Claude Bornél
Nada que tenha a ver com o fato do ator Heath Ledger ter falecido e deixado uma obra-prima de interpretação
13/07/2008 18:19
É como num circo... A grande estrela é sempre o palhaço. Aquele que entretém o público, ao mesmo tempo que tapa um buraco entre uma e outra atração que ainda não está pronta. Aquele que diverte, ao mesmo tempo que aterroriza milhões e milhões de crianças mundo afora, porque não sabem o que esperar por trás daquela máscara sorridente. Dizem que um sorriso, muitas vezes, pode ser comparado a um animal selvagem que mostra as presas antes de atacar. E com o Coringa é exatamente assim.
O Príncipe Palhaço do Crime é, verdadeiramente, a estrela das histórias de Batman. Nada que tenha a ver com o fato do ator Heath Ledger ter falecido e deixado uma obra-prima de interpretação, como quem já viu o filme garante. Tem a ver, sim, com o fato de que o Coringa sempre foi a metade insana da laranja do cruzado embuçado. Tratado em algumas histórias em quadrinhos com o mesmo peso de importância, ou às vezes até maior, que o próprio herói.
Se fosse o contrário, porque uma das tramas paralelas de O Cavaleiro das Trevas - o de Frank Miller, ok? - foi capaz de gerar tanto burburinho na época do lançamento da graphic novel, em fevereiro de 1986, e outra HQ, anos depois, veio para justificar aquela narrativa? Refiro-me, leitor, às referências à morte de Jason Todd, ficando sugerido que teria acontecido pelas mãos do Coringa. Uma confirmação que viria acontecer em novembro de 1989, com o lançamento de A Morte de Robin, de Jim Starlin, Jim Aparo e Mike DeCarlo. Poucas vezes o falecimento de um herói foi tão esperado.
E qual leitor não chegou a se emocionar com o vilão, quando o Alan Moore e Brian Bolland recontaram a origem do personagem como alguém vítima de suas próprias escolhas? A Piada Mortal completou 20 anos do seu lançamento, em março de 2008, e é uma releitura da edição 168 da revista Detective Comics, lançada em 1951.
A trama parte de um princípio básico com o qual todo leitor pode se identificar: o limite entre a sanidade e a loucura é nada mais que um dia ruim. Uma linha tênue que tanto o Coringa quanto o próprio Batman partilham em suas vidas. Um argumento rico, passível de se questionar as próprias motivações do herói como combatente do crime, e que também está no novo filme do Morcegão. Não foi à toa que A Piada Mortal recebeu os mais importantes prêmios dos quadrinhos, em 1989, o Will Eisner Awards (melhor escritor, desenhista e álbum gráfico) e o Harvey Award (melhor história, desenhista, colorista e álbum gráfico).
Vem da mesma obra de Moore e Bolland outro ato cometido pelo famoso palhaço, igualmente marcante na mitologia Batman. Com um tiro, o vilão deixa paralítica a filha do Comissário Gordon, Bárbara Gordon, identidade secreta da Batgirl. A partir daquele momento, nos quadrinhos, a mocinha trocou de uniforme e tornou-se Oráculo, uma espécie de central 24 horas de informações de combate ao crime. Ela é uma espécie de suporte para Batman e ainda teve tempo de criar sua própria equipe de vigilantes, as Aves de Rapina (Birds of Prey).
Outra obra-prima dos quadrinhos, Asilo Arkham, de 1989, escrita por Grant Morrison e ilustrada por Dave McKean, contém outra "pérola" da relação palhaço-morcego. Lembram da palmada no bumbum de Batman? A polêmica na época do lançamento ajudou a reforçar o traço de homossexualidade do Coringa, sugerido anteriormente em O Cavaleiro das Trevas - novamente o de Frank Miller - na forma como o vilão usa os termos darling e sweet heart para se referir ao herói.
