Estilo de Vida 06/09/2016 - 16h16

BDSM: Prazer fora da caixa

Correntes, chicotes, palmatórias, humilhações. O que o universo da Bondage, da Dominação, da Submissão, do Sadismo e do Masoquismo ou, simplesmente, do BDSM tem?
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Lua Santos lucianasantos@opovo.com.br
Fotos: Ethi Arcanjo

Quando resolvi escrever sobre o assunto, eu mesma sabia apenas o significado da sigla e mais alguma coisa dessas que lemos na internet. Nem de longe acreditei que pudesse ser algo como “50 Tons de Cinza”, mas a curiosidade era grande para descobrir esse universo de possibilidades.

Encontrei Elisabeth Rodrigues. A aparência doce e tranquila dela nem de longe passa a ideia de que ela é referência em dominação. Sim, Beth é Rainha, mais especificamente, Rainha Frágil, como é conhecida. E ao lado de outros papeis como Dominadora, Sádico, Submisso, Masoquista, é um dos que podem ser assumidos nesse estilo de vida que é BSDM. Para começar, foi ela quem me explicou que BDSM não é necessariamente sexo. “[BDSM] É a minha maneira de expressar e viver a minha sexualidade, a forma como me relaciono sexualmente. Para mim, dentro dessa ótica, é sexo sim. Porém, se como sexo se entende a necessidade do intercurso pênis-vagina ou pênis-ânus, aí talvez grande parte das práticas BDSM não se encaixem na definição. O que posso dizer é que temos muito prazer e muitos orgasmos.”

E foi através dela que conheci outros personagens do mundo no qual o prazer traz um quê de sofrimento. Bertazzo é dominador. Giselle, uma switcher. E Servo – personagem cuja identidade foi preservada -, que como o nome diz, é escravo. E aprendi, de início, que uma sessão de BDSM é o momento em que quem domina e quem se submete realizam as práticas – amarrações, tapas, chicotadas, todo o repertório que os dois tiverem.

Tudo o que acontece durante a sessão é previamente acordado e nada pode ser mudado enquanto ela se realiza. Ou seja, uma negociação para a sessão pode levar muito tempo.  “Para que a relação funcione é preciso muita franqueza entre os envolvidos. É preciso que todos tenham muita clareza sobre expectativas, desejos e limites de si e do outro. Em BDSM não há espaço para joguinhos, quanto mais diretos forem os parceiros, mais bacana fica a relação”, ressalta a Rainha. E, ao contrário do que muitos pensam, BDSM não é sinônimo de preliminar. Ou seja, não necessariamente há sexo enquanto penetração ao final da sessão.

Segurança antes de tudo
O que mais chama atenção sobre o BDSM é que, para quem está de fora, parece tudo um tanto absurdo e violento. Porém, descobri que os reais BDSMers respeitam em absoluto determinadas regras que permeiam cada prática. A sigla SSC – são, saudável e consensual – rege qualquer atividade e a palavra de segurança ou safeword é lei quando mencionada. A sessão para imediatamente. E não retorna, a menos que quem a pronunciou assim o queira.

Eu, baunilha – designação dada aos não-praticantes do BDSM – fui aprendendo que não é simplesmente uma questão de bater ou apanhar. E que não há dominador sem o consentimento expresso de um submisso.  “[Ser dominador é ter a] sensação de poder consentido. A base do poder está na submissa a partir só momento em que ela vê no Dominador alguém suficientemente capaz para dominá-la", explica Bertazzo. Ele concorda que BDSM não é necessariamente sexo, mas afirma que é possível causar orgasmos com práticas como chicotadas em suas submissas.

Glossário do prazer

Baunilha – Pessoa não praticante de BDSM
BDSM – Acrônimo para Bondage-Dominação-Submissão ou Sadismo-Masoquismo
BDSMers – Praticantes de BDSM
Bondage – Ato que consiste na restrição de movimentos, seja por amarrações, uso de algemas, roupas especiais e qualquer outro elemento que deixe a pessoa com os movimentos limitados ou impedidos.
Dominador – Aquele que domina, que subjuga – consensualmente - outra pessoa das mais diversas formas durante a sessão
Práticas – Atividades como dar chicotadas, estapear, humilhar, subjugar, amarrar, enfim, qualquer elemento que envolva dominação-submissão
Sessão – momento em que quem domina e quem se submete realizam as práticas previamente acordadas entre as partes
Submisso – Quem é dominado – consensualmente – ao longo da sessão
Switcher – Aquele que assume tanto o papel de dominador quanto de submisso, de acordo com a situação

espaço do leitor
Cristal Holanda 08/09/2016 08:01
Fantástico, as maravilhas de ser e viver BDSM...
Cristal Holanda 08/09/2016 08:01
Fantástico, as maravilhas de ser e viver BDSM...
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