Ecodesign e handmade 24/02/2016 - 16h37

Design feito à mão

A busca por peças exclusivas faz com que o trabalho manual seja cada vez mais valorizado. Quando esse conceito se rende ao desafio da sustentabilidade, o resultado são peças únicas e de valor inestimável, sobretudo para a natureza
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Lua Santos lucianasantos@opovo.com.br
Silas de Paula
Moda feita à mão por Jô de Paula

A delicadeza do trabalho manual encanta gerações. Seja na moda, na decoração ou nos acessórios, os produtos feitos à mão ganham status de haute couture e saem do antigo estigma de produto de feirinha. Talvez resida aí um dos maiores desafios daqueles que resolvem adotar o artesanato como trabalho. “[Os desafios] são vários. Os principais são achar o seu público e ter uma relação de parceria e respeito pelas artesãs. No primeiro caso, você tem que ter lojas e clientes que valorizem esse trabalho e que deem o valor merecido, pois são peças que demoram a ser feitas, em pequenas quantidades, praticamente joias exclusivas, já que cada uma é única e tem a marca da artesã”, ressalta Jô de Paula, designer que trabalha, atualmente, em sua marca própria de bolsas e roupas.

Alicerçada pelo conceito de slow fashion, todos os produtos de sua coleção nova intitulada Metropolis são 100% feitos à mão. E para Jô de Paula, mais do que uma forma de ganhar dinheiro, criar artesanalmente acaba sendo um resgate histórico de si mesma. “Acho que o trabalho manual me remete à infância. Minha avó era do interior do Espírito Santo e costurava, bordava, fazia flores de tecido, tapetes de fuxico, crochê. É pura memória afetiva para mim”, relembra a artesã.

Ethi Arcanjo
Acessórios de cabelo com design exclusivo

Design na cabeça

Na mesma mão criativa está a designer Jomara Cid. Atuando no segmento de acessórios, Jomara desenvolve artigos de chapelaria e adereços para cabeça como casquetes, tiaras e outros. E seu fascínio em relação ao seu trabalho reside exatamente na exclusividade que ele pode oferecer. “Eu resolvi trabalhar com a alta chapelaria, que é a chapelaria couture. Essa coisa de personalizar me fascina mais.”

Segundo Jomara, a chapelaria é um constante exercício de criação, principalmente no tocante a materiais. “A gente não tem essa de só trabalhar com esse material. A gente cria milhares de possibilidades. Estou muito aberta sempre a trabalhar com todo tipo de material, desde um leque de madeira que jamais poderia virar um arranjo de cabeça até um feltro que é bem típico da chapelaria.” Com isso, ela traz à tona diferentes usos de materiais como rendas, crochês, tricôs e outros.

Ethi Arcanjo
A arte em madeira e chifres de Roberto Dias
 

Do rústico ao ecologicamente chique

Trabalhando primordialmente com chifre e madeira, o designer Roberto Dias escolheu transformar materiais considerados subprodutos e resíduos sólidos em objetos artísticos. “Vamos trabalhar isso e transformar em algo que seja útil, que tenha um design que você possa aplicar no seu dia a dia”, explica.

Apaixonado por materiais rústicos e reconhecido por misturá-los em seus itens de decoração e acessórios como colares, anéis e pulseiras, Roberto justifica que não abre mão de trabalhar de forma artesanal, “porque o artesanal é o que faz com que a peça seja única. Um chifre não é igual ao outro. Não tem como ser igual.”

Ateliê Criativo Brasil

Uma iniciativa do Sebrae-CE em parceria com o Dragão Fashion Brasil e a Casa Cor Ceará é o Ateliê Criativo Brasil. O projeto visa desafiar artistas e designers a trabalhar, de forma criativa, a matéria-prima residual das empresas de moda. “Entende-se por resíduos sólidos todo aquele material que cai embaixo da minha mesa de trabalho. Por exemplo, se eu tenho um pedaço de cinco centímetros de madeira, mas utilizo apenas três centímetros, o que sobra é considerado resíduo”, explica o designer Roberto Dias.

A finalidade é conseguir reduzir a quantidade de descarte dessas empresas ao mesmo tempo em que o processo criativo do design sustentável é trabalhado. Com isso, os artistas podem passar a ver com outros olhos o que antes era descartado. “Quando você compra uma quantidade X de pedras e chega um momento em que aquelas pedras estão prestes a acabar e você vai ao seu fornecedor e ele não tem mais. O Ateliê Criativo me fez ver isso: o que eu descartava e hoje tento usar para criar novas peças”, destaca a artesã Jomara Cid.

Sustentabilidade em primeiro lugar

Com o design sustentável no DNA, a estilista Isabela Capeto leva para sua marca e coleções o conceito de reaproveitamento. Para a estilista, consciência sustentável na moda é algo que deve ser obrigatório em toda a cadeia produtiva do segmento. E ainda segundo Isabela, o público é bastante receptivo, e inclusive pede por produtos que sigam esse conceito.

 

A estilista foi escolhida para assinar o projeto Ecodesign, realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) em parceria com o Sebrae/NA, na qual desenvolveu uma série de artigos sob a inspiração das novas possibilidades de criação de produtos de moda em uma rede de produção sustentável. Reunindo criatividade, vocações regionais, pesquisas tecnológicas e o reaproveitamento para busca coletiva de um design que articule propósitos pautados pela sustentabilidade, o saberes Manuais segue trilhando o caminho para o novo luxo. Em entrevista, ela fala sobre a importância do projeto e a experiência de participar dele.

Como foi receber o convite para atuar como parceira de um projeto como esse?

Nossa, eu adorei! Me dá muita satisfação saber que estou fazendo a minha contribuição com um projeto de ecodesign.

É possível criar peças 100% comerciais com materiais sustentáveis ou não há essa possibilidade e/ou interesse?

Super existe esta possibilidade. Essas peças do InspiraMais são mais conceituais porque é uma feira de tendências, onde lançamos o novo. Mas se o cliente quiser, é super possível desenvolver peças comerciais.

Quais materiais são usados no projeto Ecodesign?

Couro, ovelha, lona, algodão, rã, pirarucu e cobra. Tudo com acabamento vegetal.

Qual é a importância do Ecodesign para o produtor?

Acho que o Ecodesing ajuda o produtor a começar a pensar diferente, com uma cabeça mais sustentável, o que é fundamental nos dias de hoje. 

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