Pelo menos um assunto polêmico já se apresenta como ponto de divergência entre candidatos à Prefeitura de Fortaleza: a Copa do Mundo de futebol, em 2014. Na última terça-feira, Renato Roseno (Psol) fez duras críticas à realização do evento na Capital. Ontem, o candidato do PCdoB, senador Inácio Arruda, foi no sentido inverso, dizendo que é “muito importante” a Cidade realizar o mundial. As declarações foram feitas no programa Debates do Povo, da rádio O POVO-CBN.
“Fortaleza ganha. Fortaleza não perde absolutamente nada com a Copa”, afirmou Inácio. Ele disse que a realização do evento contribui, por exemplo, para a melhoria da mobilidade urbana e da atração de investimentos. Renato Roseno havia dito que a Copa era “um grande tiro no pé” e criticou principalmente processo de desapropriação de famílias.
Sobre isso, Inácio disse que desapropriações são comuns “em qualquer cidade do mundo”, quando se pretende ampliar vias e construir equipamentos públicos. Mas a relação com as comunidades afetadas, segundo o candidato, deveria ser mais transparente. “O problema é o diálogo que você estabelece com a população”, ponderou.
Como exemplo, Inácio citou o projeto de remoção da comunidade que vive próxima ao trilho que passa pelo bairro Mucuripe. Uma alternativa, explicou o senador, seria viabilizar áreas no próprio bairro, onde fosse possível reacomodar as famílias. “Você pode verticalizar algumas regiões daquelas, dentro do Mucuripe”, sugeriu.
Guarda armada
Inácio voltou a defender que a Guarda Municipal seja armada. Segundo ele, a Prefeitura já contrata segurança privada armada para cuidar de logradouros. Por isso, o Município poderia investir em armamento no órgão de segurança que está sob sua tutela. Além disso, o candidato defendeu a criação de unidades pacificadores, que seriam instaladas nos bairros mais violentos. A atuação das unidades seria fruto de uma integração com outros órgãos, como as polícias Civil e Militar.
Inácio afirmou ainda que a falta de planejamento e de bons projetos são fatores que inviabilizam alguns investimentos na Capital. Como exemplo de bom projeto, ele citou as obras no entorno do rio Maranguapinho. “Demos o projeto de mão beijada para o governador (Cid Gomes).”
O quê
ENTENDA A NOTÍCIA
Inácio Arruda evitou críticas mais contundentes à atual administração (apoiada por seu partido, PCdoB, até poucos meses atrás), mas afirmou que há “problemas de gestão” e que saúde e educação são as áreas mais prejudicadas.
SERVIÇO
Debates do Povo, com Erivaldo Carvalho, na rádio O POVO/CBN (AM 1010)
Convidado de hoje: Elmano de Freitas, candidato pelo PT
www.opovo.com.br
Fala, internauta
Tem uma turma “radical” que vai para a universidade de carro e é contra a construção do VLT. Queria ver pegar o Parangaba/Mucuripe todo dia 6h da manhã (super lotado) para saber se seriam contrários.
Flavio Vinícius vasconcelosQuem não possui título sobre o imóvel não pode questionar propriedade. Adquiriu sem comprar, perde sem receber. Quem estiver comprovadamente residindo há mais de cinco anos pode pedir usucapião. Não há o que questionar disso.
Ronaldo PiresNo palanque todo candidato é inteligente, tem solução pra todos os problemas da cidade, e possui uma alma caridosa para atender as necessidades do povo. Eleito sua inteligencia vai para sua casa juntamente com sua generosidade.
Maria Fátima Martins
Saiba mais
Durante o programa, respondendo a ouvintes que disseram que ele já votou “contra os aposentados” no Congresso Nacional, Inácio disse: “Nossos votos mais polêmicos foram para ajudar o (ex-presidente) Lula”.
Quanto perguntado sobre a avaliação que faz da gestão da prefeita Luizianne Lins (PT), Inácio disse que houve alguns avanços, mas que há “problemas de gestão para resolver”. Saúde e educação foram as áreas que ele destacou como mais problemáticas.
Sobre mobilidade urbana, o candidato disse que é preciso, primeiramente, concluir as obras que estão projetadas ou em andamento, além de realizar um planejamento que leve em conta, também, o crescimento da Região Metropolitana.
Ao comentar a polêmica entre Prefeitura e Governo do Estado em torno do estaleiro na praia do Titanzinho, Inácio disse que “nenhuma obra de grande porte pode ser feita, em uma cidade como Fortaleza, sem dialogar com o prefeito”.
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