ENTREVISTA. SÉRGIO MELO 03/10/2015

É a hora dos pequenos e grandes

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Bruno Cabral brunocabral@opovo.com.br
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O economista Sérgio Melo acredita que, com o dólar girando em tono dos R$ 4, este é o momento para grandes e pequenos investidores. Para quem quer um imóvel que dê renda ou para morar. Para ele, o atual patamar da moeda americana deve permanecer, no mínimo, até o final do próximo ano. Para aqueles brasileiros que investiram em imóveis no Exterior, ele diz que talvez este seja o momento de trazer os recursos de volta para o Brasil.

 

Ex-presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef), Sérgio Melo vê no imóvel um ativo que dá segurança ao investidor, por ser palpável, diferente de outras opções do mercado financeiro. O maior problema para se investir no País, ele diz, ainda é a falta de segurança jurídica, o que afasta estrangeiros. “A falta de previsibilidade é o maior problema do Brasil.” Mas quando o cenário político e econômico ficar claro, acredita, o mercado irá reagir e quem entrou agora vai colher bons frutos.

 

O POVO - Quais os efeitos imediatos da alta do dólar para o mercado imobiliário?

Sérgio Melo - O primeiro deles é que existem muitos brasileiros que têm recuso no exterior, como alternativa de investimento, e que agora estão tendo uma rentabilidade fantástica. Então todos aqueles que investiram no exterior, levando dólares nos últimos 10 ou 15 anos, e têm uma poupança grande em moeda estrangeira, essa é a hora de trazer de volta. Assim, ele vai comprar um imóvel no Brasil por menos da metade do preço que ele compraria quando investiu no exterior, considerando o valor em dólar. O segundo é a possibilidade de estrangeiros, que vendo esse mercado, se entusiasmarem em vir para o Brasil. Mas não vejo que isso seja uma panaceia, como uma coisa que vai explodir, que vão ser bilhões e bilhões de dólar, isso não deve ocorrer.

 

O POVO - Por que se os preços dos imóveis no Brasil estão tão atrativos?

Sérgio - O Brasil não é um porto seguro, tem muitos problemas. Com relação à documentação, por exemplo, você até consegue vender para um brasileiro um imóvel que falta corrigir algo no cartório, mas para um estrangeiro não. Nós temos alguns obstáculos para vencer, mas acredito que com o dólar num patamar de R$ 4, que deve permanecer no mínimo até o final do próximo ano, é uma grande oportunidade para ir amadurecendo a cabeça do investidor estrangeiro.

 

O POVO - Que outros fatores contribuem para que o Brasil não seja um porto seguro?

Sérgio - O que falta é segurança jurídica. O investidor internacional tem medo do Brasil. Hoje está pior porque essa insegurança atingiu as instituições. Isso ocorre porque a lei não é clara. Com relação à questão ambiental, você recebe o licenciamento e quatro meses depois vem um órgão ambiental e embarga a obra.

 

O POVO - Qual a percepção dos seus clientes estrangeiros que já investiam no Brasil?

Sérgio - Nós temos alguns clientes que estão nesse mercado de resorts, pousadas, flats, e eu diria que poucos são aqueles que estão muito felizes. Principalmente por conta dessa insegurança jurídica, de projetos que são aprovados por um órgão e depois embargados por outro. São negócios que foram fechados em um termo e depois esses termos não valem mais.

 

O POVO - Onde estão as oportunidades de investimento no mercado imobiliário local?

Sérgio - Acredito que pode ser um grande momento para o setor imobiliário seja de terreno, seja de apartamento, de lojas, de estacionamento, seja do que for. Se for um investidor que pretende desenvolver negócios no Brasil, o terreno pode ser o principal investimento, porque é lá que ele vai desenvolver suas fábricas, criar os seus negócios. Mas se for um investidor pessoa física, que tem vontade de vir para o Brasil para ter segunda residência, ou para se aposentar, a hora é essa. O preço está muito bom em dólar.

 

O POVO - Que regiões do Estado o senhor destacaria?

Sérgio - Para o investidor que vem para lazer, obviamente que no Ceará é o litoral. Ele vai procurar as praias. Seja em Fortaleza, em Caucaia, onde for. Mas, nessas regiões, o preço em moeda nacional caiu menos.

 

O POVO - E na Capital, onde o senhor vê as melhores oportunidades?

Sérgio - Eu acho que os bairros que ainda têm chances de crescer bastante estão na área que vai da Seis Bocas até o Eusébio.

O POVO - Como o senhor avalia o atual momento do mercado imobiliário no Brasil, com os preços mais estáveis, diferente das grandes valorizações dos últimos anos?

Sérgio - Por causa da parada de nos preços, este é o momento de investir. Nós temos mais estoques, menos demanda. E eu diria que o mercado está favorável para quem está comprando, do mesmo jeito que está para o investidor internacional.

O POVO - Quando os preços devem voltar a subir?

Sérgio - Na minha visão, a partir de 2017 o Brasil volta a ter um crescimento, não absurdo, mas vai ter um crescimento muito provavelmente sustentável, se a gente conseguir resolver as mazelas do ponto de vista politico e econômico, que estão fazendo com que o Brasil ande para trás. São dois anos para maturar os negócios, para ganhar dinheiro daqui a três, quatro anos.

O POVO - Com tantos investimentos atraentes atrelados à taxa de juros ou à inflação, porque o investidor deveria olhar para o setor imobiliário?

Sérgio - É muito mais seguro ter algo palpável, que é um bem material, do que arriscar em um papel. O imóvel não dá esse tipo de insegurança que outros investimentos no mercado financeiro. Ainda que o preço do imóvel venha a cair, essa queda tem um piso, diferente do papel. Nada do mercado financeiro tem um piso garantido. Então, se ele quer segurança, saber que os recursos que ele aplicou estão protegidos, esse é o mercado mais seguro.

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