TRATAMENTOS 09/09/2016 - 11h48

Conheça outros usos do Botox®

Indo muito além do âmbito estético, a toxina botulínica A já é utilizada no tratamento de problemas neurológicos diversos e de outras doenças
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Sabryna Esmeraldo sabryna@opovo.com.br
Shutterstock/Nikolay Litov

Desde 2011, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) libera o uso da toxina botulínica A no tratamento de enxaqueca crônica em adultos. A eficácia do uso da substância nesses casos foi atestada na pesquisa Preempt (Phase III Research Evaluation Migraine Prophylaxis Therapy with Botulinum Toxin Type A), realizada nos Estados Unidos. De lá para cá, vários outros tratamentos para doenças neurológicas já inseriram o uso da toxina em seu procedimento. No Ceará, esses procedimentos já estão disponíveis em hospitais públicos, clínicas particulares e também por convênios.

Ampla utilização
Exemplos de doenças neurológicas cujo tratamento já inclui o uso da substância são: blefaroespasmo (contrações involuntárias dos músculos orbiculares, com fechamento forçado ocular alternando com fechamento normal ocular bilateralmente), distonia focal da mão como câimbra do escrivão, tremores vocais e disfonia espasmódica (voz forçada ou estrangulada ou, muitas vezes, com interrupções).

Mas a aplicação da toxina se expande, ainda, para o tratamento de doenças como: estrabismo (desalinhamento dos olhos apontando em diferentes direções), hiperidrose (produção excessiva do suor), bexiga hiperativa (contração excessiva da bexiga, provocando o aumento da frequência de idas ao banheiro de forma urgente), sialorreia (hipersalivação), distonia oromandibular, tiques (movimentos involuntários repetitivos e intermitentes) – quando não respondem à terapia convencional – e tremores de mãos – que não melhorarem com medicação.

“Está em estudo experimental o uso de toxina botulínica nas dores musculoesqueléticas e em artrite (dores miofasciais com pontos de gatilho)”, aponta Patrícia Arraes (Cremec 5723), neurologista com especialização em neuroradiologia e uso da toxina botulínica em neurologia.

Eficácia
De acordo com Patrícia, o uso da toxina botulínica trouxe uma resposta muito satisfatória e gratificante. “Conseguimos que o paciente se torne o mais independente possível, restabelecendo suas atividades de forma gradativa, com melhora na qualidade de vida, trazendo-o de volta à sociedade, ao seu trabalho, com outra perspectiva”, afirma. A médica destaca, ainda, que é necessário um período de cerca de 72h para que se inicie a ação da toxina botulínica e deve-se respeitar o período mínimo de três a quatro meses entre cada aplicação.


ATUAÇÃO
Conheça mais exemplos de doenças neurológicas cujo tratamento já inclui o uso da toxina botulínica, e entenda como a substância atua em cada caso:

Shutterstock/g-stockstudio
Desde 2011, a Anvisa permite o uso da toxina botulínica no tratamento de enxaqueca crônica

Enxaqueca crônica
Crise de dor de cabeça por 15 dias ou mais durante o mês, com duração de mais de quatro horas, por mais de três meses, a enxaqueca crônica geralmente atinge pacientes com quadro de dor refratária em uso de medicações abusivas e com baixa qualidade de vida. De acordo com a neurologista Patrícia Arraes, nesses casos, a toxina botulínica age bloqueando a liberação de substâncias (glutamato e neuropeptídeos) que causam maior inflamação neurogênica e sensibilização das fibras nervosas. “A toxina entra nessa ‘cascata’ de dor, bloqueando-a, além de causar relaxamento dos pontos musculares (pontos de gatilho)”, explica.
    
Espasticidade
Recorrente em pacientes que sofreram acidente vascular cerebral (AVC), traumatismo craniano, lesões medulares, paralisia cerebral e em portadores de esclerose múltipla, a espasticidade provoca rigidez nos músculos, causando dificuldade na mobilização e posturas viciosas, devido à contração involuntária dos grupos musculares. Nesse caso, a toxina botulínica impede a liberação da acetilcolina nas terminações nervosas, facilitando a movimentação muscular, melhorando a postura e a dor. “Devemos enfatizar aqui o comprometimento de pacientes e familiares em realizar, associado à toxina, terapias de suportes, como fisioterapia e terapia ocupacional”, alerta Patrícia.

Distonia
Caracterizada por contrações musculares involuntárias, similares a um torcicolo constante, os espasmos gerados podem afetar uma única parte do corpo, como olhos, pescoço, braços ou pernas; duas partes vizinhas, como pescoço e braço; um lado inteiro do corpo ou praticamente o corpo todo. A aplicação da toxina é feita nos músculos que estão causando a contratura e os espasmos da musculatura cervical, o que leva às posturas anormais. “O uso da toxina botulínica se constitui no tratamento mais eficaz para esses quadros. Ela age impedindo a liberação da acetilcolina, que ocasiona a paralisia, com o relaxamento das fibras musculares atingidas e a restauração da postura de cabeça e pescoço, associada ao alívio da dor”, explica a neurologista.

Espasmo hemifacial
Confundido com frequência com um possível tique nervoso, o espasmo hemifacial é um distúrbio involuntário do movimento da face, que gera a contração excessiva de um lado do rosto. Avaliar a harmonia da face e marcar os grupos musculares que estão hipercinéticos, contraídos com espasmos é o primeiro passo do tratamento. “A toxina causará a inibição da liberação da aceticolina nas terminações nervosas e, posteriormente, o relaxamento dos músculos acometidos. Vale ressaltar que devemos aplicar não somente na face acometida, pois assim a paciente ficaria desarmônica, com a face assimétrica. Aplicamos também no outro lado, para manter o mais simétrico possível”, destaca Patrícia Arraes.

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