Revista O POVO Norte 10/05/2016 - 15h04

Luminoso céu de Sobral

Sobral foi a responsável por comprovar, há quase 100 anos, a Teoria Geral da Relatividade, proposta por Albert Einstein. A partir disso, a cidade abraçou sua vocação para a ciência e detém um complexo astronômico
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Janaina Flor janainaflor@opovo.com.br
Telescópio Hubble

A cidade conhecida como Princesa do Norte guarda uma história antiga com o desenvolvimento da ciência astronômica. Foi na Praça do Patrocínio, em 29 de maio 1919, que o mundo comprovou a Teoria da Relatividade Geral, publicada em 1915 por Albert Einstein. Para o feito, um eclipse solar foi observado em Sobral e na Ilha do Príncipe, na África Ocidental, e o estudo feito a partir das informações obtidas do Eclipse em Sobral garantiram a validade da teoria.

Segundo o professor Dermeval Carneiro, responsável pelo projeto dos equipamentos que compõem o Parque da Luz e diretor do Planetário Rubens de Azevedo, em Fortaleza, as ideias do complexo que aproxima Sobral da astronomia começaram a ser desenvolvidas cedo. “Cid Gomes, que era prefeito de Sobral na época, me convidou para montar o Museu do Eclipse, em 1999, e fazer a curadoria científica. Depois disso, eu tive uma ideia e fiz outro projeto para apresentar ao então Governador, que era o ex-prefeito de Sobral Cid Gomes, em 2008.” Carneiro sugeriu que ao lado do museu fosse colocado um observatório astronômico para fazer um complexo e, por último, plantou a ideia de um planetário, completando um parque astronômico e formando Centro de Ensino e Divulgação Científica de Sobral Parque da Luz.

Atualmente o complexo composto pelo Museu do Eclipse, Observatório Henrique Morize e Planetário de Sobral estão fechados para melhorias. O museu passa por uma reforma de recuperação e também espera por uma reposta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional  (Iphan) para tornar o equipamento um patrimônio histórico. O observatório está também em reforma para melhorias. O Planetário passa por uma manutenção necessária, mas deve abrir para visitação do público ainda em abril. 

Cem anos após Einstein
Em 2019 serão comemorados 100 anos da validade da Teoria Geral da Relatividade e Carneiro se sente orgulhoso de também fazer parte dessa história com a criação de projetos e ideias, já que o Ceará é destaque nacional, junto com o estado do Rio de Janeiro, com dois planetários digitais. “Hoje você tem em Sobral um planetário digital, uma sessão com imagens reais de telescópios espaciais. Nós temos a história da astronomia no Ceará, e eu como professor de física e de astronomia tenho que chegar junto para que seja mostrada essa história.”

O professor explica que é necessária a divulgação desse fenômeno, pois durante muito tempo, principalmente no exterior, os estudiosos não consideraram que foi no Brasil o lugar de comprovação da teoria. Contudo, devido ao Ano Internacional da Astronomia, em 2009, muitos astrofísicos brasileiros publicaram livros sobre isso.

Museu do Eclipse
A instalação do Museu do Eclipse foi feita com a intenção de guardar a memória dos eventos do eclipse de 1919, mas também para servir de laboratório vivencial para os estudantes de Sobral e região. No museu é possível encontrar os modelos dos corpos celestes e modelos mecânicos do movimento desses corpos, assim como com o observatório Henrique Morize, construído e estabelecido em conjunto com o Museu do Eclipse. “O planetário de Sobral veio completar esse conjunto, fornecendo educação de forma intensa e inesquecível principalmente para os jovens, que são o nosso futuro”, diz Emerson Almeida, professor do curso de física da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e diretor do Museu.