Não tenha dúvidas de que o Coringa é um dos personagens mais famosos dos quadrinhos, muito além de ser considerado o grande adversário do Homem-Morcego. Tanto que foi um dos primeiros vilões dos gibis a expandir sua atuação criminosa para além de sua própria cidade natal: já enfrentou o Super-Homem, a Liga da Justiça e chegou até a atormentar o Scooby-Doo nos desenhos animados de TV.
O Coringa chegou ainda a ter seu próprio título nos quadrinhos e uma graphic novel dedicada especialmente a ele, As Maiores Histórias Sobre o Coringa já Contadas. Nenhum outro vilão dos gibis foi tão celebrado e poucos outros partilham semelhante fama no mundo pop, tais como Lex Luthor e Duende Verde.
Recentemente, por conta do lançamento de Batman - O Cavaleiro das Trevas (desta vez o de Christopher Nolan, ok?), o Príncipe Palhaço do Crime voltará, em outubro, a estrelar uma graphic novel, entitulada simplesmente Joker. Criada pela dupla Brian Azzarello e Lee Bermejo, o trabalho inédito mostra o personagem insatisfeito em levar apenas uma parcela dos lucros dos crimes em Gotham City, daí resolve tomar tudo para si, não importa como.
À imagem de Conrad Veidt... Mas quem o criou?
A edição 202 da revista Wizard norte-americana vem com uma matéria bem interessante com o desenhista Jerry Robinson, famoso na indústria dos quadrinhos muito mais pela sua atuação política em favor da classe do que por seus traços e criações. Atribui-se a ele a paternidade - ou, pelo menos, parte dela - do famoso antagonista do Homem-Morcego. Assim mesmo, a questão desta paternidade é cercada por muita controvérsia.
É fato que o personagem foi criado em 1940. É fato que a equipe criativa envolvida nas histórias de Batman, tanto para os gibis quanto para as tiras de jornais, era composta por Bob Kane (o próprio criador do Morcegão), o roteirista Bill Finger e Robinson. Fato também que as primeiras versões do personagem foram inspiradas em uma foto do ator Conrad Veidt, no filme O Homem que Ri (The Man Who Laughs, de 1928). A partir daí, o que existe são apenas versões.
Uma delas é a de Bob Kane, que afirmava ter criado o vilão junto com Finger, tendo a participação de Robinson restrita ao uso de cartas do baralho. Outra versão, a qual não se atribui autor, dá conta que o Coringa foi criado por Kane e Finger, mas a partir de uma sugestão de Robinson.
De acordo com a Wizard, a versão mais próxima da verdade aponta para Robinson, que em janeiro completará 87 anos, como o verdadeiro criado do Coringa, ao lado de Finger.
"Eu acredito que Jerry Robinson e Bill Finger provavelmente são os grandes responsáveis pela criação do Coringa", afirma Richard Halegua, historiador especializado em quadrinhos. "Que responsabilidade Bob Kane tem nisso, quem sabe? Existe muita gente na história dos quadrinhos que quer todo o crédito para si mesmo, porque é parte de sua própria lenda".
Um aspecto que ajuda a reforçar o argumento de Halegua diz respeito à inexperiência do desenhista, então um estudante de Jornalismo de 17 anos, na Universidade de Columbia. Em 1939, Bob Kane procurava por um talentoso letrista e arte finalista para se juntar a ele e Finger em um novo gibi da National Comics que seria lançado em breve, chamado "Batman". Encontrou o que queria em Robinson.
A National Comics, empresa que mais tarde se tornaria a DC Comics, contratou diretamente Finger e Robinson, uma vez que Kane já havia pego para si a maior parte dos créditos pela criação de Batman. Com o passar do tempo, Robinson foi promovido a desenhista principal do título e, inspirado nos seus estudos literários na Universidade de Columbia, passou a defender a idéia de que o Homem-Morcego precisava de um adversário de mais valor do que simples gangsters.
"Havia essa dicotomia de que se fosse criado um vilão forte demais, este superaria o herói", diz Robinson. "E eu pensei a partir das minhas leituras que seria exatamente o oposto. Além disso, tem essa questão de que os heróis tem sempre que ser heróis. Os vilões são mais excitantes, são eles que apimentam a trama".
