Ir para a página sobre a Publicidade
Capa O POVO

O POVO Digital

Leia aqui

O POVO Online

RSS - Noticias em Tempo Real

Saiba mais »

Script

Script

Uns amam e choram, outros amam e cantam

Na coluna desta semana, Daniel Herculano escreve sobre o romântico Noites de Tormenta e o musical Mamma Mia!

Daniel Herculano*
15 Out 2008 - 15h03min

A+ A- Mudar tamanho

Depois de mexer com as emoções do grande público com Infidelidade (2002), o casal Diane Lane e Richard Gere está novamente junto no romance Noites de Tormenta (Nights in Rodanthe, 2008). A adaptação do livro de Nicholas Sparks narra o encontro e o amor de Adrienne (Lane) e Dr. Paul (Gere). Ela, recém separada, está cuidando de uma pousada praiana apenas por um fim-de-semana, exatamente no período em que chega ele, um médico atormentado pela morte acidental de uma paciente.

Bela e com mais de quarenta nas costas, a classuda Diane Lane nos entrega mais um personagem comum, mas sensivelmente crível. Cheia de problemas familiares e dúvidas reais se vê, repentinamente, com uma paixão genuína batendo à sua porta. Ou melhor, no seu peito. Richard Gere, bem, é o Richard Gere de sempre. Ar de bom moço, com seus espremidos olhares, cabelos charmosamente grisalhos e basta. No elenco de apoio atuações destoantes. Enquanto o veterano Scott Glenn constrói bem um doloroso viúvo, James Franco, no papel do filho de Gere, é apenas ruim, sem nenhuma emoção.

Diretor vindo da TV, o estreante em longas George C. Wolfe, nos entrega um romance simples, mas que trabalha muito bem com seu cenário natural, a pousada e a costa banhada pelo mar, o explorando quase como um personagem. Durante a tormenta, digamos que a pousada se mexe, faz barulhos e até ajuda na aproximação dos solitários, confusos e cheios de nuvens negras nos corações Adrienne (Lane) e Dr. Paul (Gere).

Não por coincidência, pois são adaptações (superiores) do mesmo autor, enxergamos um romance no estilo de Diário de uma Paixão (2004) e Uma Carta de Amor (1999). Seguindo também o rastro do neoclássico As Pontes de Madison (1995), Noites de Tormenta apresenta um amor maduro, verdadeiramente possível e que ainda pode fazer o espectador mais frágil chorar.

NOTA: 6,5

INFORMAÇÕES ESPECIAS

Elenco: Diane Lane atuou em Mar em Fúria (2000) e Hollywoodland (2006). Indicada ao Globo de Ouro por Sob o Sol de Toscana (2003) e indicada ao Oscar e Globo de Ouro por Infidelidade (2002), em que atuou ao lado de Richard Gere vencedor do Globo de Ouro por Chicago (2002) e indicado por Uma Linda Mulher (1990) e A Força do Destino (1982); Scott Glenn atuou em O Silêncio dos Inocentes (1991) e Os Eleitos (1983); James Franco atuou na Trilogia Homem-Aranha (2002; 2004; 2007);

Trilha nas Caixetas: Você não soube me amar, Blitz.

BREGA É POUCO

Adaptação da peça de enorme sucesso nos palcos do mundo e é claro na Brodaway, Mamma Mia! (Idem, 2008) é um filme que tem sua história (mãe solteira é dona de um hotel nas ilhas gregas e sua filha, prestes a se casar, convida três ex-namorados de sua mãe para a festa, incluindo aí seu provável pai) contada através das músicas do grupo ABBA.

Meryl Streep, a mãe da noiva, está com um ar bem jovial, canta e encanta muito. Bem, na verdade ela ilumina a tela, alivia a dor de tanta estupidez, mas o longa continua sendo a celebração do brega e a coroação do tosco. Isto é Mamma Mia! E o mundo parece gostar de tamanha bobagem, a bilheteria mundial assusta com seus mais de U$ 520 milhões em caixa, e por isso não duvide quando vierem indicações ao Globo de Ouro (no mínimo filme musical/comédia e atriz musical/comédia para Streep).

Dá pra perceber o quanto as músicas do ABBA são fúteis, bobas e patéticas. Basta reparar no “roteiro” disso aqui. Excetuando os números de Streep (passáveis, em especial Dancing Queen, bem engraçada, e uma legal Mamma Mia!), vemos uma enxurrada de coreografias que apenas refletem o mau gosto das canções, com cenas pateticamente ridículas.

No elenco personagens forçadamente fazem graça. Nenhum dos rapazes (Pierce Brosnan, Colin Firth, Stellan Skarsgard e os garotos) sabe cantar, com a observação que Brosnan continua charmoso, como nos tempos de 007, mas é absurdamente terrível ao microfone. As amigas de Meryl Streep (Julie Walter e Christine Baranski) arrancam uma piada aqui outra ali, mas na maioria das vezes parecem adolescentes incontidas. E isso não é um elogio. No elenco jovem nada a declarar, nem a beleza magrela e os olhos azuis do mar da noiva escapam uma linha. Opa! Escapou apenas uma linha.

Mas se você realmente gosta de musicais e aprecia exatamente o que as canções dizem, que tal aquelas que têm conteúdo? Experimente Across The Universe (2007), em que podemos resumir com uma palavra: Beatles! Ou então vá de músicas genuínas, sinceras e interpretadas com o coração e crave Apenas Uma Vez (2007) e esqueça Mamma Mia! e sua breguice sem fim.

NOTA: 4,5

INFORMAÇÕES ESPECIAS

Elenco: Meryl Streep venceu o Oscar por A Escolha de Sofia (1982) e de coadjuvante por Kramer Vs. Kramer (1979) e tem outras 12 indicações ao Oscar; Pierce Brosnan interpretou 007 em quatro filmes (1995~2002), foi indicado ao Globo de Ouro por O Matador (2005); Colin Firth atuou em O Diário de Bridget Jones (2001) e Bridget Jones – No Limite da Razão (2004); Stellan Skarsgard atuou em Piratas do Caribe – O Baú da Morte (2006) e Piratas do Caribe – No Fim do Mundo (2007);

Trilha nas Caixetas: Bohemian Rhapsody, Queen.

*DANIEL HERCULANO é crítico de cinema, publicitário, produtor musical e assessor de comunicação. Às quintas assina a coluna Script, no programa Viva Fortaleza na TV O POVO (canal 48/NET 23/TV Show 11)

Dê sua nota clicando nas estrelas

Espaço dos leitores:

Comentar esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

20/10/2008
10:43

Parabéns!. Seus comentários são objetivos e conseguem externar com clareza certas peculiaridades dos filmes que muitas vezes passam desapercebidas quando estamos hipnotizados pelos encantos do mundo mágico da telona.

Mário Freire

Este comentário é inapropriado? Denuncie

20/10/2008
08:52

A coluna esta cada vez melhor, ela com certeza e referencia pra mim!! Agora eu nao estou podendo acessar os textos mais antigos, em vez do texto antigo sempre aparece o mais recente, gostaria que o problema fosse resolvido!

Tiago

Este comentário é inapropriado? Denuncie

17/10/2008
14:01

já era fã da sua coluna, agora com o novo layout que está simplesmente maravilhoso, não perco uma linha....aliás o site todo está de atíssimo nível....que trabalho incrível.....parabéns!!!!....

inara de almeida

Este comentário é inapropriado? Denuncie

Ver todos os comentários

Botao para a página sobre a Publicidade

Indique esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:


Escreva para o colunista

Textos Anteriores

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2008 O POVO - Todos os direitos reservados