O presidente da Síria, Bashar al-Assad marcou ontem as eleições legislativas para o dia 7 de maio, enquanto enfrenta uma revolta sem precedentes, que já dura um ano.
O emissário internacional e ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), de 1997 a 2007, Kofi Annan, durante sua missão em Damasco no fim de semana, cobrou do Governo “propostas concretas” e o fim da violência.
As autoridades do país esperavam realizar essa votação no final de 2011, com a promessa de legislativas “livres e transparentes”.
Estas seriam as terceiras eleições para a Assembleia do Povoa desde a chegada de Al-Assad ao poder, em 2000. Na votação legislativa precedente, em abril de 2007, a Frente Nacional Progressista (FNP), coalizão liderada pelo Partido Baath, no poder, venceu, sem surpresas, a maioria das 250 cadeiras do parlamento. As eleições na Síria foram denunciadas pela oposição e a comunidade internacional como uma “farsa”.
Urgência absoluta
A situação desesperadora dos civis na Síria constitui uma urgência absoluta. Foi o que afirmou ontem o presidente da comissão de inquérito internacional sobre a Síria, o brasileiro Paulo Pinheiro, ao apresentar seu relatório ante o Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.
“O êxodo continua para o Líbano, Jordânia e Turquia. A situação desesperadora dos civis deve ser tratada como uma urgência absoluta”, reiterou o representante
A entrada sem obstáculos de ajuda humanitária tem de ser a regra e não a exceção, continuou Paulo Pinheiro. “Garantir o acesso humanitário sem obstáculos tem de ser a regra e não uma exceção”, afirmou ainda.
“Perdeu-se tempo e oportunidades para ajudar os necessitados devido à atitude do Governo. Muitos morreram por falta de tratamento apropriado e de fornecimentos essenciais”, destacou.
Desde o começo da revolta, em março do ano passado, mais de 70 mil pessoas sofreram deslocamento devido à violência e outras milhares acharam refúgio em países vizinhos da Síria, acrescentou o brasileiro. (das agências de notícias)
Por quê
ENTENDA A NOTÍCIA
Organismo ainda influente em questões internacionais, a ONU não se entende sobre a trágica situação da Síria. Haja visto os boicotes sucessivos da China e da Rússia, no Conselho de Segurança, quando da proposta de sanções ao país.
Saiba mais
Há um ano a Síria vive uma revolta popular violentamente reprimida.
Cerca de 8.500 pessoas, em sua maioria civis, morreram vítimas da violência desde meados de maço de 2011.
Aproximadamente 1,5 milhão de pessoas necessita de ajuda alimentar, de acordo com a ONU.
Tropas das forças de segurança sírias caíram numa emboscada, ontem, na província de Deraa, em um ataque que deixou 12 soldados mortos.
Ontem, cerca de 50 corpos carbonizados de mulheres e de crianças degoladas ou esfaqueadas foram encontrados em Homs, centro do país.
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