ENTREVISTA. JOAQUIM CARACAS 16/01/2016

O empresário da inovação

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Artumira Dutra artumira@opovo.com.br
CAMILA DE ALMEIDA
Joaquim Caracas é primeiro empreendedor Endeavor do Ceará

O engenheiro civil Joaquim Caracas é criativo e empreendedor desde criança, quando pegava latas de querosene vazias fazia apanhadores de lixo para vender em Guaramiranga, por exemplo. Também é um dos profissionais mais respeitados da construção civil por suas soluções, criações e tecnologias que desenvolveu ao longo dos últimos 20 anos por meio da Impacto Protensão.

 

Um dos responsáveis pela implantação e melhoria da cordoalha engraxada no Brasil, ele também criou as famosas casas de plástico e até um hotel utilizando o mesmo material reciclável. Suas criações, sendo quatro patenteadas e 16 em processo, permitem uma economia direta de cerca de 20% na estrutura das construções, além dos ganhos indiretos de tempo e menos retrabalho.


Nesta entrevista, Caracas fala do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), gerenciado por um engenheiro do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), que tem uma impressora 3D e recebe estagiários do ITA todo semestre só para pensar e desenvolver novos projetos. O projeto Guaramiranga na Frente é outra de suas ideias que, a partir desse ano, vai contar com a metodologia de ensino do Sistema Ari de Sá.

 

O POVO – Como o senhor chegou às cordoalhas engraxadas, de uso consagrado nos Estados Unidos, mas que ainda não eram usadas no Brasil?

Joaquim Caracas - Em 1997, nós fomos aos Estados Unidos buscar um sistema de protensão, a cordoalha engraxada, que não existia no Brasil. Fizemos a implantação e algumas melhorias no Brasil. Hoje, conseguimos fazer uma estrutura otimizando mão de obra e material. E, principalmente, mão de obra especializada que hoje é complicada no Brasil. Nós usamos a mão de obra não especializada. Esse sistema da cordoalha existia nos Estados Unidos desde a década de 1960 e só chegou aqui em 1997. A primeira obra do Brasil usando o sistema da cordoalha engraxada é do Ceará. Com isso, o Ceará passou a ser o celeiro da protensão no Brasil. E a protensão é você ter uma estrutura de alto padrão, com uma condição bem superior ao concreto armado em termos de qualidade, durabilidade, de deformação das estruturas e segurança.

OP - Qual foi a primeira patente de vocês?

Caracas - A primeira invenção, a primeira patente são as lajes pré-moldadas. Na laje pré-moldada você usa um tijolo ou isopor, só que não tem função nenhuma. Então eu resolvi usar uma peça de plástico que você concreta e, depois, remove.

OP – Existe uma diferença entre invenção e inovação?

Caracas - Inovação é uma invenção que tem nota fiscal. Se não tiver nota fiscal não funciona. Tudo o que nós fizemos são coisas simples e 90% de tudo que fazemos está em uso.

 

OP - O senhor é o primeiro empreendedor Endeavor do Ceará. O que isso significa?

Caracas - A Endeavor é uma organização sem fins lucrativos, trazida para o Brasil pelo empresário Beto Sucupira. Em 2013, fomos escolhidos para participar de uma seleção durante dez meses, nos Estados Unidos. Só é empreendedor Endeavor se passar no internacional. Na época participamos com 26 empreendedores de 15 países. Lá, fomos entrevistados por três duplas e você só passaria se obtivesse os seis votos. Foram aprovados dois do Brasil e nós fomos um deles. Somos o primeiro do Ceará e um dos 80 do Brasil.

 

OP - Muitos o consideram um gênio. Como o senhor se autodefine?

Caracas - Eu acho que não existe isso. O meu foco é sempre, ao olhar para as coisas, ver o que dá para tirar proveito. Eu gosto de ficar observando. Eu acho que tudo que o homem faz é uma cópia imperfeita da natureza.

 

OP - Qual o segredo do seu sucesso?

Caracas - Eu sempre fui um cara que trabalhei com honestidade. Você tem que fazer as coisas corretas e acreditar no que está fazendo.

OP - Qual a principal característica do empresário inovador?

Caracas - É trabalhar, acreditar nas coisas e sempre fazer da forma mais simples possível. Tudo que é complicado não funciona.

OP - Como surgiu a ideia de construir casas de plástico?

Caracas - Eu estava andando pela praia, em Sergipe, e vi um painel de madeira com casas pintadas e pensei: vou construir uma casa de plástico. As paredes e os pisos são feitos de plástico industrializado e, com isso, não precisa usar mão de obra especializada para montar. É como um lego.

OP - O projeto Recicla da Coelce aproveita essa tecnologia da casa de plástico?

Caracas - Nós construímos cerca de 100 casas desse tipo para a Coelce. Mas, hoje, nós substituímos contêineres metálicos, em Salvador, por contêineres. de plástico. São cerca de 300 alugados.

OP - Como é o projeto que o senhor desenvolve para os jovens das escolas públicas de Guaramiranga?

Caracas - Eu acho que a gente tem que repartir ganha. Acho que você tem que ter uma vida sem conflitos. E nós resolvemos, desenvolver uma ideia na área de educação através do projeto Guaramiranga na Frente. Pegamos os 26 melhores alunos do primeiro ano do Ensino Médio e, todo sábado, eles têm aula de português, matemática e uma palestra. No final do mês, o aluno que tem a média (8) e a frequência leva R$ 100. Além disso, neste terceiro ano do projeto, vamos estar com três turmas e oferecendo cinco vagas do Curso de Medicina para cada turma, mesmo que o aluno passe numa escola particular. E, todo mês, eles vão assinar uma promissória. No final do curso, para eles resgatarem a promissória, terão que bancar um outro aluno ou prestar serviço na cidade.

 


O meu foco é sempre, ao olhar para as coisas, ver o que dá para tirar proveito. Eu acho que tudo que o homem faz é uma cópia imperfeita da natureza

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