18/06/2007 19:31
O conflito no Iraque fez com que o número de refugiados alcançasse no ano passado quase dez milhões de pessoas no mundo, o mais alto desde 2002, informou nesta terça-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Apenas no ano passado, o aumento registrou um percentual de 14%, isto é, 1,2 milhão de pessoas deslocadas, destaca a ONU.
A contagem subiu pela primeira vez nos últimos cinco anos - uma situação devida, em grande parte, à fuga de 1,5 milhão de iraquianos, que encontraram refúgio principalmente nas vizinhas Síria e Jordânia, explicou o ACNUR no informe "Tendências Mundiais em 2006", publicado na véspera do Dia Mundial dos Refugiados.
A agência da ONU também estima que quase 3 milhões de iraquianos estejam deslocados dentro do próprio país, o que eleva a 4,4 milhões o total dos que foram obrigados a deixar suas casas devido à violência.
O contingente de refugiados mais significativo no mundo é o de afegãos, com 2,1 milhões, seguido do de iraquianos (1,5 milhão), sudaneses (686.000), somalis (460.000), cidadãos da República Democrática do Congo e do Burundi (400.000 cada um), indica o estudo.
Essa contagem não leva em conta os 4,3 milhões de refugiados palestinos, que têm uma agência especial da ONU (UNRWA) para se ocupar de sua situação.
Com a inclusão dos palestinos, o número mundial de refugiados recenseados supera 14 milhões de pessoas.
O ACNUR considera os conflitos no Iraque, Líbano, Sri Lanka, Timor Leste e Sudão as causas dos maiores deslocamentos internos.
"Enquanto o número de pessoas vítimas da perseguição, intolerância e da violência no mundo aumenta, temos de enfrentar os desafios de um mundo em transformação", declarou o alto comissário da ONU para os refugiados, Antonio Guterres.
AFP