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ARTIGO 20/12/2012

O "valentão" e a lenda do pé-de-boi

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A cena foi impactante. Sábado, em plena manhã, movimento intenso de veículos e pessoas, um homem de terno, elegante, saca duas armas para trocar tiros com grupo acusado de praticar assaltos na área da Via Expressa. Fica a curiosidade em saber qual reação o heroico secretário de Segurança, protagonista da história, recomendaria a um subordinado numa circunstância como aquela em que estiveram expostas as vidas de quem passava pelo local e de quem mora nas proximidades.


E se uma bala se perde em meio à confusão e “acha” a vida de um cidadão?


O episódio, além de apresentar voluntarismo preocupante da parte do responsável atual por tocar a política de segurança estadual, serviu para me trazer à memória, imediatamente, uma conversa com o governador Cid Gomes logo depois de sua reeleição e antes de tomar posse para o segundo mandato, na qual anunciou o perfil do substituto de Roberto Monteiro. Seria um "pé-de-boi". Na linguagem policial, um homem de ação, capaz de fazer mais do que falar. Era preciso entrar numa outra fase da política para a área, concluiu-se no governo.


A parte de falar menos o secretário Francisco Bezerra, um oficial egresso da Polícia Militar, tem cumprido à risca. Excetuando-se alguns episódios cinematográficos e de pouco efeito sobre os grandes números da segurança nossa de cada dia, que continuam ruins, como demonstra a manchete de ontem do O POVO (aumento de 40% dos homicídios em Fortaleza), poucas vezes tivemos uma comunicação tão truncada no setor. Quanto ao outro lado, aquele em que se definiu ser hora de fazer mais, há uma dívida evidente com a sociedade e o próprio governo.


O cearense está com medo e tem razões. As estatísticas não cedem, a violência dá as cartas e o aparelho policial não consegue colocar em prática uma estratégia que apresente resposta à altura. É rezar, cada de um nós, para o silencioso Francisco Bezerra estar perto na eventualidade de um ataque de assaltantes numa das violentas ruas e avenidas da nossa cidade. Nessa hora, sim, o exemplo complicado da Via Expressa talvez mostre que se pode contar com um secretário de Segurança pronto para a ação.

 

Guálter George

gualter@opovo.com.br

Editor executivo do Núcleo de Conjuntura do O POVO

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