REVISTA O POVO NOIVAS 03/06/2016 - 16h51

Casamento personalizado

Optar por um casamento temático pode proporcionar muito estilo e momentos divertidos e com um clima todo diferente, tornando esse dia ainda mais especial
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Sabryna Esmeraldo sabryna@opovo.com.br
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Mariah Costa mariahsantosdacosta@gmail.com

Os convidados esperam ansiosos, a música começa, e a noiva chega... de moto! Ou, quem sabe, a união do casal possa ser em um estilo mais “festa no jardim”, de pés no chão, luzes descendo pelas árvores. Quando a ideia é trazer um tema para marcar o momento da cerimônia e da festa de casamento, o ideal é harmonizar elementos da temática às características que compõem a tradição do matrimônio. O mais importante, porém, é que o dia seja a cara dos noivos.

Ao som do rock'n'roll
Motocicletas Harley Davidson, vestidos e ternos pretos, tatuagens expostas, caveiras e Guns n’Roses. O que todos esses elementos têm em comum? O casamento de Edson e Monique Feitosa, que aconteceu no dia 12 de novembro de 2015. Juntos desde 19 de abril de 2012, o casal escolheu o tema Rock Glam para o seu enlace, também inspirado nos anos 1920. “Uma viagem no tempo onde tudo era mais romântico e intenso!”, de acordo com a noiva. Quando se conheceram, em 2012, devido à prática do longboard, os dois logo se tornaram amigos e, um mês depois, passaram a ser inseparáveis. O pedido de casamento foi feito em uma data especial para a noiva, a véspera de Natal, enquanto os dois visitavam os pais dela nos Estados Unidos.
O tema do casamento foi definido desde o pedido, já que ambos são apaixonados pelo rock e apreciam o estilo vintage e clássico. Monique conta que, no início, o plano do casal era realizar um casamento no exterior, porém, devido à inviabilidade da presença de todos os convidados, uma alternativa foi buscada. “Como sonhávamos com um casamento ao ar livre, a Serra de Guaramiranga foi ideal”, afirma. A cerimônia ocorreu no Hotel Vale das Nuvens, com uma vista de tirar o fôlego, ao pôr-do-sol.
Estilo e personalidade
Em cada detalhe, o casal deixou transparecer seu estilo, dando ao casamento a personalidade de ambos. Desde o convite, com elementos em preto e branco, além de caveiras e arabescos, até as vestimentas dos noivos, tudo estava conectado ao Rock Glam. Foi pedido aos convidados e padrinhos que todos usassem preto. O vestido da noiva, em um tom de rosa claro, deixava à mostra suas tatuagens, com os ombros cobertos por spikes prateados e pedras. O traje da dama de honra, inspirado nos anos 1920, combinava em cor com o da noiva e possuía detalhes em pérolas.
A noiva chegou à cerimônia com o pai, em uma motocicleta Harley Davidson, ao som da música November Rain, da banda Guns n’Roses. Já a entrada do noivo foi marcada pela canção tema do filme Poderoso Chefão. Outro detalhe especial foi a celebração do enlace, feita pela amiga e madrinha do casal, Bárbara Almeida. A decoração com flores importadas foi assinada por Jacqueline Kato. “Também tivemos um jantar à la carte no Restaurante Mango nas Nuvens com a belíssima louça da Acervo WP”, conta Monique. A festa foi ao som de blues e jazz na voz de Gisele Café.
O casamento foi íntimo, com poucos convidados que viram em toda a festa a personalidade dos noivos. Todos ganharam uma diária no Hotel Vale das Nuvens, prolongando a experiência do grande dia de Edson e Monique que, com o casamento temático, mostrou que o mais importante não é seguir o tradicional, mas sim o estilo dos noivos e de sua relação, “tatuado” em cada detalhe.
Hippie Chic
Um casamento com as informalidades do estilo europeu e uma pegada hippie chic. É dessa forma que a arquiteta, artista plástica e fundadora da empresa Duo Design, Joana Salle, descreve a cerimônia de seu casamento com a médica Luciana Patrício. “Eu e a Lu somos muito low profile, desligadas de telefones, da rapidez dos dias contemporâneos. Amamos dias mais leves, com os ‘dogs’, pés no chão. Era essa energia que queríamos para o nosso dia”, explica Joana.
Amigas por mais de dez anos antes de o romance começar, o casal teve sua história permeada por muitos momentos especiais, entre eles, o pedido de casamento, que, inclusive, já tinha um pouco do tema que elas trariam para o dia da cerimônia. “Estávamos em Fernando de Noronha, numa praia, prestes a mergulhar, quando me vem, flutuando no mar, um barquinho de papel com duas alianças dentro, amarradas. Foi lindo, morri com a surpresa da Luciana, nem esperava”, conta Joana. O que Luciana não poderia esperar, é que a namorada também pretendia pedi-la em casamento naquele dia. “Fiquei bem quietinha e, logo depois que mergulhamos, no fundo do mar transparente de Noronha, coloquei um par de alianças amarradas a uma âncora numa pedra. Chamei a Lu para ver e morremos de rir”.
