PERDA AUDITIVA 19/09/2016 - 12h57

Você sabia que a perda auditiva pode ser motivo de depressão?

Recorrente em pessoas com mais idade, a perda auditiva, muitas vezes, pode causar isolamento, vergonha e tristeza
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Sabryna Esmeraldo sabryna@opovo.com.br
Shutterstock/Alexander Raths
Perda auditiva pode ser motivo de depressão em idosos

Vergonha de pedir para que as pessoas repitam o que já disseram, sentimento de dependência, receio de usar aparelhos auditivos e um consequente isolamento são algumas das razões pelas quais um quadro de perda auditiva pode ser motivo de tristeza para muitos idosos. “As perdas inerentes ao processo de envelhecimento podem ser de difícil aceitação ou compreensão, gerando angústia e sofrimento, fazendo com que o próprio idoso, muitas vezes, desvalorize a si mesmo, compreenda a perda como o seu declínio e perca o ânimo em viver e cuidar da própria saúde”, explica Lílian Alves Costa (CRP11/09566), psicóloga clínica e especialista em neuropsicodiagnóstico.

Parcela da população mais afetada pela perda auditiva, pessoas na terceira idade tem, ainda, a resistência ao uso de aparelhos auditivos como outro ponto que agrava o quadro. “Alguns têm muito resistência, dizem que não querem, que é por questão de estética”, conta o otorrinolaringologista Renato Ponte (CRM 14248). De acordo com o médico, o período de adaptação, acompanhado sempre por um fonoaudiólogo, é um dos momentos de maior índice de resistência. “Esse período é de ajuste do aparelho e, às vezes, faz um barulho chato, é isso que tem que ser ajustado. Mas é quando muitos desistem”, afirma, informando que o processo de adaptação, em geral, varia entre um e dois meses. Nesses momentos, apoio de familiares e amigos próximos é fundamental.

Shutterstock/pathdoc
A resistência ao uso do aparelho auditivo é outro obstáculo

Apoio
O primeiro passo, então, para evitar o isolamento do idoso e perceber se ele está internalizando esse problema é a atenção de parentes e amigos a algumas de suas atitudes. Ouvir e não entender o que foi dito, pedir para que as pessoas repitam o que disseram e ouvir aparelhos eletrônicos em volume alto podem ser sinais. Perceber o idoso desinteressado em suas atividades costumeiras ou sem ânimo em relação ao convívio social são outros fatores apontados por Lílian.

“Estar atento e próximo ao idoso é fundamental para que ele se perceba, mesmo permeado por um contexto de perdas, como uma pessoa ainda capaz de contribuir no contexto familiar e social”, afirma a psicóloga. Dar espaço ao idoso, ouvir suas histórias não infantilizá-lo são pontos de grande importância. Fazer com que os mais novos percebam as capacidades e as limitações do idoso é outra iniciativa aconselhada, para que não haja menosprezo em relação à vida do idoso e, sim, uma compreensão do envelhecimento como um processo natural e permeado por diversas mudanças.

“Assim como em todas as questões relacionadas à saúde do idoso, o auxílio e a presença de familiares ou pessoas próximas do seu convívio se fazem fundamentais”, destaca Lílian. No caso do uso do aparelho, demonstrar-se atento e disposto a ajudar o idoso com tecnologias que ele provavelmente ainda não entende é muito importante tanto para sua compreensão sobre o funcionamento do objeto quanto em relação à importância de seu uso. “A própria valorização do idoso também figura como um auxílio em sua relação com as tecnologias aliadas à sua saúde e ao seu convívio social, fazendo com que ele perceba a importância de manter-se ativo e saudável”, afirma a psicóloga.

Perda auditiva
No caso de idosos, em geral, a perda auditiva é causada pelo envelhecimento de células da cóclea, é a chamada presbiacusia. Fatores genéticos, de hereditariedade, entretanto, também influenciam. “Sempre perguntamos aos pacientes se eles têm alguém da família que também apresente perda auditiva. Se sim, já ficamos mais atentos e costumamos pedir uma audiometria anual, dependendo do caso, para monitorar essa perda”, conta o otorrinolaringologista Renato Ponte.

Já a indicação de uso de aparelhos auditivos é motivada principalmente pelo nível de incômodo do paciente com o grau de perda. “A perda pode ser leve, moderada ou profunda, mas, a partir do momento em que o paciente se sentir incomodado, está se sentindo excluído, a gente já encaminha para adaptação da prótese auditiva”, afirma o médico. Ponte destaca, ainda, que aqueles que seguiram em frente com a adaptação, ganharam muito em qualidade de vida. “Tem paciente que não quer largar por nada. Ele volta ao convívio social, então não quer outra coisa.”

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