Claude Bornél
Apenas cinco filmes de quadrinhos arrecadaram, juntos, mais de US$ 1 bilhão, um quinto do que todos os 73 filmes lançados este ano nos EUA arrecadaram
11/08/2008 09:53
Agora é oficial. As adaptações para cinema de graphic novels e personagens de histórias em quadrinhos são o novo mapa da mina da indústria cinematográfica dos Estados Unidos. O caráter de oficialidade confirmou-se neste verão naquele país, com o segmento arrecadando US$ 1,09 bilhão nas bilheterias com apenas cinco filmes. A cifra representa, nada menos, que 21,12% (ou, um quinto) dos US$ 5,17 bilhões que Hollywood arrecadou com venda de ingressos nos 73 filmes já exibidos, ou atualmente em cartaz, desde o início de 2008 até agora. E isso porque a economia norte-americana está em recessão. Imagina se não estivesse...
Mais que isso, dos 10 filmes de maior bilheteria no ano, três são de quadrinhos: Batman - O Cavaleiro das Trevas (US$ 441,54 milhões), em primeiro; Homem de Ferro (US$ 315,69 milhões), em segundo; e O Incrível Hulk (US$ 133,28 milhões), em terceiro. Se fosse fazer um Top 11, seriam quatro os filmes. Entraria O Procurado (US$ 131,32 milhões), justamente em décimo-primeiro lugar. Hellboy - O Exército Dourado é o primo pobre da história, na 23ª colocação (US$ 71,23 milhões). Assim mesmo, não é ruim.
Tal condição conquistada pelos filmes de quadrinhos traz pontos positivos. Entre os quais, a perspectiva de vermos na telona heróis e histórias até então sequer cogitados para migração, bem como a possibilidade de alguns projetos finalmente saírem da gaveta - Mulher Maravilha, por exemplo.
Mas existem lá também seus pontos negativos. Com tantos filmes do gênero, são grandes as chances de produções caça-níqueis e de baixa qualidade. Isso sem falar na tendência do gênero acabar sendo "extinto", como aconteceu com os filmes de Velho Oeste e com os musicais.
Mas por enquanto, os filmes de heróis de gibis são a nova onda. E o grande responsável por essa conquista, pode-se dizer, é Batman - O Cavaleiro das Trevas (leia mais na Seqüencial Especial: Batman, no link http://www.opovo.com.br/colunas/sequencial/805753.html).
A obra de Christopher Nolan vem batendo vários recordes de bilheteria, ao ponto de alçá-la à condição de terceiro filme que mais faturou na história de Hollywood. Com seus US$ 441,5 milhões, perde apenas para Guerra nas Estrelas (US$ 460,93 milhões) e Titanic (US$ 600,77 milhões). A perspectiva é que o cruzado embuçado tenha fôlego ainda para tomar a segunda posição do filme dirigido por George Lucas, em 1977.
Agora que o Homem-Morcego conseguiu provar do que um bom filme de gibis é capaz, toda a indústria hollywoodiana se volta para explorar o filão ao máximo (da exaustão?). De acordo com matéria publicada no jornal norte-americano Austin American-Statesman (http://www.statesman.com/business/content/business/stories/other/07/26/0726comicon.html), pelo menos mais 22 filmes de quadrinhos estão programados para estrear ainda em 2008.
A fonte citada pela matéria é o site The Internet Movie Database (http://www.imdb.com), porém não dá qualquer pista de quais seriam esses 22 filmes. Sabe-se do recém lançado oportunista Astérix nos Jogos Olímpicos (não lançado no mercado norte-americano) e do duvidoso Spirit, com previsão de estréia em 25 de dezembro nos EUA. Quanto aos outros 20...
A mesma matéria dá ainda conta de 29 produções inspiradas em gibis planejadas para 2009, e ao menos mais 26 para 2010. É verdade que na Internet, quase que diariamente, surge alguma notícia de autores que venderam ou estão negociando para levar a obra para a telona.
Tudo leva a crer que esses seriam os filmes referenciados na matéria do Austin American-Statesman. Se for, não estamos falando de nada concreto. Apenas promessas. De qualquer forma, promessas que reforçam o profundo interesse da indústria do cinema pelos quadrinhos.
O que existe de concreto mesmo são as produções já oficialmente anunciadas pela Marvel Entertainment (leia em Um universo ao redor do Verdão, no link http://www.opovo.com.br/colunas/sequencial/796945.html), e outras duas em fase de divulgação, caso de Watchmen e X-Men Origins: Wolverine.
