PARIS
Europa poderia se ver obrigada a ajudar mais os EUA no Iraque
09/11/2006 17:10
Os europeus, satisfeitos com as mudanças políticas em Washington, temem ser pressionados pelos Estados Unidos para ajudar este país a sair dignamente do atoleiro do Iraque, estimaram especialistas do Velho Continente nesta quinta-feira.
Na opinião deles, a chegada de uma maioria democrata ao Congresso americano e a destituição do secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, serão traduzidas numa política mais complacente do que a praticada até agora pelo presidente George W. Bush em relação a seus "amigos e aliados" europeus.
Alguns temem fortes pressões sobre o Velho Continente, outros estimam que a prioridade para os Estados Unidos é encontrar sozinho uma saída digna no Iraque.
"De uma forma ou outra, a política iraquiana dos Estados Unidos vai mudar. Mas é preciso esperar para saber se a mudança será fundamental e quais serão as conseqüências para os europeus", estimou uma fonte diplomática européia em Bruxelas.
Para Nicole Gnesotto, diretora do Instituto de Estudos de Segurança da União Européia (UE), Washington voltará a dialogar mais com os europeus para tentar controlar a "espiral de desestabilização de todo o Oriente Médio provocada pela guerra no Iraque".
Por sua vez, o ministro belga da Defesa, André Flahaut, cujo país se opôs à guerra no Iraque, elogiou nesta quinta-feira a demissão de seu colega americano Rumsfeld, a quem chamou de "teimoso". Ele disse esperar que seu sucessor adote uma política mais aberta ao "multilateralismo".
"Mas uma política exterior (americana) mais influenciada pelos democratas exigirá mais colaboração dos europeus nos âmbitos político e militar" tanto no Iraque quanto no Afeganistão, estimou o jornal alemão Die Welt.
AFP
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