16/07/2008 01:16
PERFIL DE QUEM SE SUBMETE À CIRURGIA PLÁSTICA
Os cirurgiões plásticos dividem seus pacientes em três principais grupos, por ordem de grandeza. Em qual você se encaixa?
1 - Contra o envelhecimento: O maior deles é formado pelos que recorrem à plástica como forma de lutar contra o inevitável processo de envelhecimento.
2 - Contra imperfeições físicas: O segundo grande grupo reúne aqueles pacientes cujas imperfeições físicas provocam tamanho desgaste psicológico que a minimização ou a eliminação do problema é mais do que bem-vinda. É quase necessária.
3 - Em busca da perfeição: O terceiro grupo possui perfil mais ousado. Ele abriga aqueles cuja meta é esculpir um corpo de parar o comércio. Essa classificação dos pacientes se refere às cirurgias estéticas e é semelhante em todas as partes do mundo, incluindo o Brasil. O que torna o país especial nessa área é o ímpeto com que as pessoas decidem operar-se e a rapidez com que a decisão é tomada.
INTERVIEW
Cirurgião não faz milagre
O cirurgião plástico Roberto César, com mais de 14 anos de experiência, fala que bisturi não é varinha de condão e muito menos o cirurgião é a fada madrinha e que o resultado do procedimento também depende da colaboração do paciente.
O POVO – Qual o maior desafio de um cirurgião plástico recauchutar uma pessoa bonita ou melhorar traços de uma pessoa fora dos padrões de beleza?
ROBERTO CÉSAR – Costumo dizer que é muito fácil operar uma pessoa bonita. Uma pessoa dita fora dos padrões de beleza ocidentais tem mais expectativa, às vezes deseja um visual inatingível pela cirurgia plástica. Ela se olha no espelho e se pergunta por que não é bonita.
O POVO – Então, o bisturi não é uma varinha de condão e o cirurgião não é a fada madrinha?
ROBERTO CÉSAR – (Risos) Exatamente! O corpo do pacientes e as técnicas de cirurgia têm seus limites. Operar um nariz negróide tem suas limitações. O cirurgião é um escultor que lida com tecido vivo, que necessita de vascularização, dentre outras necessidades. Não fazemos milagres.
O POVO – É verdade que as mulheres buscam a magreza e repõem as curvas com o silicone?
ROBERTO CÉSAR – O que acontece é que essas mulheres que malham muito, geralmente têm muito bumbum e pernas e não têm seios. Elas colocam silicone nas mamas para dar harmonia ao corpo. O resultado não é só físico, o astral delas muda. O que é o mais importante.
O POVO – Quais fatores interferem nos resultados de uma plástica?
ROBERTO CÉSAR – São vários fatores, tipo infecções, rejeições, hematomas, sangramentos, embolia pulmonar, dentre outros. O paciente tem de ter consciência que deve seguir a risca os conselhos do cirurgião.
O POVO – Quais os maiores anseios dos pacientes?
ROBERTO CÉSAR – A cirurgia plástica objetiva melhor a aparência e elevar a auto-estima dos pacientes. Mas se um paciente chega ao meu consultório querendo operar por que a sua mulher ou seu marido vai lhe deixa, eu mando primeiro se separar e só depois nós podemos falar sobre cirurgia. Às vezes, resolver um problema emocional não despende do bisturi.
O POVO - As técnicas de rejuvenescimento com Botox, preenchedores e laser adiam mesmo entrar na faca?
ROBERTO CÉSAR – Essas técnicas podem até adiar a plástica, mas não a substitui. O Botox ou os preenchedores podem ser usados como técnicas complementares à plástica. Tem paciente de 20 a 80 anos aplicando Botox.
O POVO – A cirurgia plástica brasileira é referência mundial. A que se deve tanta fama?
ROBERTO CÉSAR – Credito o sucesso às exigências da mulher brasileira, que usam biquínis minúsculos e exigem cicatrizes mínimas. Devemos muito ao cirurgião plástico Ivo Pitanguy por sua genialidade, que quebrou paradigmas e criou técnicas que até hoje são utilizadas em todo o mundo.
O POVO – Os homens estão procurando mais a cirurgia plástica?
ROBERTO CÉSAR – Estão sim. Eles fazem basicamente lipoaspiração, correção de pálpebras e aplicação de Botox. É aquele homem de negócios que deseja aparência jovial e aceitável no mercado. Eles perderam o medo e a vergonha. O meio social está mais exigente com eles.