Saúde & Beleza 18/08/2016 - 15h03

Quando os óculos não resolvem

No Brasil, o segundo maior procedimento cirúrgico que envolve tecido humano é o transplante de córnea. A técnica é responsável pela correção de problemas oculares graves, como leucoma e úlcera corneana
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Daniel Costa danielcosta@povo.com.br
Foto: shutterstock

Acidentes caseiros, doenças e infecções bacterianas. Estes são alguns dos motivos que podem prejudicar a saúde do olho. Em casos mais graves, como o diagnóstico de ceratocone, que afeta o formato e espessura da córnea, provocando distorções na visão, o paciente pode passar por um procedimento chamado de transplante de córnea. Segundo Dácio Carvalho, oftalmologista e coordenador da Residência de Oftalmologia do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), essa técnica é utilizada quando o paciente não apresenta uma boa visão usando lentes corretoras, como óculos. "A cirurgia consiste em substituir uma porção (doente) de um paciente por uma córnea sadável, a fim de melhorar a visão ou corrigir perfurações oculares", afirma.

Após o procedimento, que dura, aproximadamente, uma hora, o paciente exige uma atenção médica durante um ano. “Nesse período, o médico indica o uso de um colírio especializado, que, geralmente, apresenta corticoide”, ressalta Carvalho.  Além disso, o paciente também deve evitar fazer algumas atividades na rotina, como dirigir e se expor ao sol.  Mas antes de passar pela mesa cirúrgica, Carvalho conta que é necessário fazer vários exames clínicos, como ultrassom ocular e microscopia especular, e se cadastrar na fila de espera do Banco de Olhos do Ceará, responsável pela distribuição do tecido no Estado. “No Ceará, o tempo médio de espera para receber uma córnea é de seis meses. Chegando nesse prazo, o médico, que é responsável pelo paciente, recebe uma ligação do Banco de Olhos para agendar o dia da realização do procedimento, que acontecer dentro de sete dias”, revela.

Transplante de córnea no País
No Brasil, uma das técnicas mais utilizadas na oftalmologia é o transplante de córnea. Segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), de 2016, o País realizou 3.471 procedimentos no primeiro trimestre deste ano, número menor apenas que o transplantes de ossos, com total de 4.102 no período. Nessas estatísticas, o Ceará é o quarto estado que mais faz transplantes de córnea no Brasil e o primeiro do Norte e Nordeste entre 24 estados que realizam esse procedimento no país.

Ainda conforme essa pesquisa, o Estado realizou 220 transplantes de córnea e foi superado por São Paulo (1.291), Minas Gerais (254) e Paraná (230). Proporcionalmente, o Ceará realizou 98,8 transplantes de córnea por milhão da população (pmp), atrás do Distrito Federal (153,7), Goiás (123,4) e São Paulo (116,3). “O Ceará apresenta uma excelente capacidade de execução de transplante de córnea. Então, temos bons médicos e equipamentos. Mas mesmo assim, recebemos poucas doações de córnea no Estado”, afirma Dácio Carvalho.

Como receber uma “visão nova”

Para realizar o transplante de córnea, o paciente precisa fazer um cadastramento em algum Banco de Olhos do Brasil. No Ceará, existem três lugares: o HGF, o Instituto Dr. José Frota (IJF) e a Santa Casa de Misericórdia, em Sobral. Confira:

•    Solicitar ao médico a indicação sobre onde encontrará o formulário para se inscrever no Banco de Olhos;
•    Preenchido o formulário em instituição credenciada, o paciente deve levar o documento ao Banco de Olhos de seu Estado e inscrever-se como candidato a receptor de córnea. A fila é única para cada Estado;
•    Uma vez inscrito e presente na fila, o paciente vai aguardar o Banco de Olhos avisar ao hospital que encaminhou a solicitação. Esta instituição é que irá avisar o paciente quando chegar a sua vez de realizar o transplante por disponibilidade de córnea.

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