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Guabiras 29/05/2012

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É cada figura besta, boçal, gabola, cheia de si...
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O culto ao belo é a mais nova arma preconceituosa dos últimos tempos. A primeiríssima regra universal da atualidade. Pois qualquer pobre coitado, inclusive eu, junto com toda a prole que odeia fotos e tem gastura de se imortalizar em uma pose qualquer, está totalmente encaixado e apombalhado nesse mais moderno mundo da filosofia online humana. Exagero?


Eh, saudade do tempo em que as meninas arriavam os seus pneus apenas em pretenciosos sonhos à distância. Leonardo de Caprio, Stallone, Ritchie... Mas hoje tudo é sinônimo de aprovação estabacada. Análise química apurada das banqueiras da moda. Ou seja, é melhor se encaixar milimetricamente no quadradinho da digital mais clean do pedaço, ou vai chupar o dedão até ficar roxo!


É cada figura besta, boçal, gabola, cheia de si... Retardadamente conformada de que ela; a cada dia; da última semana; do último post; está arrasando para meio mundo de gente. E quanto mais perversa for a sua grandiosa exposição, maiores serão os frutos da discórdia e da inveja que ela plantará nos imensos campos da Internet. Sim! É extremamente fofo ser ordinária hoje em dia. — Olha como sou excitante e melosa fazendo dengo com a minha boquinha arrogante e um tantinho de decote. Um tantinho sequer. Desavenças à parte, essa presepada nada mais é do que o resultado de uma infinita junção de fenômenos criados pela própria mídia popular. Do pé da Carla Perez para além da ponta do nariz da Gisele Bündchen. Depois progredido para produtos 100% perecíveis como Malhação e Big Brother e guloseimas do tipo Hanna Montana e Jonas Brothers.


Mas não pense que essa história foi totalmente por acaso. Os primeiros genes evoluíram firmemente da antiga filosofia conhecida como “natureza semi-perfeita”. Onde tudo era tradicionalmente pipocado apenas nas grandes lajes de marfim. Vinha com aprovação do selo cu doce de garantia e uma orientação influenciada pelas regras do Manual Básico de Mimos e Fricotes. Até aí tudo bem. Shoppings e festinhas sociais eram quem seguravam o tranco. Mas aí, algum gênio deu o boom das redes sociais, e esses dotes - oh, céus! - saíram do anonimato. Agora quem quiser que aguente. Inspiração e inspirados, até a digníssima e mazelada periferia entrou de cabeça na jogada, com milhões de Rihannas e Carolinas Dieckmanns lotando as lan-houses todo santo dia para espalhar o terror. Ou melhor, divulgar a sua mais nova chapinha. Mas quem disse que não às admiro? Oura! É lógico que sim! E nem é só porque elas realmente sabem fazer pose. Mas também porque aquecem os canais de ventilação do meu cérebro e instigam o mais profundo dos libidos (pra não dizer cócegas no pé da barriga!), sempre que me deparo com alguma postagem nova enfeitando o meu trajeto.


Mas, esperai! Se for para a criaturinha se tornar a coisa mais intocável do (seu) momento, que nem um artefato cobiçado e exposto 24 horas em qualquer museu do mundo é melhor nem atiçar o sujeito. Porém, convenhamos, são seres humanos desse tipo, sem um pingo de humildade ou consciência alguma que tendem a existir somente para garantir o lado fútil do planeta. Uma antiga parcela que nunca terá solução de melhora e muito menos explicação. Conhecimento é um fato e cultura só tem quem quer. Ninguém, ainda mais no Brasil, é obrigado a ter. E mesmo que alguma delas (ou todas) continuem obcecadas por Luan Santana e J. K. Rowling, invés de Robert Rodriguez e Erich Von Däniken, que se danem... Arrogantemente lindas ou imbecis por opção, eu as perdoo. Desde que, aqui e acolá, aceitem as minhas cutucadas, é claro!

 

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