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Sobre Hollywood

"Quero personagens que não reforcem estereótipos", diz Wagner Moura sobre convites recusados

Moura também comentou a ampla repercussão de sua atuação como o personagem Capitão Nascimento, nos filmes Tropa de Elite e Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro

18:57 | 13/07/2017

(Foto: Reprodução/TV Globo)

As experiências internacionais de Wagner Moura, desde a ficção científica Elysium até chegar à Netflix, incorporando o narcotraficante colombiano Pablo Escobar, renderam ao ator vários convites em Hollywood. Grande parte dessas ofertas, no entanto, não tiveram apelo para o ator baiano. "Eu nego um monte de coisa que me chamam para fazer. Depois do Pablo (Escobar), então. Nós latinos somos o grupo mais sub-representado em Hollywood", opina. "Só 5% das personagens são latinas e aparecem estereotipadas. O que eu quero é trabalhar personagens latinos que não reforcem esses estereótipos", afirma. 

Moura também comentou a ampla repercussão de sua atuação como o personagem Capitão Nascimento, nos filmes Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro. Ele disse não se incomodar com a frequente associação do personagem com o seu nome. Para o ator, Capitão Nascimento é um personagem forte e teve um tamanho muito grande. "Sei que sou um ator que consigo fazer coisas diferentes. O meu critério hoje para escolher personagem é o que aquilo vai acrescentar na minha vida, o que vou aprender com aquilo".

Ao ser perguntado qual foi o último personagem que mudou sua vida, o ator voltou a Narcos. "Pablo Escobar me deu um sentimento de pertencimento tão grande a uma coisa maior do que ser brasileiro. Estudei o narcotráfico, o combate às drogas. Aprender a língua espanhola me deu pertencimento da cultura latina. Eu me senti pela primeira vez latino naquela série", disse.

Estreia como diretor

Wagner Moura fará sua estreia como diretor em um filme sobre a história do guerrilheiro comunista Carlos Marighella, que participou ativamente da luta armada contra a ditadura militar no Brasil

O ator defende as leis de incentivo à produção cultural, mas critica o que chamou de visão "neoliberal" que impera nessas leis. Ele enxerga a isenção de impostos para empresas que financiam a produção de audiovisual no Brasil como negativa, porque deixa grande poder nas mãos da iniciativa privada.

Ele contou que tem encontrado resistência para patrocinadores para o filme de Marighella, o que pensa ser uma "bobagem gigante", já que, segundo ele, o que deveria ser levado em consideração é o lado artístico do projeto e não a posição ideológica do personagem. "Ele foi um personagem apagado da nossa história. Sempre tive curiosidade sobre esse universo da ditadura. A minha geração nasceu muito anestesiada pela ditadura. Enfim, eu sempre me interessei pela vida das pessoas que resolveram fazer algo que não era para elas", pontuou.

 

Redação O POVO Online