16/07/2008 01:16
Lições de Arte
Na SCAP, observou Nilo Firmeza, ensinavam como deviam pintar. "Lembro que uma vez fui pintar a mata aqui no Mondubim. Mata você sabe é verde. E meu quadro era todo verde. Mostrei ao Siqueira (pintor João Maria Siqueira). Ele disse: - Rapaz, é muito verde! Você começou com uma cor muito difícil". E eu: - Vixe! já cheguei no fim porque cheguei no mais difícil? A minha visão não estava bem desenvolvida para perceber as nuances, nem a capacidade de colocar na tela aquelas nuances, através da mistura de cor que também era prata. De forma que o quadro saiu muito um verde absorvendo o outro, ficava muito um igual ao outro por causa, justamente, da falta de percepção da nuance. Olhe ali", disse para a repórter, mostrando uma árvore do sítio: "veja quanta nuance de verde tem ali! Mas quando a visão da gente não está bem desenvolvida para perceber essas nuances, a gente vê quase um verde uniforme. E pra botar no quadro, acrescido da falta de capacidade da gente de, com a mistura de cor, dar uma tonalidade diferente da outra, fica tudo numa cor só".
Nice, continuou: "Ele (João Maria Siqueira) dizia assim: duas coisas são importantes para o artista: aprender a ver e treinar bem a mão. É tanto que a gente fazia risco na horizontal, na vertical, fazia circunferência. Enquanto não tivesse certinho, tudo à mão livre, tinha que continuar treinando, fazendo. Depois eles botavam uma máscara, uma escultura. A máscara era a cara de um leão. Fiz tantas vezes essa cara de leão que já sabia decorado. Era para a gente aprender o claro e escuro. Eles botavam uma luz que dava as sombras onde tinha de ser. Depois a gente ia pro campo, que eram fim de linhas de ônibus, de trem, e escolhia a paisagem. A gente chamava a isso Piquenicarte, o Piquenique de Arte".