CINEMA. ANÁLISE 10/01/2017

O significado do ouro

La La Land ganhou todos os prêmios possíveis no Globo de Ouro, mas isso não faz dele o franco favorito ao Oscar. Cerimônia foi realizada domingo, 8
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João Gabriel Tréz joaoabreu@opovo.com.br
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La La Land - Cantando Estações bateu recorde de vitórias no Globo de Ouro, mas a situação do musical no Oscar pode ser diferente. Na foto, equipe do filme posa com estatueta do prêmio


O quê o grupo de cerca de 90 jornalistas estrangeiros responsáveis pelo Globo de Ouro tem em comum com a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que entrega o Oscar e é composta por mais de 6 mil membros? Analisando o histórico de ambos, pouco. O Globo de Ouro é um prêmio descontraído, regado à álcool e estrelas. O Oscar, por sua vez, é considerado o maior prêmio do cinema e vende a imagem de seriedade e comprometimento. A entrega de prêmios do Globo de Ouro, no último domingo, 8, ajuda a chamar a atenção para certos filmes, mas não influencia diretamente na corrida ao Oscar.


Um dos principais motivos é que as categorias da premiação diferem das do Oscar pela divisão que têm entre drama e comédia/musical. Isso dá ao prêmio da imprensa a oportunidade de indicar mais atores e atrizes, por exemplo, além de excluir o confronto direto entre os favoritos a Melhor Filme: o musical romântico La La Land - Cantando Estações e os dramas Manchester à Beira-Mar e Moonlight: Sob a Luz do Luar dividem a dianteira. Nas categorias de comédia/musical, La La Land dominou, levando melhor filme, ator para Ryan Gosling e atriz para Emma Stone.


Além das categorias divididas, o filme também levou melhor música, trilha sonora, direção e roteiro – foram sete indicações e sete prêmios, um recorde. Nas últimas duas, o diretor e roteirista Damien Chazelle concorreu diretamente com Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar) e Barry Jenkins (Moonlight: Sob a Luz do Luar). Nas categorias de drama, houve divisão: Moonlight, que narra a história de um jovem negro e gay que precisa lidar com preconceitos e problemas familiares, foi escolhido o melhor filme. Casey Aflleck, protagonista de Manchester à Beira-Mar, ganhou como melhor ator, e a francesa Isabelle Huppert, por Elle, saiu vitoriosa como melhor atriz. Affleck e Huppert são os maiores vencedores da temporada de prêmios e, com as vitórias no Globo de Ouro, devem ser lembrados na lista do Oscar.


As vitórias de La La Land, no entanto, não significam que ele se tornou franco favorito. Em meio às polêmicas de diversidade que atingiram a Academia nos últimos anos, quando nas listas de atores e atrizes constavam apenas pessoas brancas, o movimento na Academia é o de não apenas ser diversa, mas mostrar que é. Isso beneficia diretamente Moonlight, dirigido e protagonizado por negros, que é o filme mais elogiado pela crítica dentre os favoritos.


A “saída” para os membros da Academia, ainda majoritariamente homens brancos acima dos 60 anos, seria apostar na divisão de prêmios, o que aconteceu em três das últimas quatro edições. Dando melhor filme para um e direção para outro, conseguiriam honrar o elogiado drama do estreante Jenkins e valorizar o trabalho do jovem Chazelle, que vem galgando espaço na indústria desde 2014, com Whiplash: Em Busca da Perfeição. Em meio à tarefa esperada de premiar “o melhor” e, especialmente, em tempos de Donald Trump, discussões sobre politicamente correto e representatividade, o Oscar não vai conseguir escapar de ser político.

 

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