Além de co-criador do Coringa, Robinson também tem sua parcela de responbilidade no surgimento de outros personagens da mitologia Batman, como Pingüim, Mulher-Gato, Alfred e Robin. O Menino Prodígio, aliás, foi batizado pelo próprio desenhista, que jura de pés juntos não ter se inspirado no próprio nome. Segundo ele, sua influência foi o personagem Robin Hood.
Mas de tudo o que Robinson criou nos quadrinhos, nada se compara à sua atuação política em favor da categoria de cartunistas e desenhistas. Ele foi um dos que primeiro lutou ao lado de Jerry Siegel e Joe Shuster para terem garantido os direitos - tanto financeiros, quanto autorais - pela criação do Super-Homem.
E, como a abertura da matéria da Wizard destaca, quando parte da Associação Editorial Americana de Cartunistas, foi um dos responsáveis pela libertação do cartunista uruguaio Francisco Laurenzo Pons, preso político em seu país por mais de seis anos. Apenas um dos muitos atos de Robinson. Atos muito mais que super-heróicos.
Um Palhaço, muitas maquiagens
Como todo grande personagem dos quadrinhos, o Coringa não escapa de ter variações de origem ou mesmo de personalidade, ditadas tanto pelas releituras de autores quanto pelas próprias circunstâncias do mercado editorial de quadrinhos. Originalmente, foi criado para durar apenas uma única edição, a Batman nº 1, em 1940.
Não passava de um ladrão de jóias e assassino em massa, que usava um gás do riso para matar suas vítimas com um largo sorriso no rosto. Até que a equipe criativa envolvida enxergou no vilão um potencial maior e dali criou uma característica recorrente no personagem, a de aparentemente morrer no fim da trama e voltar nas edições seguintes.
Na edição 168 da Detective Comics é contada pela primeira vez sua origem, retratando-o como alguém que se disfarçava como o bandido Capuz Vermelho. O futuro Coringa é surpreendido por Batman e Robin ao tentar roubar uma fábrica de produtos químicos. Na fuga, ele cai em um tonel de produtos químicos e reaparece com a pele totalmente branca, cabelos verdes e um sorriso permanente no rosto.
Em linhas gerais, é a mesma história contada em A Piada Mortal. Mas o que faz esta ser considerada a versão mais aceita como origem do vilão diz respeito às pinceladas de Moore e Bolland na narrativa. O personagem é um engenheiro químico que largou a profissão pelo sonho de virar comediante, mas suas piadas não são engraçadas o suficiente para ganhar dinheiro e sustentar a esposa grávida.
Hesitante, ele se junta a um bando de assaltantes para um único serviço: roubar uma fábrica de baralhos vizinha à indústria de produtos químicos em que trabalhava. Desesperado ao saber que a esposa morreu, o futuro Coringa aceita se fantasiar como o bandido Capuz Vermelho e é surpreendido por Batman enquanto anda pela indústria de químicos. Na fuga, ele cai em um tonel de produtos... Bem, daí vocês já sabem o que acontece, né? Ou talvez não!
Muito embora tenha surgido como um frio e inteligente assassino, o Coringa mudou radicalmente seu comportamento na década de 50. Nada que tenha a ver com arrependimento ou algum outro plano diabólico. Tem a ver, sim, com o escritor alemão Fredric Wertham e seu livro "Sedução do Inocente", lançado em 1954.
A obra atribui aos quadrinhos a responsabilidade pelo comportamento violento, delinqüente e sexualmente inapropriado dos jovens da época. Sobretudo aos gibis de terror e de crimes. Para comprovar sua tese, o autor apresenta casos em que o acusado diz ter se inspirado nos gibis para cometer seus delitos.
O efeito foi devastador na indústria de quadrinhos, uma vez que os carros-chefe das principais editoras seguiam exatamente essa linha com tramas violentas e de forte teor sexual. Muitos pais proibiram seus filhos de lerem gibis, as vendas caíram assustadoramente e muitas editoras simplesmente faliram.