De resto, muita especulação e palavras ao vento: Conan, Red-Sonja, Jovens Titãs, Os Smurfs (em carne e osso, não em animação como na nota abaixo), O Procurado 2, entre outros. Mas entre as promessas, uma chama atenção e merece uma análise. Refiro-me à adaptação do Lanterna Verde que vem sendo alvo de vários comentários.
Lanterna Verde: uma aposta ousada
A DC Comics, muito embora esteja comemorando as cifras atingidas por Batman - O Cavaleiro das Trevas, não tem mais motivos para festa além disso. O ainda ruidoso burburinho da pagação de mico que foi a tentativa de fazer um filme da Liga da Justiça. A franquia mal ressuscitada do Superman, pelas mãos de Brian Singer, atualmente com futuro incerto. E a Mulher-Maravilha que, depois de 10 anos de frustradas tentativas de ganhar um longa-metragem, terá de se contentar com uma animação tipo censura 13 anos a ser lançada direto em DVD, em 2009.
Com os resultados alcançados pela Marvel Entertainment nos dois primeiros projetos sob sua chancela (Homem de Ferro e O Incrível Hulk), finalmente a Warner Bros., dona da DC, acordou para a realidade e convocou uma reunião a portas fechadas com diretores e pessoal de criação do seu braço no segmento de quadrinhos. Embora não se saiba o exato teor da reunião, não é preciso ser gênio para ter um palpite bem próximo da realidade: o que WB e DC podem fazer para não deixar que a Marvel tome conta desse novo mercado, a exemplo do que já faz nos gibis.
Uma versão do Lanterna Verde aparece aí como a aposta das duas empresas, considerando que já existe um roteiro escrito a seis mãos por Greg Berlanti, Marc Guggenheim e Michael J. Green. Segundo a revista norte-americana Production Weekly, o filme já estaria em desenvolvimento, apesar de ainda não ter um diretor ou mesmo data de lançamento.
Essa aposta é ousada para os próprios padrões da WB, que sempre enxergou filme de quadrinhos como sinônimo único de alguma adaptação (não importa qual fosse) dos principais ícones da DC, Batman e Superman. Mas vendo agora que a Marvel vem se dando bem com heróis secundários, passa a não existir outra opção além de sair da zona de conforto. Até porque, convenhamos, não é tão confortável assim.
A torcida por uma bem sucedida adaptação do Lanterna Verde é grande. A partir daí, os dirigentes da WB podem se empolgar e dar vez para aventuras cinematográficas do Flash, do Arqueiro Verde e da Mulher-Maravilha. Quem sabe até fazer algo semelhante à Marvel Entertainment e preparar o terreno para um encontro futuro da Liga da Justiça. Tudo pode acontecer. Seja como for, é bom ver que os quadrinhos, mais do que nunca, estão sendo levados a sério.
Exposição comemora 50 anos dos Smurfs
Conhecida mundialmente pelas cervejas e pelos chocolates, a Bélgica, para quem não sabe, é considerada a capital dos quadrinhos na Europa. Vem de lá os Smurfs (ou Estrunfes), aqueles gnomos azuis que viviam em casas de cogumelo e fizeram sucesso na TV brasileira na década de 80, com um desenho animado produzido pela Hanna-Barbera.
Apesar de conhecidos de nós, brasileiros, apenas pela televisão, os Smurfs são originados dos quadrinhos. Foram criados pelo ilustrador belga Pierre Culliford, o Peyo, e surgiram pela primeira vez em 23 de outubro de 1958, com a histporia "A Flauta de Seis Estrumpfes", publicada no número 1071 do gibi belga Spirou.
Para celebrar os 50 anos das famosas criaturinhas perseguidas pelo vilão Gargamel, o Centro Belga de Histórias em Quadrinhos, em Bruxelas, está sediando a exposição "Smurfs para Todos, Tudo para Smurfs". Iniciada em 10 de junho, e aberta ao público até 16 de novembro, o acervo conta com um extenso material cedido pela família de Peyo, falecido em 1992. A exposição, porém, não é a única manifestação comemorativa dos personagens.
Por exemplo, para proclamar o Feliz Dia Smurf, pequenas estátuas do gnomos azuis foram espalhadas em segredo por 20 cidades de 14 países da Europa. Outro evento foi o lançamento do livro "Os Smurfs e o Livro que Diz Tudo". Mas o ponto alto promete ser um longa de animação em computação gráfica, produzido em parceria pela Paramount e a Nickelodeon Films.
O portal de Internet das festividades de meio século dos Smurfs na Bélgica é bem divertido. Dá para acompanhar o tour dos personagens na Europa e ainda ver as criações de diferentes cidades européias para um concurso tendo as criaturinhas como tema. Realmente vale a visita (http://happysmurfday.com/en/fr/home).