ENTREVISTA 01/10/2016

Entrevista com Jorge Chaskelmann

notícia 0 comentários
{'grupo': '', 'id_autor': 19043, 'email': 'ligiacosta@opovo.com.br', 'nome': 'L\xedgia Costa'}
Lígia Costa ligiacosta@opovo.com.br
TATIANA FORTES
Chaskelmann volta a Portugal depois de 12 anos no mercado cearense

Após empreender ao longo de 12 anos no mercado imobiliário cearense, Jorge Chaskelmann, diretor do complexo turístico-imobiliário Aquiraz Riviera, se prepara para voltar à sua terra Natal: Lisboa, em Portugal.

 

Localizado na Praia de Marambaia, em Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza, o projeto tem valor total estimado em US$ 350 milhões e é desenvolvido por investidores portugueses em parceria com a família Dias Branco.


O conhecimento adquirido na “Terra do Sol”, aliado ao olhar lusitano, garantiu o sucesso dos negócios de Chaskelmann no Ceará. Confira entrevista com o executivo, que traça um breve panorama do setor imobiliário e turístico, do Brasil ao Portugal.

 

O POVO - O senhor permaneceu no Ceará, por mais de uma década, à frente do Aquiraz Riviera. Neste período, o que aprendeu sobre o setor imobiliário local?

Jorge Chaskelmann - O marketing imobiliário e o desenvolvimento de projetos aqui são campeões, muito superiores ao que eu vi na Europa. O conceito de edifício, de apartamento, e o lançamento são os melhores que tenho visto no mundo. O Brasil é um País em que o marketing é muito forte. As empresas que se dedicam a essa atividade têm grandes prêmios internacionais e bem merecidos. Aprendi bastante nessa área. Foi muito bom.

 

OP - Como o senhor avalia o mercado imobiliário europeu neste momento de crise econômica?

Chaskelmann - Há várias europas. O mercado inglês estava muito aquecido. Agora, de repente, com a saída do Reino Unido da Europa, Londres caiu muito, desvalorizou muito o metro quadrado. No Sul, Portugal e Espanha tiveram uma crise tremenda em 2007, 2008 e 2009, e só agora é que começaram a comprar. Agora, talvez, possamos ver a retomada da construção civil e da venda do produto imobiliário. Os preços vão voltar a ser o que eram em 2008 e 2009. Hoje, em Portugal, começa a ter uma grande demanda de estrangeiros: franceses, ingleses e brasileiros que estão redescobrindo o País e comprando em Lisboa. E não só em Lisboa. É possível sentir novamente uma melhora no mercado de lá.

 

OP - Quando o senhor acha que o setor imobiliário no Ceará vai ganhar novo fôlego nas vendas, como vem ocorrendo em Portugal?

Chaskelmann - Em 2019. Há uma situação crítica psicológica e econômica. As empresas perderam dinheiro, as pessoas perderam emprego. Houve uma situação muito grave em que 25 mil famílias brasileiras perderam casas, apartamentos que tinham comprado no papel. As construtoras tiveram uma quebra muito grande. Já no Ceará, felizmente, não tivemos nenhuma falência de um grupo construtor, mas no Sul, sim: Minas Gerais, São Paulo e Paraná tiveram sérios problemas com empresas que faliram.

 

OP - E como o senhor acha que está o cenário de segunda residência no Ceará?

Chaskelmann - A segunda residência é a mais afetada. Então, vamos ter que esperar. O consumidor cearense quando compra uma segunda residência praiana, compra porque quer utilizá-la e não na expectativa de alugar e rentabilizar o espaço. Já nós, na Europa, há muito tempo vemos a segunda residência como uma alternativa ao hotel tradicional. Isso foi o que deu o grande “boom” de vendas em Espanha, Portugal, Marrocos e no Sul da França. As pessoas compravam apartamentos e contavam com o aluguel para pagar o banco e as despesas. Mas eu começo a verificar no consumidor cearense uma certa mudança. Com esta crise, eles dizem: “afinal não deve ser tão ruim eu alugar e, com esse dinheiro, pagar o banco ou amortizar o meu investimento”. Sinto que começa a haver uma certa diferença.

