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Centenário 09/08/2012

Jorge Amado: eterno retorno

Centenário do escritor baiano movimenta o ambiente literário com uma série de eventos comemorativos, confirmando seu posto de mais popular escritor brasileiro e inspirando novas adaptações de suas histórias
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Eventos em cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador comemoram esta semana o centenário de Jorge Amado, que completaria 100 anos amanhã. O dia culmina uma série de atividades que se estenderam ao longo de todo o ano em homenagem ao escritor baiano, autor de algumas das obras literárias mais populares do Brasil.


Em Fortaleza, o Centro Cultural Banco do Nordeste celebra a data, de hoje a sábado, com exposição, performance, palestra e leituras dramáticas da obra do autor, que faleceu em 2011 (veja a programação dos três dias no texto ao lado).


Entre as comemorações no País, está o relançamento pela Companhia das Letras de toda a obra de Jorge Amado, o que vem sendo feito desde 2008, quando a editora paulista venceu o leilão dos direitos de publicação do autor. O lançamento da caixa especial As mulheres de Jorge Amado – com os romances Gabriela, cravo e canela, Dona flor e seus dois maridos, Tieta do Agreste e Tereza Batista cansada de guerra – e do volume inédito Jorge & Zélia, com cartas enviadas por Amado à esposa e também escritora Zélia Gattai durante seu exílio na Europa na década de 1940, completam o projeto da editora.


Novas traduções em países como Estados Unidos, França e China reforçam também a presença já considerável do escritor no exterior, que é de longe – talvez apenas superado por Paulo Coelho – o escritor mais traduzido da literatura brasileira, com forte influência também em países africanos, notadamente os de língua portuguesa.


“Gerações de poetas e romancistas moçambicanos encontraram em Jorge Amado uma espécie de revelação que os ajudou a questionar e reencontrar uma linguagem dentro da língua comum e a empreender uma descolonização de temas e estilos”, escreveu o romancista moçambicano Mia Couto no posfácio para a nova edição de Tocaia Grande.


Lido e assistido

A linguagem simples e poética, sem arroubos vanguardistas, aliada a temas como a religiosidade e sensualidade brasileira, fizeram de Amado um escritor muito lido num país que não pode desfilar grandes índices de leitura. A razão do fato, quem sabe, foi seguir um conselho dado certa vez por ele mesmo ao então jovem escritor Antonio Risério.

 

“Você não parou para escrever uma obra-prima, e sim um livro. Continue assim. Nunca sente para escrever obras-primas, sente para escrever livros. Isso de obra-prima não deve ser problema seu, mas dos outros. Quem lê é que tem de achar. Faça só o seu trabalho”, lembrou o escritor e ensaísta baiano em texto para o jornal Folha de São Paulo.


Sua literatura inspirou ao longo do século XX inúmeros filmes, novelas e minisséries, o que se repetiu em seu centenário. A exibição da nova versão de Gabriela na TV Globo leva mais uma vez o universo e personagens do autor a um número de pessoas normalmente inconcebível para a literatura no País. Além disso, no final do ano passado, a neta Cecília Amado lançou o longa-metragem Capitães de Areia, adaptação do romance homônimo do avô.


Ainda no audiovisual, os fãs de Amado podem ter em casa em DVD a versão completa de Tieta para a televisão, dirigida por Aguinaldo Silva e protagonizada por Betty Faria.


As adaptações, por sinal, estão presentes nos diversos eventos do centenário. A Bahia concentra várias das homenagens ao escritor esta semana, principalmente em Salvador e Ilhéus. Na capital baiana, Jorge Amado morou por muitos anos no casarão, no Pelourinho onde hoje funciona a Casa de Jorge Amado, que recebe a exposição Jorge Amado e Universal, com fotografias do escritor com parentes e amigos, manuscritos, filmes, correspondências e objetos pessoas do autor. A exposição fica em cartaz até outubro.


Já em Ilhéus, cidade do Sul da Bahia onde Jorge Amado passou a infância e ambientou vários de seus romances, a programação do festival Amar Amado inclui shows de Caetano Veloso, Margareth Menezes e Moraes Moreira.

 

SERVIÇO

 

Jorge Amado: 100 anos de Riqueza Literária

Quando: de hoje a sábado

Onde: Centro Cultural Banco do Nordeste (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro).

Entrada franca.

Outras informações: 3464 3108

 

Programe-se
Confira abaixo a programação do evento Jorge Amado: 100 anos de Riqueza Literária, que acontece de hoje a sábado no Centro Cultural Banco do Nordeste


Quinta-feira

Abertura da exposição Vida e Obra de Jorge Amado, às 17 horas, com fotos históricas, objetos relacionados ao universo ficcional do escritor como o candomblé e o cultivo do cacau, e edições nacionais e estrangeiras de seus livros. A exposição fica em cartaz durante o mês de agosto.

Durante a abertura, a atriz Soraia Falcão apresenta a performance Jorge em Perfomance, acompanhada do violonista e compositor Paulo Branco.

 

Sexta-feira

A professora de literatura Fernanda Coutinho ministra a palestra Dia de Jorge, às 16 horas, sobre os diferentes aspectos e personagens da obra do escritor baiano.

 

Sábado

O programa Literatura em Revista - A Poesia de Jorge Amado promove, a partir das 18 horas, leituras dramáticas da obra poética do autor. A leitura será feita pela professora Siddha Braxas.

 

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