Marvel e DC Comics se sustentaram, única e exclusivamente, por conta dos quadrinhos de heróis. Assim mesmo, tiveram de se adaptar aos novos tempos. Ainda em 1954, a Associação de Histórias em Quadrinhos dos Estados Unidos (CMAA) criou o Código de Autoridade de Histórias em Quadrinhos (CCA), com a função de regular o conteúdo dos gibis.
Com isso, o maníaco e cruel assassino em massa foi transformado em um ladrão engenhoso, mas semelhante a um verdadeiro bufão. Ele agora apenas rouba - não, ele não é mais um assassino - e adora usar charadas e pregar peças durante seus crimes, especialmente com a polícia e Batman - boa parte da inspiração e conteúdo do seriado de TV dos anos 60, com Adam West, veio exatamente desta fase dos gibis do cruzado embuçado.
A criatividade dos autores da época não deixou que o personagem se transformasse em uma verdadeira piada sem graça. Ao contrário, conseguiram realçar a personalidade maníaca obssessiva do Coringa por Batman. Como? Através da criação de aparatos como fantasias, o Coringa-Móvel e até um cinto de utilidades. Tudo para parodiar e, ao mesmo tempo, tentar se igualar ao Morcegão.
Com o movimento Flower Power, em 1969, as visões norte-americas de política, sociedade, cultura e, por que não, sexo, passaram por uma revisão forçada devido ao contexto da época. Os quadrinhos foram beneficiados na rebarba dos acontecimentos, com uma progressiva liberalidade do tal Código de Autoridade de HQs.
Desta forma, a partir de 1973 o Coringa passou por nova reformulação. Coube ao desenhista Neal Adams, com seu estilo de traços mais realistas, e ao roteirista Dennis O'Neil devolverem o personagem aos seus contornos mais violentos. Muito mais que um ladrão e assassino, eles fizeram do vilão maníaco homicida capaz de matar seus comparsas e um grau de perspicácia comparável ao do próprio Batman.
Na mesma época surgiu uma versão alternativa do Príncipe Palhaço, na qual seu padrão de comportamento sociopata começaria ainda na juventude. Ainda adolescente, colecionava ossos de animais que ele torturava e seu primeiro assassinato foi o de um colega que descobriu sua coleção. Mais à frente o jovem mata o próprio pai.
Seja como foi ou ainda será retratado, a verdade é que o Coringa sempre será um verdadeiro corrossel de emoções insanas, capaz das mais extremas barbaridades, assim como reconhecer que prefere continuar em sua zona de conforto de loucura do que enfrentar seus próprios demônios.
Adorado vilão
Por que praticamente 10 em cada 10 leitores de quadrinhos, quando pensam em um vilão, de cara lembram do Coringa? O que fez esse personagem ser tão bem construído? Leia, logo abaixo, três aspectos que ajudam a responder essas questões:
>>> O arquétipo de Pícaro - Após se ver forçado a interromper o contato postal que mantinha com Sigmund Freud, por força do avanço nazista, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung sugeriu a existência de um inconsciente coletivo: uma espécie de desejo comum de uma sociedade inteira (também existente na escala pessoal), representado pelos sonhos e aspirações, sendo melhor personificado nos arquétipos humanos dos mitos.
Existem vários arquétipos nos mitos, como o Herói, o Mentor, o Arauto e o Camaleão. Os que nos interessam aqui para entender melhor o Coringa são os do Pícaro e da Sombra.
O Pícaro pode ser representado por um palhaço ou qualquer personagem cômico, carregando em si um desejo de mudança da realidade. A função primordial deste arquétipo é denunciar a hipocrisia na sociedade e acordar o herói para a realidade. Nos melhores diálogos de Coringa e Batman, como se pode ler, por exemplo, em A Piada Mortal, o que se vê é o palhaço tentando fazer o herói ver o mundo através do seu ponto de vista de insanidade.
O vilão representa a Sombra e tem como objetivo a morte ou destruição definitiva do herói. O Coringa, embora seja o inimigo, não quer exatamente matar Batman, uma vez que isso significaria também matar a si mesmo em significado. Seu desejo maior consiste em destruir o Morcegão, no sentido de provar que sua loucura é superior à sanidade do herói.