 

OP - E em Portugal, continuam a ser realizados aluguéis de segunda residência?

Chaskelmann - Em 2008 e em 2009 parou tudo; as construtoras estão paradas. Talvez, a partir de agora, comece a se sentir um movimento e início de construção de mais empreendimentos.

 

OP - O senhor já havia declarado sobre as dificuldades que investidor estrangeiro sente diante da burocracia imposta pelos órgãos públicos no Brasil. Em que medida isso afasta investidores?

Chaskelmann - Se é para comprar um apartamento, não tem dificuldade. Agora, se é para comprar uma área de terreno para desenvolver, todo o processo de licença ambiental é complicado. É difícil e leva muito tempo. O cara que iria investir R$ 2 milhões ou R$ 3 milhões, mas fica cinco anos à espera para poder comprar, vê que é um investimento que não vale a pena. E a insegurança jurídica continua a ser um dos maiores entraves ao desenvolvimento imobiliário. Na compra do apartamento, apesar do câmbio favorável, eu acho que as notícias do Brasil nesta instabilidade política, como o impeachment, passa uma imagem preocupante para fora. A imprensa tradicional tem sido francamente desfavorável ao Brasil, nos últimos anos. Pode ser que agora, com essa mudança (de Governo), se volte a comprar. Eu sou um otimista em relação ao Brasil, que tem coisas que mais ninguém tem no mundo, como dimensão, potencial para o agronegócio, recursos naturais...

 

OP - Nesse período em que esteve no Ceará, o senhor se arrependeu de algo relacionado aos seus negócios?

Chaskelmann - Não. Tive momentos difíceis, mas também momentos bons. Eu investi num momento bom e me dei bem aqui.

 

OP - E que ensinamentos o senhor leva do Brasil para Portugal?

Chaskelmann - É difícil. Você fica 12 anos num país e no outro, parte do seu coração e parte da sua mentalidade continua aqui e parte lá. Você tem que dividir o seu emocional entre duas sociedades muito parecidas, mas um pouquinho diferentes. Em Portugal, o povo é um pouco mais conservador, mais introspectivo. O brasileiro é mais alegre, mais aberto. Mas se complementam. Há muito amigos nossos aqui que estão querendo investir em Lisboa e muitos brasileiros que agora vivem em Portugal e se sentem bem porque a raiz é igual. Só muda o sotaque. Não é como os Estados Unidos, que é um País completamente diferente.

 

OP - Qual o maior entrave para o Brasil crescer no segmento imobiliário?

Chaskelmann - Principalmente no setor turístico, não há uma política pública que encoraje o desenvolvimento de grandes empreendimentos turísticos e o desenvolvimento hoteleiro. O Brasil tem 6 milhões de turistas, mas devia ter 100 milhões de turistas. O México tem 21 milhões de turistas. Por que? Porque não há um incentivo ao setor nos hotéis, nos empreendimentos turísticos. Não há facilidade nem nos impostos, nem nos financiamentos. A infraestrutura também não acompanha e não há vontade política.

 

OP - E qual o melhor momento para investir no mercado imobiliário? O senhor acha que é agora?

Chaskelmann - É claro. Tem que comprar quando está numa situação como agora, com pouca demanda, e vender quando valorizar. O imobiliário compra na baixa e vende na alta.

 

OP - O seu retorno a Lisboa tem motivação profissional?

Chaskelmann - Não. Vou descansar um pouquinho e passar a ter uma vida mais tranquila. Vou me aposentar, jogar golfe e continuar trabalhando.


Tem que comprar quando está numa situação como agora, com pouca demanda, e vender quando valorizar. O imobiliário compra na baixa e vende na alta

undefined

espaço do leitor
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro a comentar esta notícia.
0
Comentários
500
As informações são de responsabilidade do autor:
  • Em Breve

    Ofertas incríveis para você

    Aguarde

ACOMPANHE O POVO NAS REDES SOCIAIS

Jornal de Hoje | Imóveis