Estilo de Vida 08/09/2016 - 15h25

BDSM: Prazer Fora da Caixa - parte 2

Como desconstruir ideias e preconceitos em relação às práticas diferentes que envolvem a sexualidade no BDSM? Conhecendo mais sobre o assunto
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Lua Santos lucianasantos@opovo.com.br
Fotos: Ethi Arcanjo

Pensar e aprender sobre BDSM – acrônimo para bondage, dominação-submissão, masoquismo – é se soltar de algumas amarras e compreender algumas diferenças entre vida social e íntima. Como mulher, confesso que tive sérios problemas em ver outra mulher sendo dominada. Como algo assim poderia acontecer em tempos de “primavera feminista” e Lei Maria da Penha? E são a switcher Giselle Caldas e Elizabeth Rodrigues, a Rainha Frágil, que me esclarecem a situação. “A submissão cultural é diferente da submissão erótica”, Giselle explica.

Com essa frase delas pude compreender que sim, a submissa erótica é uma mulher empoderada. Foi escolha dela e apenas dela estar naquela situação. Aliás, a escolha dos papéis no jogo do BDSM costuma ser tão definida que Giselle, enquanto switcher – que encarna o papel de dominadora e submissa – sofre preconceito mesmo dentro da cena. “Já vi muitos dominadores dizerem ‘não existe switcher’ ou ‘não admito switcher’.”

“Mas a pessoa vai bater? E o homem vai apanhar de mulher?” Perguntas assim são típicas de quem não conhece o BDSM, e eu mesma me vi pensando coisas parecidas. E foi Servo – personagem cuja identidade foi preservada - quem esclareceu o que sente ao ouvir sobre “apanhar” de mulher. “[Essa expressão me] Remete à consensualidade. Se houver, se for de forma responsável e se o cara estiver curtindo, então, beleza. Se não, então, que deixe a vergonha de lado e que procure ajuda ou até a polícia.” E ele ainda faz questão de deixar claro o porquê de usar o termo vergonha: “Porque sei que a imagem social de um homem que apanha de mulher é jocosa.”


O caminho é o entendimento
Conversei com uma psicóloga e terapeuta sexual Zenilce Bruno para entender um pouco mais sobre outros aspectos desse assunto. A especialista explicou que “Algumas pessoas não usam as práticas diversificadas de sexualidade. Sexualidade não é sexo. Sexo é quando a gente está falando de genitalidade, de coito. A sexualidade é tudo que vivemos. A gente está vivenciando um momento de sexualidade porque estamos falando do tema. Mas, na realidade, algumas pessoas não têm nem o intuito de ter uma relação sexual propriamente dita, mas de curtir o momento erótico, de diversão, de brincadeira, uma forma diferente de erotismo. E as pessoas vivem muito bem.”

O importante a destacar é que, socialmente, quem domina ou quem se submete, é apenas mais um na multidão. “No dia a dia, eu sou ‘sociável’, digamos assim. Eu peço favores, cumpro deveres, pago para ser atendido etc. Sou respeitador, executo meus papéis e minhas tarefas de forma satisfatória e exijo ser bem tratado de volta”, ressalta Servo. Outro ponto em comum é a sensação da exercer plenamente a própria sexualidade que os praticantes têm. “Quando passei a realizar minhas fantasias de submissão/ masoquismo erótico, passei a me curtir mais. Tornei-me uma pessoa mais espontânea e aberta a novas experiências. Minha autoestima melhorou, foi uma experiência libertadora”, completa ele.

A curiosidade sobre o tema é grande. E após o livro e o filme 50 Tons de Cinza, a discussão sobre BDSM veio à tona. Mas, o que fazer quando a pessoa ainda não se descobriu? Por onde começar a procurar? A internet é grande aliada e a busca por informações é primordial. “Todas as práticas têm risco, então todas têm que ser aprendidas, estudas. É bom sempre ter um grupo, se proteger inclusive dentro dos grupos”, aponta Beth Rainha.

Conheci a Rainha Frágil e os demais personagens através justamente de um desses grupos, o BDSM CE, no Whatsapp. Nele, os participantes tiram dúvidas, trocam informações, interagem. “Sempre que a pessoa marca alguma coisa, é bom perguntar se alguém conhece fulano. Na hora em que você estiver num quarto com alguém que te prendeu, te amarrou, não vai ter saída. Então, antes desse momento, você precisa ler bastante, conhecer pessoas, conversar muito e depois que você vai para a prática. Nesse meio-tempo, você vai se descobrindo”, finaliza Beth.

Assista a primeira parte da reportagem aqui

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