PRESERVAÇÃO. ARQUITETURA 15/07/2015

Quem une o velho ao novo

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EDIMAR SOARES
Em vez de ser demolida, Chácara Paraíso, no Montese, foi preservada e é utilizada como salão de festas dos empreendimentos que a rodeiam
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Quando há estudo ou preocupação com a memória da cidade, projetos economicamente viáveis saem do papel. Uma chácara no Montese, da década de 1960, foi anexada a prédios residenciais. A Chácara Paraíso é a combinação perfeita entre tradição e modernidade. As torres de apartamentos circulam a casa que serve de salão de festas.

 

No Meireles, a Reata Engenharia ensaiou a preservação da arquitetura. “No edifício Casa Rosa tivemos a ideia de levantar a fachada da casa que estava no local e integrá-la à fachada do empreendimento que foi erguido. O resultado se vê na esquina da rua Leonardo Mota com a República do Líbano”, explica Jayme Leitão, diretor da Reata. Mas a obra é apenas uma menção à imagem do que ali existia. Um pastiche, dizem os críticos mais ácidos.


“Quando falamos em restauro, conservação e adaptação a outro tipo de uso, temos que considerar os valores do edifício como volumetria e divisão interna”, explica o arquiteto Romeu Duarte, chefe do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC).


Nem sempre a experiência é possível de ser realizada. Um projeto que una o velho e o novo não é fácil de ser concretizado apenas pela boa vontade das construtoras. As empresas enxergam uma casa invisível, como a cantada por Vinícius de Moraes. O foco é o terreno. “Essas casas (da Aldeota e Meireles) ocupam uma área do terreno que inviabiliza muitas vezes a obra. Não existem, por exemplo, concessões outras, como avançar recuos em outros locais. Não existem incentivos de troca oferecidos pela Prefeitura, concessões que viabilizem essa política de preservação de fachada, que seja. Nossa legislação não tem essa previsão”, diz Paulo Hermano Barroso, professor da Unifor.


Insegurança jurídica

Sem uma definida política de preservação, as construtoras seguem em seus planos de urbanização. Quando uma casa é derrubada a população reclama, ensaia se mobilizar. Em vão. “A primeira atitude de todo construtor que pretende adquirir um imóvel é procurar os órgãos envolvidos pra verificar se o bem é tombado. As pessoas responsáveis pelo tombamento, quando vêm que o mercado imobiliário se interessou, passam a querer fazer o tombamento. Isso gera uma insegurança jurídica muito grande para as construtoras. Se o empresário faz a verificação e não existe nada, não tem porque ele conservar”, opina Gama. (Paula Lima)

 

CASAS CHARMOSAS QUE FORAM DEMOLIDAS

 

1993

ItapucaVila – Na rua Guilherme Rocha, 1055, existia uma casa em estilo Oriental com grades importadas da Índia, a casa estava deteriorada desde a morta de seu proprietário em 1946


1982 é demolido o prédio Fênix Caixeiral, construído em 1914, na Praça José de Alencar para dar lugar a lojas comerciais

 

1985 derrubada a Casa de Rodolfo Theophilo, na avenida da Universidade

 

2011 Chácara Flora é demolida. Na Rua Marechal Deodoro, a casa foi derrubada ilegalmente por uma construtora

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