O Complexo Parque da Luz é composto pelo Museu do Eclipse, Observatório Henrique Morize e Planetário de Sobral

Observatório Henrique Morize
No observatório Henrique Morize são utilizados telescópios e lunetas variadas. O equipamento de maior destaque possui 40 cm de abertura, modelo conhecido por LX200. De acordo com Carneiro, em termos de telescópio amador, o modelo é “o melhor equipamento do Nordeste”. Este aparelho é fixo e abre-se uma cúpula no teto para a observação de planetas, luas, nebulosas e outros astros da galáxia. Além disso, são utilizados telescópios móveis, com abertura de 140mm. 

De acordo com Émerson de Almeida, o ambiente também é espaço de iniciativas de preparação para a Olimpíada Brasileira de Astronomia (Oba), organizada anualmente pela Sociedade Astronômica Brasileira (Sab) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB). O As escolas públicas da região levam estudantes para tirarem dúvidas e terem uma vivência com astronomia antes de realizarem a prova que premia com certificados e medalhas

Quem foi Henrique Morize
Henrique Morize, astrônomo, físico, meteorologista, era o diretor do Observatório Nacional na época do famoso eclipse de 1919, e comandou a comissão inglesa e americana que vieram fazer os trabalhos de observação em Sobral. Ele era casado com uma sobralense e já tinha montado lá também um parque de meteorologia.  O museu, por sua vez, é o único espaço museológico do mundo comemorando a Teoria da Relatividade Geral. A inauguração aconteceu no dia 29 de maio de 1999, justamente nos 80 anos do eclipse.

Planetário de Sobral
As imagens mostradas no planetário são capturas reais do universo e disponibilizas pelo Observatório Europeu do Sul (Eso), Agência Espacial Européia (Esa) ou pela Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica (Nasa). Essas imagens podem ser usadas para entretenimento e difusão da ciência e tecnologia. Algumas também podem ser compradas de laboratórios europeus ou norte-americanos, são montagens que com imagens reais digitalizadas ilustram o espaço. O aparelho tecnológico que faz a exibição das imagens é chamado de projetor planetário. Em Sobral, é utilizado o ZKP3B e um conjunto de projetores digitais fabricamos na Alemanha.

O Planetário de Sobral tem as características de uma sala de cinema: com cadeiras reclináveis e projeção de imagens

Uma exibição de um show de planetário, segundo o professor Émerson de Almeida, responsável pela administração do Planetário de Sobral, tem as características de uma sala de cinema, mas com o diferencial da tela ter forma de uma meia esfera e o ambiente ser montado de modo que o público tenha a possibilidade de estar imerso no que está sendo exibido, com som e imagens de alta qualidade. As temáticas, na maioria das vezes, são associadas à astronomia, mas também é possível assistir shows que versam sobre tecnologia, biologia e geografia. “As pessoas saem maravilhadas com os shows apresentados no planetário de Sobral. Os estudantes, que são nosso principal público, relatam mudanças positivas de atitude em relação à busca de conhecimentos por esses estudantes”, destaca Almeida.

A noite nublada de 1919
O eclipse do sol acontece no dia que a lua nasce junto com o sol e na frente dele, ou na mesma linha, e em algum momento a lua cobre o Sol. Quando isso acontece, aquela latitude da Terra que está vendo a luz do sol naquele momento escurece porque a lua cobre o sol. Isso tem uma faixa no planeta, chamada faixa da totalidade, explica o professor. Durante o eclipse que comprovou a Teoria Geral da Relatividade, essa faixa passava por Sobral, pelo Oceano Atlântico e pela lha do Príncipe na África do Sul. Para o estudo, uma comissão foi para Sobral e outra foi para a África.
As medidas feitas pela equipe de profissionais da astronomia e física que estavam em Sobral foram mais precisas do que as conseguidas na ilha africana. “O que muita gente acha é que na África o céu nublou, não puderam ver, e aqui em Sobral foi possível observar, mas não foi o que aconteceu. Tanto na África como em Sobral o céu nublou, no momento do eclipse o céu abriu e foram feitas as medidas”, explica Carneiro

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