas não é nenhum milagre e os cuidados precisam ser pontuados minimamente com uma equipe multidisciplinar de profissionais. Viver com qualidade é prioridade, mas continuar vivendo com saúde é ainda mais importante. O Ciência&Saúde de hoje mostra os prós e contras de fazer o corpo reviver os prazeres hormonais que a idade suprimiu, mas que não faz esquecer.

SARA OLIVEIRA