A Sombra tem ainda como função primordial impor desafios ao herói. De tal forma que, no caso de Batman, este precisa atingir seus próprios limites (tanto físicos quanto psicológicos), ao ponto de ter de se superar para poder superar o Coringa.
>>> Seu jeito fashion - A roupa do Coringa (Joker) é tão berrante quanto a personalidade dele. Sua aparência é a de um palhaço que cedeu ao “lado negro da força”. E foi mesmo, pois conta-se que, no começo, essa personagem era um homem casado e feliz, que trabalhava como assistente de laboratório numa química, mas largou o emprego pra ser comediante. Porém, logo percebeu que o público não o achava engraçado e, pra sustentar a família, entrou pro mundo do crime.
No Coringa, o nome, a maquiagem, as armas e as roupas, tudo remete a um palhaço. Mas as roupas verde e roxo são um caso à parte. Na simbologia das cores, o verde é a cor da natureza e da tranqüilidade, algo que alivia a tensão – como o próprio riso alivia, não? Já o roxo, também usada por bruxas e madrastas na ficção, é uma cor ligada à morte e à sensação de tristeza.
Ou seja, a tranqüilidade que o [falso] riso do Coringa sugere e que é representada pelo verde, tem no roxo um contraponto mais condizente com a realidade: no fim das contas, o Joker representa a morte e a tristeza eterna, ainda que disfarçada de riso.
Por fim, vale dizer que a combinação de verde e roxo é tão aterrorizante quanto o gás de risadas que ele usa pra matar seus inimigos. (Contribuição da fabulosa Pati Rabelo, editora do portal Bem Resolvida - www.bemresolvida.com.br)
>>> O outro lado da moeda - Muito embora o vilão Duas Caras ostente uma moeda como símbolo, tendo uma das faces riscada para representar sua versão distorcida do mundo, a melhor representação para esta simbologia está na relação Batman-Coringa.
O Homem-Morcego tem uma ética própria de conduta relacionada com as circunstâncias da morte de seus pais: ele não mata seus inimigos porque, inconscientemente, não quer se igualar ao assassino; da mesma forma, armas de fogo não fazem parte de seus bat-acessórios e raramente se vê o herói empunhando um revólver ou espingarda.
O Coringa, por sua vez, enxerga o mundo ao seu redor como o palco de um show de humor em que ele é a estrela maior. Mas nunca uma estrela solitária. O próprio vilão entende que precisa de um companheiro de cena para tornar seu número grandioso e glorioso. E aí que entre o Morcegão. Sem ele, não há como o show continuar. Daí porque o Coringa nunca mata o Batman, mesmo quando tem chance.
A própria origem do Príncipe Palhaço, que coloca Batman rigorosamente na mesma posição do sujeito que puxou o gatilho contra os pais de Bruce Wayne, já estabelece, por si só, uma relação simbiótica entre os dois personagens. Ao longo do tempo, fica claro que um precisa do outro para continuar existindo.
Eles partilham de um mesmo tipo de loucura e obsessão. O tal dia ruim ao qual se refere A Piada Mortal. A diferença, se é que realmente podemos chamar assim, está nas escolhas de cada um dos personagens para o que fazer com suas próprias loucuras.
Curiosidades
>>> O que Luke Skywalker tem a ver com o Coringa? - Não, não se trata de algum crossover caça-níqueis entre as franquias de Guerra nas Estrelas e de Batman. Trata-se, na verdade, de uma certa coincidência que marca recente carreira profissional do ator Mark Hamill, que interpretou o cavaleiro Jedi, filho de Darth Vader, na primeira trilogia original de George Lucas.
Notoriamente um amante de gibis, Hamill andou fazendo trabalhos para a TV relacionados a heróis de quadrinhos. O mais famoso deles foi o vilão James Jesse/Trickster, da série The Flash, de 1991.
