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Filhos 11/02/2012 - 17h00

Entre a continuidade dos estudos e a urgência do trabalho

Beneficiários de longa data ainda dependem do recurso para fechar as contas. Filhos mais velhos optam por entrar logo no mercado de trabalho
SARA MAIA
Com o dinheiro que recebe mensalmente do programa Bolsa Família, Fabiana garante a criação dos filhos


Entre os beneficiados pelo Bolsa Família são recorrentes os casos de quem recebe o benefício há anos. Para essas pessoas, administrar o orçamento da casa sem esse dinheiro continua sendo grande desafio. Morando em uma casa que ainda espera pelo reboco e por um piso melhor, Fabiana do Nascimento, 36, conta que o benefício serve para comprar gás e comida – além de pagar água e luz. “Não sei nem como eu estaria sem essa ajuda”, atesta Fabiana, que é viúva e tem três meninos.


O mais velho deles, Douglas, de 16 anos, não vê a hora de se apresentar no serviço militar e repartir as despesas. “Ele completa 17 anos em julho. Dizendo ele que não vai casar tão cedo para me ajudar”, ri Fabiana.


Mais importante do que garantir a ajuda do filho em casa, porém, o maior desafio de Fabiana é conseguir um emprego melhor. Ela conta ter feito curso de costura, mas não deu continuidade.


Além disso, tentou vaga para trabalhar em fábricas e agora espera pela seleção para agente de saúde do município. Apesar de ter o ensino médio completo, Fabiana conta que cai sempre nas provas de redação.


Do barro às prestações

No bairro Vila Três Marias, em Juazeiro do Norte, a família da auxiliar de merendeira Maria das Graças Brás, 36, também tem dificuldade para manter o orçamento. Ela guarda todos os comprovantes dos benefícios que recebeu. O primeiro é de março de 2003: auxílio-gás de R$45.

 

Ela lembra o tempo em que o chão da casa era só barro e um plástico servia de coberta para um dos quartos. Hoje, ela mostra o aparelho de som e a televisão que conseguiu comprar em prestações.“Eu estou trabalhando, mas não dá para manter tudo. São três meninos para comprar material escolar e comida”, emenda Maria das Graças, conhecida como Nena.


O filho mais velho de Nena já pensa em conseguir emprego. “Ele só pensa em trabalhar. Eu não quero, porque só o que eu posso dar é o estudo”, argumenta Nena.


Venceslau, de 17 anos, diz apenas que aceita trabalhar com qualquer coisa “para ajudar em casa”. Mas as opções pelo bairro não são muitas e a maioria é de pequenos “bicos”. (Thiago Mendes)

 

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