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Kelméricas

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O menino e o feminino misterioso

As mulheres estão sempre a dançar uma linda música que não se ouve

Ricardo Kelmer
16 Out 2008 - 23h49min

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Não sei dizer quando o mistério do Feminino me atingiu pela primeira vez na vida. Talvez na adolescência, quando vi, pela janelinha do banheiro, num misto de fascínio e assombro, as amigas de minha irmã trocando de roupa, e seus movimentos de se olhar no espelho, virando de um lado e virando do outro, me deixaram a certeza que sim, as mulheres estão sempre a dançar, naturalmente, uma linda música que não se ouve, é um mistério.

Não, não. Certamente foi bem antes. Talvez quando me apaixonei por minha professora da alfabetização, que saudade da professorinhaaaaa, eu menino véi amarelo do buchão, ficava olhando pra ela e me esquecia da aula, admirando seu jeitinho de ajeitar o cabelo enquanto nos ensinava o beabá. Quase reprovado na alfabetização, que belo início pra um escritor. Depois vieram outras professoras apaixonantes e eu demoraria muito até entender que as mulheres estão sempre a me ensinar mas eu só aprendo se elas na hora não ajeitam o cabelo, senão eu confundo tudo. É um mistério.

Não, não, já sei! Foi mais cedo, bem mais cedo. Na verdade o Feminino Misterioso me foi revelado ainda no útero de minha mãe. Foi naquele momento mágico em que o óvulo materno recebeu o zóide paterno e então, pufff, neste exatíssimo instante, o que a partir de então seria eu de repente passou a existir, uma infinitesimal fagulha zigótica de autoconsciência que, uma vez existindo, automaticamente percebeu-se imerso num organismo vivo e foi logo se animando: "Hummm, será que a dona desse organismo não tem umas amigas...?"

A suposição é absurda, claro, um zigoto querendo conhecer as amigas da mãe. Vai ser precoce assim lá no líquido amniótico! Mas consideremos que haja sim algum momento na vida em que sejamos tocados pela primeira vez pela noção do Feminino Misterioso. E que pudéssemos lembrar desse instante, o que sentimos, pensamos, intuímos...

Eu adoraria localizar esse momento de alumbramento em minha vida, feito um arqueólogo da própria psique, e fazer dele a capa de meu novo livro, Vocês Terráqueas. Meus leitores olhariam a capa e veriam a fotografia psíquica desse instante numinoso em que o Feminino Sagrado mostrou-se pra mim, sob a meia-luz de seu imenso mistério. Mas não sei onde ele está, em que ponto exato se deu. Assim sendo, na falta da imagem primeva, a capa de meu livro exibe a imagem de uma mulher, seu rosto banhado pela luz suave da Lua crescente, o beijo lunar acariciando sua pele. Ela e a Lua, o Eterno Feminino que se revela e se esconde, e reaparece e resplandece, e obscurece novamente, a Sofia que brinca de ensinar a se perder, a Prostituta Sagrada que abençoa, a Santa que faz amor com tudo que há.

As histórias desse livro, no fundo elas não passam disso: tentativas de resgatar a magia desse momento irresgatável. São isso, meros fragmentos desajeitadamente recompostos do instante essencial. Ecos de um encontro sublime que se renova a cada dia, quando a plenitude do Feminino Misterioso ressurge em minha janela e me deixa assim, sem entender nada da Lua - mas sempre uivando pra ela.


Ricardo Kelmer é escritor e roteirista e mora em São Paulo. RK está em Fortaleza para o lançamento de seu novo livro, Vocês Terráqueas (21 de outubro, 19h a 23h, no Buoni Amici´s, Centro Dragão do Mar) e para participar da Bienal Internacional do Livro. Site pessoal: Blog do Kelmer - Um escritor em liberdade incondicional, blogdokelmer.wordpress.com

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17/10/2008
16:57

adoreiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Relva

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17/10/2008
12:20

Estarei lá.

Jeniffer

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17/10/2008
10:01

O escritor descreve com delicadeza a insustentável sensualidade feminina, delineando o poder enigmático que uma mulher tem para chamar atenção de um homem, sua condição natural, mesmo que ele resista, estará sempre na iminência da sedução de uma mulher, entre atitudes, expressões faciais, corporais e insinuações, o modo de andar e de falar, todas tem seu diferencial e individualidade contudo conjugam a mesma resultante ao de ipinotizar.

Aldenia

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