11/06/2007 15:59
Especialistas internacionais em segurança reunidos em Miami alertaram nesta segunda-feira para a possibilidade real de um ataque terrorista nuclear e pediram que seja interrompida a rede de abastecimento de material físsil que, afirmam, está disponível para quem pagar melhor.
A reunião, de quase uma semana, terá como principal função fornecer aos funcionários responsáveis pela segurança interna dos países ferramentas para detectar, desarmar e evitar que terroristas adquiram ou utilizem materiais nucleares.
"As leis de oferta e procura determinam que alguém, em algum lugar, fornecerá (material nuclear) a quem tiver a melhor proposta", disse o diretor da Polícia Federal (FBI), Robert Mueller, ao inaugurar a conferência de segurança da Iniciativa Global para Combater o Terrorismo Nuclear (GICNB).
A Iniciativa, que conta com a adesão de mais de 40 países, foi anunciada no ano passado durante a reunião de cúpula do G-8 em São Petersburgo pelos presidentes dos Estados Unidos, George W. Bush, e da Rússia, Vladimir Putin. Na ocasião, eles pediram às nações do mundo que façam todo o possível para evitar que grupos terroristas tenham acesso a material nuclear - o primeiro e mais complexo elo de uma hipotética conspiração nuclear terrorista.
Armar um aparelho explosivo nuclear é a parte menos complicada de um eventual plano, segundo os especialistas. O difícil é ter acesso ao urânio altamente enriquecido ou ao plutônio para elaborá-lo.
Vladimir Bulavin, subdiretor do Serviço Federal de Segurança da Rússia, declarou que o terrorismo "é ainda a principal ameaça a todas as nações", e que seu próprio país, rico em material nuclear e tecnologia que datam da época da União Soviética, caminha para controlar e rastrear seus estoques.
Para o diretor do FBI, a ameaça de terrorismo nuclear é "uma das mais perigosas e mortais ameaças" enfrentadas pelos países, e fez um apelo para que o mercado negro internacional de tecnologia nuclear seja combatido.
Segundo Robert Mueller, o caso de Abdul Qadeer Jan, pai do programa nuclear paquistanês, que em 2004 confessou ter revelado secredos nucleares a países como Irã e Coréia do Norte, considerados pelos Estados Unidos como parte do "Eixo do mal", "é um dos muitos que comprovam a existência de um mercado de compradores" dessa tecnologia.
"Temos que desmantelar o mercado negro", declarou Mueller. "Devemos nos concentrar na prevenção, devemos reunir (dados da) inteligência, devemos agir em conjunto ao mesmo tempo", caso ocorra um incidente.
Especialistas garantem que a possibilidade de um ataque nuclear terrorista, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, é real e menos remoto do que parece.
O Boletim de Cientistas Nucleares, que opera o "Relógio do Juízo Final" para marcar a proximidade de uma catástrofe nuclear, e que atualmente marca cinco minutos para a meia-noite, garante que tal possibilidade não é despropositada, devido à preferência dos grupos terroristas por "missões suicidas e pelo espetáculo".
Laura Holgate, da Iniciativa contra Ameaças Nucleares, fundada pelo milionário Ted Turner em 2000 para estudar ameaças, disse que o combate começa por evitar que material nuclear caia nas mãos de grupos terroristas.
"Se os terroristas não têm acesso a material nuclear não podem desenvolver uma arma atômica", explicou Holgate. "Se obtiverem esse material não é simples, mas certamente é possível fabricar uma bomba". Para isso, segundo a especialista, bastam dinheiro, material, organização, técnicos em eletrônica, explosivos e mecânicos, além de um meio para o transporte.
Outro perigo é que, ao contrário do que se acredita, materiais adequados para uma arma nuclear podem ser encontrados em instituições civis ou acadêmicas de pesquisa, protegidas por protocolos de segurança menos rígidos do que os observados em instalações militares.
AFP