Mas o que o torna íntimo do Príncipe Palhaço é o fato do ator ter sido o dublador oficial do vilão nas animações para a TV do Batman, da Liga da Justiça e Super-Choque, entre 1992 e 2005. Inclui nesse período também a dublagem do Coringa em animações especiais lançadas direto em DVD, como Batman: Máscara do Fantasma (1993) e a versão Lego Batman: New Times (2005).
Vale contar também a participação de Hamill como dublador da voz de Roger Stoneburner, nas figurações do Coringa no seriado de TV Birds of Prey (leia mais abaixo, em Palhaços menos famosos).
>>> Um Coringa apaixonado pelo Rio de Janeiro - Os vilões da série televisiva do Batman nos anos 60 eram interpretados por atores de renome, tanto no cinema quanto na TV da época: Burgess Meredith (o Pingüim), muito conhecido como o treinador Mick da franquia Rocky Balboa; o mestre dos filmes de terror Vincent Price (Cabeça de Ovo); e Victor Buono (Rei Tut), que recebeu um Oscar pelo filme O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, de 1962.
Com o Coringa não foi diferente. O galã Cesar Romero começou a carreira como dançarino e ator da Broadway, até estrear no cinema no início da década de 30. Nas filmagens de Aconteceu em Havana tornou-se amigo de Carmem Miranda e apaixounou-se pelo Rio de Janeiro. Por duas vezes o ator visitou a Cidade Maravilhosa. Uma delas no carnaval de 1946, com o amigo e também ator Tyrone Power (O Fio da Navalha, 1946).
Na pele do Coringa, Cesar Romero tinha como marca registrada uma gargalhada histérica inigualável e trejeitos psicóticos, sem falar nas roupas de cores para lá de berrantes. Um detalhe curioso é que o ator jamais aceitou raspar o bigode para interpretar o vilão. Dizia que se tirasse ninguém o reconheceria mais. Daí a maquiagem branca procurava esconder o bigode, mas olhando hoje dá para ver que nem sempre ficava perfeito.
>>> Palhaços menos famosos - Falar de César Romero, Jack Nicholson ou mesmo Heath Ledger na pele do Coringa chega a ser lugar comum. Mas sabiam que eles não foram os únicos atores a personificarem o vilão? Quem já ouviu falar de Andrew Koenig ou de Roger Stoneburner?
O leitor que assistia TV a cabo em 2002 e 2003 deve ter tomado conhecimento do seriado Birds of Prey, adaptado dos quadrinhos de mesmo nome e cria da mitologia Batman.
Em cenas de flashback era mostrada uma suposta batalha final entre o Morcegão e o Coringa. Pois bem, ali o Palhaço era encenado por Stoneburner, mais famoso por seu trabalho como dublê no cinema e na TV, mas também com várias participações como figurante.
Curiosamente, quando o Coringa falava em Birds of Prey a voz não era a de Stoneburner, mas novamente a de Mark "Skywalker" Hamill. Os rumores são de que a voz do dublê não era suficientemente assustadora.
Uma condição diferente do vilão interpretado por Koenig no curta-metragem Batman: Dead End, originalmente exibido na San Diego Comic-Con 2003 e, antes de Batman Begins (2005), considerado a melhor adaptação do Homem-Morcego para os quadrinhos. Isso, mesmo sendo um filme não oficial e não autorizado.
Koenig tem no currículo participações na série de TV Star Trek: Deep Space Nine e alguns trabalhos como editor, diretor e produtor. Nada que se possa considerar relevante. Assim mesmo, o Coringa que ele interpreta no curta é bem convincente e em linha com os gibis. E que risada...
Não é à toa que Batman: Dead End é, ainda hoje, considerado um cult obrigatório para quem curte o personagem. No You Tube é possível encontrar links para assistir o curta. Confira abaixo:
Batman: Dead End >>> http://www.youtube.com/watch?v=Hjp0I_okX0w
The making of Batman: Dead End - Parte 1 >>> http://www.youtube.com/watch?v=Iqs5pDsAovQ
The making of Batman: Dead End - Parte 2 >>> http://www.youtube.com/watch?v=7Iul-Yonuu4&feature=related