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Grupo do CIC 21/01/2012 - 14h00

A Era Tasso

A chegada ao Governo do jovem empresário, então neófito na política, em 1987, significou uma ruptura político-administrativa na hegemonia do Ceará como poucas na história do Estado. Com o passar do tempo, o poder cobrou sua fatura
FOTO: DIVULGAÇÃO
Tasso, com Ciro e Fernando Henrique Cardoso na foto, significou a maior ruptura política do Estado

Os três primeiros meses de 1987 foram suficientes para que o número de contracheques do Estado fosse cortado de 146 mil para 120 mil. De repente, quem tinha emprego público foi posto para fora. Gratificações desapareceram dos salários com uma simples canetada.

 

Por trás das medidas, um “galego de olhos azuis”, recém-eleito para o Governo do Ceará: Tasso Jereissati. Ao fazer valer promessas de moralização que lhe garantiram vitória nas urnas, ele dava início a um novo ciclo político – ambíguo e polêmico.

 

A primeira eleição de Tasso talvez tenha significado a maior ruptura política da história do Estado. O jovem empresário de 38 anos, então neófito na arena pública, era tido como a personificação do “novo”, da “modernidade”, em contraponto ao “atraso” e ao “tradicionalismo” representado pelos coronéis.


A promessa era a de reposicionar a imagem do Ceará no País, retirá-lo da condição de extrema pobreza e dar fim ao empreguismo e às práticas assistencialistas que marcaram o grupo político que o antecedeu. Para isso, a técnica e a profissionalização empresariais foram colocadas a serviço do Estado.


Tasso deu início à gestão com uma “faxina” na máquina pública. Milhares de funcionários fantasmas foram excluídos das folhas de pagamento. Assim, o tucano deu um passo importante na responsabilidade fiscal e no reequilíbrio financeiro do cofre público. O dinheiro do Ceará começou a aparecer, o que atraiu grandes empresas interessadas no novo mercado.


O estilo administrativo “agressivo” estendeu-se também ao campo político. Conforme lembra a pesquisadora Auxiliadora Lemenhe, da Universidade Federal do Ceará, “em menos de um ano, aliados foram feitos adversários, em razão de divergências programáticas e ideológicas. Empresários, políticos e movimentos sociais eram ouvidos apenas à medida que faziam eco às suas ideias”.

 

Mudanças


Mesmo assim, Tasso conseguiu eleger, embora com dificuldade, seu sucessor Ciro Gomes, nas eleições de 1990. Carismático, este começou a reatar o diálogo com forças políticas que até então haviam sido repelidas do Governo. E, quem diria: tinha início ali uma tentativa de repactuação justamente com os coronéis do Interior do Estado – que, depois, foram capitalizados para a volta de Tasso ao Executivo, na disputa de 1994.


Aos poucos, o estigma de “modernidade” com o qual o tucano havia emergido no Ceará começou a se confundir com práticas outrora consideradas arcaicas, em nome da hegemonia política. Nos dois últimos mandatos da Era Tasso, o governador passou a deter o controle do Legislativo, com mais de 60% da Assemble ia em sua base aliada. “O clientelismo não era a principal característica, mas não dá para dizer que eles não recorreram a alguns tipos de cooptação, de negociações para a liberação de obras”, avalia o sociólogo Washington Bonfim, professor da Universidade Federal do Piauí.


Depois de 12 anos à frente do Governo – feito único no Ceará –, Tasso deixou o Executivo com uma oposição em ascensão, oriunda, sobretudo do PT. E foi essa sigla a principal responsável por tentar imprimir no tucano uma marca diametralmente oposta àquela que o consagrou nas eleições de 1986: a do conservadorismo. Tenha ou não o PT conseguido – e estivesse, ou não, com razão –, trata-se de uma ironia do destino. Hoje, é ele quem lida com a alcunha de “coronel”. Agora sem mandato, após derrota para o Senado em 2010, o ex-governador mantém-se como personagem ambíguo, dividindo opiniões como poucos no Ceará.(Hébely Rebouças)

 

 

ENTENDA A NOTÍCIA

A ascensão política de um grupo de jovens empresários oriundos do Centro Industrial do Ceará (CIC), trouxe ganhos administrativos ao Estado, mas esse poder também apresentou sua fatura por meio da prática política.

 

Referência bibliográfica


Família, Tradição e Poder.

Livro da socióloga Maria Auxiliadora Lemenhe. Editora Annablume, 1996. Tem 249 páginas.

 

 

O início

A candidatura de Tasso surgiu no Centro Industrial do Ceará. Empresários estavam insatisfeitos com situação do Estado.

 

Poder

Após deixar o Governo, Tasso transferiu sua influência para o Senado, onde conseguiu eleger outros de seu grupo.

 

Aposentadoria

Após derrota na eleição para senador em 2010, decidiu ir “cuidar dos netos”. Hoje dirige o Instituto Teotônio Vilela, do PSDB

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