No dia 30 de maio do ano passado, Joana e Luciana casaram no civil. “No cartório, no papel, com todos os nossos direitos adquiridos. Foi muito importante, emocionante, uma vitória”, afirma Joana. Depois, conforme explica a arquiteta, o estilo da cerimônia, realizada no dia seguinte, foi se construindo naturalmente. “O casamento foi tomando forma, totalmente fora de qualquer tendência existente, novidades ou modismos. Sem desperdícios e coisas supérfluas”, descreve.
Casamento a muitas mãos
Os cerca de 80 convidados aguardavam embaixo do grande cajueiro, onde o casal iria oficializar a união, por volta das 16h20. O cenário era a pousada Casa Lagoa, em Paracuru, praia que Joana conheceu com Luciana e na qual a artista encontrou o farol que tanto aparecia em suas obras, sem que soubesse de onde havia tirado a referência. “Era igual, era um sinal, vi que meu futuro estava lá, o nosso norte. Foi surreal”, conta.
Pelo alpendre, as redes armadas pareciam convidar amigos e familiares do casal para um momento de descanso. Já pelo jardim, lounges de esteiras e almofadões brancos adiantavam o clima que a festa teria. Distribuídos ainda pelo espaço, obras de arte de Joana, uma área com papéis e tintas para as crianças desenharem e um pequeno correio, com selos, papel e canetas, para os convidados mandarem mensagens às noivas.
Completando o clima da cerimônia intimista, uma instalação, feita por Joana, com pérolas e luzes, descia pelas árvores, logo na entrada do jardim. E, mais à frente, flores e sinos dos sonhos decoravam o altar, aonde as noivas chegaram acompanhadas por suas mães, seguidas pelos olhares atentos e emocionados de seus convidados (alguns com seus pets, já que o casamento foi dogfriendly!).
Para o grande dia, elementos como o beauty das noivas, a mobília, as flores, o cerimonial, a decoração, os chocolates e o bolo foram feitos ou cedidos por amigos e familiares, dando ainda mais significado para o casamento. “O Dj Mychel Castro, especializado em Jazz 100% no vinil, levou a festa a noite toda na radiola, transportou os convidados para cenas dos filmes de Woddy Allen. O cardápio, bem sem frescura e a nossa cara, foi desenvolvido pelo chef Rafael Sudatti, recém chegado de Fernando de Noronha, meu cunhado”, detalha a artista. Nas mesas, peças de cristal da Chopard (acervo da senhora Wilma Patrício, avó da Luciana), barquinhos de papel, garrafinhas e potinhos reciclados. “Adoro esses extremos, que juntos e misturados, dão um brilho original a festa. Foi um casamento a muitas mãos”, afirma Joana.
Emoção
O cardápio da festa que viria depois também teria seus diferenciais, uma vez que ia da cajuína ao champagne, das ostras ao carrinho de churros. Mas o clima que os convidados curtiram naquela tarde foi construído já pela emoção da cerimônia. Vestidas em tecidos leves, com tatuagens aparentes, de pés no chão e cercadas de gente do bem, conforme descrevem o momento, Joana e Luciana tiveram à frente da cerimônia o seu orador espírita. E, para emoção de todos os presentes, no final, a mãe de Joana entrou, citando um poema e dando a benção à nova família.
“Aquilo foi emocionante, porque o casamento gay não é algo muito habitual para algumas gerações mais antigas. Tudo é muito novo pra eles. Como meu pai, ex-militar, não entende muito bem o mundo moderno e não conseguiu estar presente, minha mãe teve um papel importantíssimo nesse momento de nos receber como família. Foi lindo”, relembra a artista. Ao som de Felling Good, de Nina Simone, na saída, as noivas caminharam sob corações de feltro vermelho que eram jogados pelos convidados. “Foi tudo muito suave e a cara de casamento no jardim de casa. Sempre tive o desejo de mostrar que casar pode ser gostoso, leve, não precisa ser uma fortuna e pode ser cheio de significados”, explica a arquiteta.
Para finalizar a cerimônia, de uma forma que ninguém poderia imaginar, um arco-íris surgiu no céu de Paracuru. “O amor tem essa força, levou muito gente de outras gerações a ver o nosso amor pela primeira vez e testemunhar tudo isso de forma natural. Foi incrível, foi tudo do jeito que tinha que ser”, afirma Joana.

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