Um trilhão de reais. Este é o valor aproximado do que a classe média brasileira terá movimentado ao longo deste ano. Atualmente, 53% da população no País já pertence a esta classe social, o que equivale a 104 milhões de brasileiros. Um número que cresceu significativamente na última década graças à inclusão de três grupos que historicamente tinham as menores rendas: mulheres, negros e nordestinos.
Estes são os principais números do estudo Vozes da Classe Média apresentado ontem, em Brasília, pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República.
Com este desempenho financeiro, se fosse um país, a classe média brasileira ocuparia o 18º lugar no G20 do Consumo Mundial. Acima da Holanda e Suíça e logo abaixo da Argentina (16º) e Turquia, que ocupa o 17º lugar (veja gráficos na página ao lado).
Nos últimos dez anos, 37 milhões de brasileiros, o correspondente a 21% da população nacional, deixaram a classe baixa e ascenderam à classe média. No mesmo período, apenas 6% dos brasileiros saíram da classe média rumo à classe alta.
Para a pesquisa, são identificados como classe média aqueles que vivem em famílias com renda per capita (individual) mensal entre R$ 291 e R$ 1.019.
De acordo com o estudo, a expansão desse segmento resultou de um processo de crescimento do País combinado com a redução na desigualdade.
“Em torno de 18 milhões de empregos foram criados na última década, esses empregos formais foram associados a uma política adequada de salário mínimo que deu ganhos reais acima da inflação aos brasileiros”, defendeu o ministro da SAE, Moreira Franco, durante a apresentação.
O ministro destacou ainda a importância do crescimento da classe média para movimentar e impulsionar a economia do Brasil, já que essa fatia da população responde por 38% da renda e do consumo das famílias brasileiras.
O crescimento da renda da classe média tem sido maior do que o do restante da população, de acordo com os dados apresentados ontem. Enquanto na última década a renda média desse segmento cresceu 3,5% ao ano, a renda média das famílias brasileiras cresceu, no mesmo período, 2,4% ao ano.
Educação
Um dos fatores primordias para a ascensão social e econômica dessas pessoas foi a educação, aponta o estudo. Enquanto na classe alta apenas 20% dos filhos estudaram mais que seus pais, na classe média este índice chega a praticamente a metade (49%).
“A melhoria dos indicadores educacionais tem possibilitado o avanço significativo dos emergentes da Nova Classe Média”, pontua Renato Meirelles, sócio diretor do Instituto Data Popular. “Somada a renda maior, a educação desses jovens, os proporciona mais poder de decisão no núcleo familiar”.
Não à toa, “estudar mais” é o investimento pessoal apontado pela maioria das pessoas otimistas da classe média (80%). Em segundo lugar vêm “abrir um negócio” (65%) e, em terceiro, “prestar um concurso” (59%).
Mesmo entre aqueles que se consideram pessimistas em relação ao futuro, estudar mais ainda é o investimento mais citado (41%). O empreendedorismo mantém-se em segundo, com 29%, seguido de perto pelo sonho do emprego público (28%).
E aqui se fala em otimismo, porque essa foi uma das principais características identificadas pela pesquisa entre as pessoas de classe média. Questionadas como visualizam sua vida em um ano, 81% disseram que estará melhor, 17% afirmaram que estará igual e apenas 2% responderam que ficará pior ou não sabem responder.
Se em vez de projetar, essas pessoas são pedidas para avaliar como sua vida mudou de um passado recente para cá, seis em cada brasileiros de classe média acreditam que ela melhorou (59%). Trinta e cinco por cento dizem que está igual e só 5% afirmam que piorou.
O estudo usou como base dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Instituto Data Popular (com agências de notícias).
E agora
ENTENDA A NOTÍCIA
De acordo com os autores do estudo Vozes da Classe Média, mantidas a taxa de crescimento e a tendência de queda nas desigualdades dos últimos anos, a classe média chegará a 57% da população brasileira em 2022.
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